Descobrir gordura no fígado em um ultrassom é apenas uma parte da avaliação. Além de confirmar a presença de esteatose, é importante estimar se já existe fibrose, que é a formação de cicatrizes no tecido hepático e um dos principais fatores relacionados à gravidade e ao prognóstico da doença. Para isso, o médico pode combinar ultrassom, exames de sangue, cálculos como o FIB-4 e elastografia.
O que o ultrassom mostra na gordura no fígado?
O ultrassom abdominal é um dos exames mais usados para identificar alterações compatíveis com acúmulo de gordura no fígado. Ele é acessível, não utiliza radiação e muitas vezes detecta a esteatose durante uma investigação feita por outro motivo. Porém, tem limitações, principalmente quando a quantidade de gordura é pequena.
Além disso, o ultrassom convencional não consegue determinar com precisão quanto de fibrose existe. Por isso, encontrar esteatose no exame não significa automaticamente que o fígado esteja gravemente comprometido. O Tua Saúde explica que outros exames podem ser necessários após a identificação da gordura no fígado, incluindo testes laboratoriais e métodos de imagem.
Quais exames de sangue costumam ser avaliados?
TGO, também chamada de AST, e TGP, ou ALT, são enzimas que podem aumentar quando existe lesão das células do fígado. Outros exames, como GGT, bilirrubinas, albumina, plaquetas e testes de coagulação, também podem fazer parte da investigação dependendo do caso.
Um ponto importante é que TGO e TGP normais não descartam gordura no fígado nem fibrose. Por isso, o resultado das enzimas não deve ser usado sozinho para concluir que está tudo bem. Na avaliação, o médico pode observar:
- TGO ou AST e TGP ou ALT;
- GGT e fosfatase alcalina em situações específicas;
- contagem de plaquetas;
- glicemia e hemoglobina glicada;
- colesterol e triglicerídeos;
- bilirrubinas, albumina e outros marcadores conforme o quadro.

O que é o FIB-4 e por que ele pode ser calculado?
O FIB-4 é um índice que utiliza idade, TGO, TGP e número de plaquetas para estimar a probabilidade de fibrose avançada. Não é necessário fazer um exame chamado FIB-4: o cálculo é feito a partir de informações que geralmente já estão disponíveis nos exames de sangue.
A diretriz da American Association for the Study of Liver Diseases recomenda o FIB-4 como uma primeira ferramenta para estratificar o risco de fibrose. De modo geral, valores abaixo de 1,3 indicam menor probabilidade de fibrose avançada em muitos adultos, enquanto resultados a partir de 1,3 podem levar a uma segunda avaliação, como a elastografia. Os limites precisam ser interpretados com cuidado conforme a idade e o contexto clínico, e o FIB-4 não confirma fibrose sozinho.
Para que serve a elastografia do fígado?
A elastografia mede a rigidez do fígado de maneira não invasiva. Quanto maior a rigidez, maior pode ser a probabilidade de fibrose, embora outros fatores também possam alterar o resultado. Uma das técnicas mais utilizadas é a elastografia transitória, conhecida por equipamentos como o FibroScan.
Ela costuma ser solicitada principalmente quando o FIB-4 não permite classificar a pessoa como de baixo risco ou quando existem fatores que aumentam a preocupação com doença mais avançada, como diabetes tipo 2, obesidade e alterações persistentes nos exames. A diretriz da AASLD recomenda métodos como a elastografia para uma segunda avaliação quando o FIB-4 está elevado. Em casos selecionados, ressonância com elastografia ou até biópsia podem ser necessárias.

Por que saber se existe fibrose é tão importante?
A quantidade de gordura encontrada no fígado não é, sozinha, o principal indicador de como a doença pode evoluir. O estágio de fibrose está mais fortemente relacionado ao risco de cirrose, complicações hepáticas e mortalidade. Uma revisão sistemática e meta-análise com mais de 17 mil pessoas mostrou aumento progressivo do risco de morte conforme avançava o estágio de fibrose.
Por isso, depois de encontrar esteatose, a avaliação costuma tentar responder duas perguntas diferentes: quanto de gordura existe e qual é o risco de já haver cicatrização importante. Ultrassom, exames laboratoriais, FIB-4 e elastografia se complementam, e o médico decide quais são necessários de acordo com os resultados e os fatores de risco de cada pessoa.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica. Exames do fígado devem ser interpretados em conjunto por um clínico, gastroenterologista ou hepatologista.









