Para quem tem gastrite ou pressão alta, o paracetamol costuma ser considerado antes do ibuprofeno para aliviar dores leves a moderadas ou febre, desde que não existam contraindicações. Isso acontece porque o ibuprofeno pertence ao grupo dos anti-inflamatórios não esteroides, que podem irritar o estômago, favorecer úlceras e dificultar o controle da pressão. Mesmo o paracetamol, porém, não deve ser usado sem limites, principalmente por causa do risco de lesão no fígado em doses excessivas.
Por que o ibuprofeno merece cuidado em quem tem gastrite?
O ibuprofeno reduz a produção de prostaglandinas, substâncias envolvidas na inflamação e na dor. O problema é que algumas prostaglandinas também ajudam a proteger a mucosa do estômago. Ao diminuir essa proteção, o medicamento pode favorecer dor, queimação, gastrite, úlceras e até sangramento digestivo.
O NHS inclui os anti-inflamatórios, como o ibuprofeno, entre as possíveis causas de gastrite e orienta pessoas que usam esses medicamentos regularmente a discutir alternativas com um profissional de saúde. O risco aumenta principalmente com doses maiores, uso prolongado, histórico de úlcera e combinação com outros medicamentos que favorecem sangramentos.
E por que o ibuprofeno pode ser um problema na pressão alta?
Além do efeito sobre o estômago, os anti-inflamatórios podem interferir no funcionamento dos rins e favorecer retenção de sódio e líquidos. Em algumas pessoas, isso eleva a pressão arterial ou dificulta o controle da hipertensão. Eles também podem interferir no efeito de determinados medicamentos usados para baixar a pressão.
A American Heart Association inclui anti-inflamatórios como ibuprofeno e naproxeno entre os medicamentos que podem aumentar a pressão arterial. Por isso, quem tem hipertensão, doença renal ou insuficiência cardíaca deve evitar a automedicação com esses remédios.

Então o paracetamol é sempre a melhor escolha?
Não necessariamente. Para dor leve ou febre, o paracetamol frequentemente é uma alternativa mais adequada quando há preocupação com o estômago ou com a pressão, porque não pertence ao grupo dos anti-inflamatórios. O Tua Saúde explica as principais diferenças entre paracetamol e ibuprofeno e em quais situações cada medicamento costuma ser utilizado.
Por outro lado, o paracetamol praticamente não tem ação anti-inflamatória. Assim, algumas dores em que a inflamação é uma parte importante do problema podem exigir outra abordagem. Além disso, um ensaio clínico com pessoas hipertensas mostrou aumento da pressão durante o uso regular de 4 gramas de paracetamol por dia. Isso reforça que uso frequente e em doses altas também merece avaliação médica.
Qual é o cuidado com a dose do paracetamol?
O principal risco do excesso de paracetamol é a toxicidade para o fígado. Em adultos saudáveis e sem doença hepática, a dose máxima diária geralmente não deve ultrapassar 4.000 mg somando todas as fontes do medicamento. A dose indicada na embalagem ou pelo profissional pode ser menor e sempre deve ser respeitada.
É especialmente importante conferir a composição de antigripais e outros remédios combinados, pois alguns já contêm paracetamol. O Tua Saúde alerta que ultrapassar as doses recomendadas pode provocar hepatite medicamentosa e até insuficiência hepática. Pessoas com doença no fígado, baixo peso, consumo frequente de álcool ou outros fatores de risco podem precisar de limites diferentes.

Como escolher entre os dois com mais segurança?
Quem tem gastrite ou hipertensão não deve simplesmente trocar um medicamento pelo outro sempre que sentir dor. A causa da dor, outros remédios em uso, doenças nos rins ou no fígado e a frequência com que o analgésico é necessário influenciam a escolha. Dor recorrente, necessidade de analgésicos por vários dias, fezes pretas, vômito com sangue ou pressão persistentemente elevada merecem avaliação profissional.
De forma prática, para uso ocasional contra dor leve ou febre, o paracetamol costuma apresentar menos problemas gástricos e cardiovasculares do que o ibuprofeno, desde que usado corretamente. Já o ibuprofeno pode ser necessário em algumas situações, mas quem tem gastrite ou pressão alta deve usá-lo apenas com maior cautela e orientação.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica ou farmacêutica. Não altere, suspenda ou combine medicamentos por conta própria.









