Paracetamol e ibuprofeno baixam a febre e aliviam dores com eficácia parecida, mas agem de formas diferentes e têm riscos distintos. O paracetamol é mais suave para o estômago, porém pode lesar o fígado quando a dose máxima é ultrapassada. O ibuprofeno tem ação anti-inflamatória extra, mas irrita o estômago e pode afetar rins e pressão. Na suspeita de dengue, o ibuprofeno deve ser evitado.
Como cada remédio funciona?
O paracetamol age principalmente no cérebro, reduzindo a percepção da dor e regulando a temperatura do corpo. Ele quase não tem efeito anti-inflamatório.
O ibuprofeno é um anti-inflamatório não esteroide. Ele bloqueia substâncias que causam dor, febre e inflamação em todo o corpo, inclusive as que protegem a parede do estômago, o que explica parte dos seus efeitos colaterais.

Qual é melhor para cada situação?
- Febre e dores de gripe ou resfriado: os dois funcionam, e o paracetamol costuma ser a primeira escolha por ser mais seguro para o estômago;
- Suspeita de dengue: apenas paracetamol ou dipirona, porque o ibuprofeno aumenta o risco de sangramento;
- Dores com inflamação, como dor de dente, cólica menstrual, entorses e dores musculares: o ibuprofeno tende a funcionar melhor;
- Pessoas com gastrite, úlcera, doença nos rins ou pressão alta: paracetamol é geralmente mais indicado;
- Pessoas com doença no fígado ou que bebem álcool com frequência: o ibuprofeno pode ser preferido, com orientação médica.
O que um estudo mostrou sobre paracetamol e fígado?
O risco do paracetamol aparece quando a dose é ultrapassada, muitas vezes sem a pessoa perceber. Segundo uma pesquisa publicada na revista Hepatology em 2005, médicos liderados pela Universidade de Washington acompanharam 662 pacientes com insuficiência hepática aguda em 22 hospitais dos Estados Unidos, durante seis anos.
O paracetamol foi a principal causa de falência aguda do fígado, responsável por 42% dos casos. Quase metade foi por excesso acidental, e entre esses pacientes 38% tomavam dois ou mais produtos com paracetamol ao mesmo tempo, como antigripais e analgésicos.
Quando o paracetamol sobrecarrega o fígado?
Para adultos saudáveis, a bula costuma limitar o uso a 4 gramas por dia, divididos em doses. O risco aumenta quando:
- A pessoa soma o remédio com antigripais que também contêm paracetamol;
- Há consumo frequente de álcool ou doença no fígado;
- A pessoa está em jejum prolongado, desnutrida ou muito debilitada;
- O uso se estende por vários dias sem orientação.
Para conferir doses e cuidados, vale ver como tomar paracetamol com segurança.

Quando o ibuprofeno agride o estômago e os rins?
O ibuprofeno pode causar azia, gastrite, úlcera e sangramento digestivo. O risco é maior em pessoas acima de 65 anos, em quem já teve úlcera e em quem usa anticoagulantes, corticoides ou AAS. Tomar com o estômago vazio também aumenta a irritação.
Nos rins, o problema aparece em quem está desidratado, tem doença renal, insuficiência cardíaca ou usa diuréticos e alguns remédios para pressão. O ibuprofeno também pode elevar a pressão arterial.
Uso consciente faz a diferença
Os dois remédios são seguros quando usados na dose certa e por pouco tempo. Leia sempre o rótulo de todos os medicamentos, evite alternar ou combinar por conta própria e não ultrapasse três dias para febre ou dez dias para dor sem avaliação. Como mostrou o estudo americano, a maior parte dos casos graves de fígado aconteceu por excesso acidental, algo fácil de prevenir.
Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um médico ou farmacêutico. Febre persistente, dor intensa ou sinais de dengue exigem avaliação profissional.









