Colocar uma fita sobre os lábios antes de dormir virou uma prática popular nas redes sociais, principalmente com a promessa de estimular a respiração pelo nariz, diminuir o ronco e melhorar o sono. Apesar da popularidade, ainda há pouca evidência de que dormir com fita na boca traga benefícios para a maioria das pessoas. Além disso, fechar a boca pode ser arriscado quando existe dificuldade para respirar pelo nariz ou algum distúrbio respiratório durante o sono.
Para que serve a fita na boca durante o sono?
A ideia do chamado mouth taping é manter os lábios fechados para reduzir a respiração pela boca e favorecer a passagem do ar pelo nariz. Quem adota a prática costuma buscar principalmente menos ronco, menor ressecamento da boca ao acordar e um sono considerado mais tranquilo.
O problema é que respirar pela boca durante a noite pode ter diferentes explicações. Congestão, rinite, alterações anatômicas e distúrbios como a apneia podem estar envolvidos. Nesse cenário, simplesmente fechar os lábios não trata necessariamente o motivo pelo qual a pessoa abre a boca enquanto dorme.
A fita realmente melhora o sono e diminui o ronco?
Os resultados disponíveis ainda são insuficientes para recomendar a prática de forma ampla. Uma revisão sistemática publicada em 2025 sobre o uso de fita na boca durante o sono encontrou apenas 10 estudos, envolvendo 213 participantes. Alguns trabalhos observaram melhora de parâmetros relacionados à apneia, enquanto outros não encontraram benefício.
Isso significa que relatos de dormir melhor, acordar com mais energia ou parar de roncar não podem ser tratados como efeitos garantidos. Há pesquisas pequenas sugerindo benefício em grupos selecionados, especialmente pessoas com determinadas características respiratórias, mas ainda faltam estudos maiores e de melhor qualidade para saber quem realmente poderia se beneficiar.

Por que fechar a boca pode atrapalhar a respiração?
A boca também funciona como uma passagem alternativa para o ar quando respirar pelo nariz fica difícil. Por isso, bloquear essa via durante toda a noite pode ser especialmente problemático para pessoas com:
- nariz frequentemente entupido;
- rinite ou crises alérgicas;
- desvio de septo ou outras obstruções nasais;
- suspeita ou diagnóstico de apneia do sono;
- ronco acompanhado de engasgos ou pausas na respiração.
Um estudo com pessoas com apneia mostrou que fechar a boca teve resultados diferentes conforme o padrão respiratório: em participantes que dependiam mais da respiração oral, o fluxo de ar chegou a piorar. A revisão sistemática também aponta preocupação com o uso indiscriminado da fita quando existe obstrução nasal. Portanto, não é seguro assumir que obrigar o corpo a respirar pelo nariz sempre melhora a respiração.
O que fazer se você costuma dormir de boca aberta?
Em vez de apenas impedir que a boca abra, vale investigar por que isso acontece. Se o nariz fica entupido com frequência, por exemplo, tratar a causa pode ser mais útil. A lavagem nasal com soro fisiológico é uma das medidas que podem ajudar a aliviar a congestão em situações como rinite e resfriados.
Também vale observar se existem outros sinais durante a noite ou ao acordar, como:
- ronco alto e frequente;
- engasgos durante o sono;
- pausas na respiração percebidas por outra pessoa;
- boca muito seca pela manhã;
- dor de cabeça ao acordar;
- cansaço ou sonolência excessiva durante o dia.

Quando o ronco ou a respiração pela boca precisam ser investigados?
Roncar ocasionalmente não significa necessariamente que exista uma doença. Porém, ronco frequente acompanhado de engasgos, pausas respiratórias ou muita sonolência durante o dia pode justificar uma avaliação médica, pois esses sinais também aparecem na apneia do sono.
Nessas situações, colocar fita na boca por conta própria pode mascarar o problema sem tratar sua origem. A avaliação permite verificar se existe obstrução nasal ou algum distúrbio respiratório e escolher uma abordagem adequada para cada caso.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação ou orientação de um profissional de saúde.









