Durante décadas, o índice de massa corporal foi uma das principais referências usadas para classificar a obesidade, mas ele não mostra sozinho quanto de gordura uma pessoa tem nem se esse excesso já está prejudicando sua saúde. Um consenso internacional publicado em 2025 propõe que o diagnóstico vá além do IMC e considere também a quantidade e a distribuição da gordura corporal, alterações em órgãos e tecidos e limitações nas atividades do dia a dia.
O que muda com o novo consenso sobre obesidade?
A proposta foi elaborada por uma comissão internacional com 58 especialistas e publicada on-line em janeiro de 2025 na revista The Lancet Diabetes & Endocrinology. No documento, os pesquisadores definem obesidade como uma condição caracterizada pelo excesso de gordura corporal, que pode ou não apresentar distribuição ou funcionamento anormais do tecido adiposo.
Segundo o consenso sobre definição e diagnóstico da obesidade clínica, o IMC continua tendo utilidade, principalmente para triagem e estudos populacionais. A mudança é que ele não deve ser usado isoladamente para determinar a situação de saúde de uma pessoa.
Por que o IMC não é suficiente sozinho?
O IMC é calculado dividindo o peso pela altura ao quadrado. É uma medida simples e útil, mas não diferencia gordura de músculos nem mostra onde a gordura está acumulada. Isso significa que duas pessoas com o mesmo IMC podem apresentar composições corporais e riscos para a saúde bastante diferentes.
O próprio Tua Saúde explica que o IMC é uma estimativa relacionada ao peso e à altura e não mede diretamente a quantidade de gordura corporal. Pessoas com muita massa muscular, por exemplo, podem apresentar um IMC elevado sem necessariamente terem excesso de gordura.

Como o excesso de gordura passa a ser avaliado?
A comissão recomenda confirmar o excesso de gordura por métodos que meçam diretamente a composição corporal, quando disponíveis, ou pela combinação do IMC com pelo menos uma medida antropométrica validada. Entre as possibilidades estão:
- circunferência da cintura;
- relação cintura-quadril;
- relação cintura-altura;
- medidas diretas de gordura corporal, quando disponíveis.
Para pessoas com IMC acima de 40 kg/m², o documento considera que o excesso de gordura pode ser presumido sem necessidade de outra medida para confirmá-lo. A avaliação da obesidade também pode considerar histórico de saúde, distribuição da gordura corporal e exames, conforme cada caso.
O que são obesidade clínica e pré-clínica?
Outra mudança importante é a divisão proposta entre duas situações. A obesidade clínica ocorre quando o excesso de gordura já está associado a sinais objetivos de alteração no funcionamento de órgãos ou tecidos, ou quando provoca limitações relevantes em atividades cotidianas, como mobilidade, banho, vestir-se ou outras tarefas básicas.
Já a obesidade pré-clínica descreve pessoas com excesso de gordura corporal, mas sem essas alterações funcionais no momento. Isso não significa ausência de risco: o consenso destaca que esse grupo pode apresentar maior probabilidade de desenvolver obesidade clínica e outras condições ao longo do tempo, como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

O diagnóstico muda o acompanhamento de quem tem obesidade?
A proposta busca fazer com que a avaliação considere não apenas um número na balança ou no cálculo do IMC, mas também o impacto real do excesso de gordura sobre o organismo. Pessoas com obesidade clínica devem receber tratamento baseado em evidências para melhorar as alterações já presentes e evitar progressão. Já aquelas com obesidade pré-clínica podem precisar de acompanhamento, orientação de saúde e medidas preventivas de acordo com o risco individual.
O novo consenso não elimina o IMC. Ele continua sendo uma ferramenta prática de triagem, mas deixa de ocupar sozinho o centro do diagnóstico individual. A avaliação deve considerar composição corporal, distribuição de gordura, sintomas, exames e funcionamento dos órgãos, sempre dentro do contexto de cada pessoa.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento da obesidade devem ser individualizados por um profissional de saúde.









