Sentir que o quarto gira por alguns segundos ao virar de lado na cama, deitar, levantar ou mexer rapidamente a cabeça pode ter relação com o ouvido interno. Uma causa comum desse padrão é a vertigem posicional paroxística benigna, conhecida como VPPB, que provoca crises breves e intensas desencadeadas por determinadas posições da cabeça.
Por que virar na cama pode provocar vertigem?
O ouvido interno possui estruturas responsáveis por informar ao cérebro como a cabeça está se movimentando. Na VPPB, pequenas partículas de cálcio chamadas otocônias podem se deslocar para canais onde normalmente não deveriam estar.
Segundo o National Institute on Deafness and Other Communication Disorders, dos NIH, a VPPB provoca episódios breves e intensos de vertigem após mudanças específicas na posição da cabeça, inclusive ao rolar na cama. O movimento dessas partículas dentro dos canais semicirculares faz o sistema de equilíbrio enviar informações inadequadas sobre a posição da cabeça.

Como costuma ser a tontura posicional?
A tontura na cama típica desse quadro é descrita mais como uma sensação de giro do que como simples fraqueza ou sensação de desmaio. Ela costuma surgir logo depois de determinado movimento e durar pouco tempo.
Algumas situações que podem desencadear a crise incluem:
- virar de um lado para o outro na cama;
- deitar ou levantar rapidamente;
- olhar para cima;
- inclinar a cabeça para trás;
- abaixar-se e depois levantar a cabeça.
Náusea e desequilíbrio também podem acompanhar os episódios. É possível conhecer melhor os sintomas da vertigem posicional paroxística benigna, mas a avaliação é necessária para confirmar se realmente essa é a causa.
O que fazer enquanto a causa não é confirmada?
Como uma crise inesperada pode provocar desequilíbrio, alguns cuidados simples ajudam a reduzir o risco de quedas. Ao sair da cama, pode ser útil primeiro sentar-se, permanecer alguns instantes nessa posição e só depois ficar de pé, usando apoio quando necessário.
Também é prudente evitar subir em escadas, dirigir ou realizar tarefas em locais altos quando a vertigem estiver ativa. Movimentos mais cuidadosos não tratam a causa, mas diminuem a possibilidade de acidentes até que o quadro seja investigado.
Existe tratamento para esse tipo de vertigem?
Quando a VPPB é confirmada, profissionais treinados podem utilizar manobras específicas para deslocar as partículas do ouvido interno de volta para uma região onde deixem de provocar vertigem. A escolha da manobra depende do canal afetado e da avaliação clínica.
Por isso, tentar movimentos encontrados na internet sem saber a origem da tontura pode não ser a melhor opção, principalmente em pessoas com problemas no pescoço, coluna, circulação ou outras limitações. Medicamentos também não devem ser iniciados por conta própria apenas para mascarar os episódios.

Quando a tontura precisa de avaliação rápida?
Episódios novos, recorrentes ou que estão ficando mais frequentes merecem investigação, mesmo quando duram apenas alguns segundos. Nem toda vertigem provocada por movimento da cabeça é causada pela VPPB.
Procure atendimento rapidamente se a tontura vier acompanhada de fraqueza ou dormência de um lado do corpo, dificuldade para falar, alteração súbita da visão, confusão, dificuldade importante para caminhar, desmaio ou dor de cabeça muito intensa e diferente do habitual.
Esses sinais podem indicar problemas neurológicos ou outras condições que precisam ser avaliadas sem demora. Quando o padrão é breve e provocado por posições específicas, registrar quais movimentos desencadeiam a crise e quanto tempo ela dura pode fornecer informações úteis durante a consulta.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento orientado por um médico.








