Para quem já convive com ansiedade, exagerar na cafeína pode deixar o organismo ainda mais acelerado. Inquietação, tremores, palpitações, dificuldade para relaxar e piora do sono estão entre os efeitos que podem aparecer ou se intensificar, especialmente em pessoas mais sensíveis ao estimulante. Isso não significa que toda pessoa ansiosa precise eliminar o café, mas a quantidade e o horário de consumo merecem atenção.
Por que a cafeína pode aumentar a sensação de ansiedade?
A cafeína estimula o sistema nervoso central principalmente ao bloquear receptores de adenosina, uma substância envolvida na redução da atividade cerebral e no aumento da sonolência ao longo do dia. Com esse bloqueio, o estado de alerta aumenta, efeito que explica a maior disposição sentida depois de uma xícara de café.
O problema é que esse estímulo também pode produzir sensações físicas semelhantes às da ansiedade, como aceleração dos batimentos, inquietação e tremores. Quem quiser entender melhor onde o estimulante está presente pode consultar os alimentos e bebidas que contêm cafeína, já que o consumo diário não vem apenas do café.
Quais sintomas podem piorar com o excesso?
A resposta varia bastante de uma pessoa para outra. Quantidade ingerida, hábito de consumo, medicamentos e sensibilidade individual influenciam os efeitos. Entre os sinais que podem surgir após uma quantidade maior do que a pessoa tolera estão:
- agitação e dificuldade para relaxar;
- nervosismo e irritabilidade;
- tremores;
- palpitações ou sensação de coração acelerado;
- dificuldade para pegar no sono ou manter o sono;
- dor de cabeça e desconforto gastrointestinal.
Uma análise publicada em 2024 na revista Frontiers in Psychology e disponível no PubMed sobre consumo de cafeína e ansiedade reuniu dados de estudos com pessoas sem transtornos psiquiátricos e encontrou associação entre a ingestão de cafeína e maior intensidade de ansiedade. O efeito foi mais pronunciado nas doses mais altas, especialmente acima de 400 mg.

O sono também pode entrar nesse ciclo?
Sim. A cafeína pode permanecer ativa no organismo por várias horas, fazendo com que o consumo no fim do dia dificulte o início do sono ou reduza sua qualidade. Dormir mal, por sua vez, pode favorecer irritabilidade, cansaço e maior dificuldade para lidar com situações estressantes no dia seguinte.
Por isso, para quem percebe piora do sono, não basta observar apenas quanto café toma, mas também o horário. Pessoas muito sensíveis podem se beneficiar de reduzir bebidas cafeinadas no período da tarde ou substituí-las parcialmente por opções com menos estimulante, como o café descafeinado.
Quanto de cafeína é considerado seguro por dia?
Para a maioria dos adultos saudáveis, a FDA considera 400 mg de cafeína por dia uma quantidade que geralmente não está associada a efeitos negativos. Entretanto, esse valor não deve ser interpretado como uma meta nem como uma quantidade necessariamente bem tolerada por quem tem ansiedade.
Algumas pessoas apresentam agitação, palpitações ou dificuldade para dormir com doses bem menores. Também é importante somar todas as fontes do dia, incluindo café, chá preto, chá verde, mate, refrigerantes tipo cola, energéticos, suplementos e alguns medicamentos.

O que fazer quando a cafeína parece piorar a ansiedade?
Observar a relação entre o consumo e os sintomas pode ajudar a identificar a própria tolerância. Em vez de interromper grandes quantidades de cafeína de uma vez, geralmente é mais confortável diminuir aos poucos, pois a retirada abrupta em consumidores habituais pode provocar dor de cabeça, sonolência, fadiga e irritabilidade.
Se palpitações, crises de ansiedade, insônia ou outros sintomas forem frequentes, intensos ou estiverem interferindo na rotina, é importante conversar com um médico ou outro profissional de saúde. O conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica individualizada.








