Entre as gorduras usadas na alimentação, o azeite de oliva extravirgem é uma das opções com melhor respaldo para a saúde cardiovascular, principalmente quando faz parte de um padrão alimentar semelhante à dieta mediterrânea. Um grande ensaio clínico encontrou menos eventos cardiovasculares entre pessoas de alto risco que seguiram essa alimentação enriquecida com azeite extravirgem. Isso não significa, porém, que apenas adicionar azeite às refeições seja suficiente para prevenir infarto ou AVC.
Por que o azeite extravirgem se destaca para o coração?
O azeite extravirgem é rico principalmente em ácido oleico, uma gordura monoinsaturada, e conserva compostos fenólicos com propriedades antioxidantes. Por passar por menos processamento que versões refinadas, mantém uma quantidade maior desses componentes naturais da azeitona.
Quando utilizado no lugar de fontes com grande quantidade de gordura saturada, ele pode contribuir para um padrão alimentar mais favorável ao controle do colesterol e à saúde dos vasos. O Tua Saúde explica outros efeitos e diferenças entre os tipos no conteúdo sobre os benefícios do azeite e suas formas de consumo.
O que o estudo PREDIMED encontrou?
O PREDIMED acompanhou 7.447 adultos de 55 a 80 anos com alto risco cardiovascular, mas que não tinham doença cardiovascular no início do estudo. Os participantes foram orientados a seguir uma dieta mediterrânea enriquecida com azeite extravirgem, uma dieta mediterrânea com castanhas ou uma dieta-controle com orientação para reduzir gorduras.
Na versão corrigida e republicada do ensaio no New England Journal of Medicine, o grupo da dieta mediterrânea com azeite extravirgem apresentou risco relativo cerca de 31% menor para o conjunto formado por infarto, AVC ou morte cardiovascular em comparação com o grupo-controle, após acompanhamento mediano de 4,8 anos. O resultado e as limitações metodológicas do estudo podem ser consultados no ensaio PREDIMED disponível no PubMed.

Isso quer dizer que tomar azeite evita infarto e AVC?
Não. O estudo avaliou uma dieta mediterrânea completa suplementada com azeite extravirgem, e não o azeite consumido isoladamente como se fosse um medicamento. Esse padrão alimentar também incluía vegetais, frutas, leguminosas, cereais integrais, peixes e oleaginosas, enquanto restringia alimentos menos favoráveis à saúde cardiovascular.
Por isso, não é correto interpretar a redução de aproximadamente 30% como uma garantia individual nem atribuir todo o resultado exclusivamente ao azeite. A dieta mediterrânea funciona como um conjunto de escolhas alimentares, e seus efeitos dependem também de fatores como atividade física, tabagismo, pressão arterial, colesterol, diabetes e uso adequado dos medicamentos prescritos.
Como usar azeite extravirgem no dia a dia?
Não é necessário tomar azeite puro. Ele pode substituir outras gorduras em diferentes refeições e ser incluído de maneira simples na alimentação. Algumas possibilidades são:
- temperar saladas, legumes e verduras;
- finalizar feijão, sopas e outros pratos prontos;
- usar em molhos caseiros e pastas;
- regar legumes antes de assar;
- utilizar em preparações culinárias no lugar de gorduras mais ricas em gordura saturada.
Apesar de ser uma gordura de boa qualidade, o azeite é calórico. Assim, acrescentar grandes quantidades às refeições sem substituir outras fontes de gordura pode aumentar bastante o valor energético da dieta.

O tipo do azeite faz diferença?
Para reproduzir mais de perto o padrão estudado no PREDIMED, a escolha é o azeite de oliva extravirgem. Ele é obtido por processos mecânicos e não passa pelo mesmo refinamento aplicado a alguns outros tipos de azeite, preservando melhor compostos fenólicos naturalmente presentes na azeitona.
Na prática, ele pode ser uma escolha saudável para substituir manteiga, banha e outras fontes de gordura saturada em parte das refeições. Entretanto, prevenção cardiovascular não depende de um único alimento. Pessoas com colesterol alto, hipertensão, diabetes ou doença cardiovascular devem manter o tratamento e o acompanhamento indicados pelo médico.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica ou orientação individualizada de um nutricionista.








