Esquecer compromissos, perder o fio de uma conversa ou ter dificuldade para se concentrar nem sempre significa um problema de memória propriamente dito. Quando esses lapsos aparecem junto com ronco alto, pausas na respiração, engasgos durante o sono ou cansaço ao acordar, vale considerar se a qualidade do sono está sendo prejudicada por um distúrbio como a apneia.
O que o ronco pode ter a ver com a memória?
Na apneia obstrutiva do sono, a passagem de ar fica repetidamente estreita ou bloqueada enquanto a pessoa dorme. Isso pode interromper o descanso diversas vezes e reduzir sua qualidade, mesmo quando a pessoa não se lembra de ter acordado durante a madrugada.
Segundo o National Heart, Lung, and Blood Institute, dos NIH, a apneia não tratada pode prejudicar o descanso e estar associada a dificuldades para se concentrar, lembrar informações e tomar decisões. A instituição também aponta que sonolência e cansaço durante o dia podem causar problemas de aprendizado, foco e tempo de reação.
Por isso, a combinação entre ronco e memória merece atenção principalmente quando a pessoa também percebe que acorda cansada ou que seu rendimento durante o dia caiu.

Quais sinais aumentam a suspeita de apneia?
Roncar isoladamente não significa necessariamente ter apneia do sono. A investigação se torna mais importante quando o ronco é frequente e aparece junto com outros sinais, como:
- pausas na respiração observadas por outra pessoa;
- engasgos ou sensação de sufocamento durante o sono;
- sono pouco reparador;
- despertares frequentes durante a madrugada;
- sonolência ou cansaço excessivo durante o dia;
- dificuldade persistente para manter a atenção;
- queda no desempenho no trabalho ou nos estudos.
Esses sintomas também são descritos entre as manifestações da apneia do sono. Em muitos casos, quem percebe primeiro o ronco intenso e as pausas respiratórias é a pessoa que dorme no mesmo ambiente.
Organizar o sono pode ajudar na concentração?
Manter horários relativamente regulares para dormir e acordar ajuda o organismo a estabelecer uma rotina de descanso. Também é importante reservar tempo suficiente para dormir, porque poucas horas de sono, mesmo sem apneia, podem causar cansaço, dificuldade de concentração e falhas de memória no dia seguinte.
Evitar álcool próximo ao horário de deitar também pode ser útil. A bebida pode relaxar ainda mais os tecidos da garganta e favorecer a piora do ronco e das obstruções respiratórias em algumas pessoas. Essas medidas podem melhorar o descanso, mas não substituem a investigação quando existem sinais compatíveis com apneia.

Quando o esquecimento deve ser avaliado?
Lapsos ocasionais podem acontecer com qualquer pessoa, especialmente em períodos de estresse, privação de sono ou rotina intensa. No entanto, é recomendável procurar avaliação médica quando o esquecimento ou a dificuldade para se concentrar persiste e aparece junto com ronco forte, engasgos, pausas respiratórias ou sonolência importante durante o dia.
O médico pode avaliar os sintomas, hábitos de sono, medicamentos e outras possíveis causas para as alterações cognitivas. Quando existe suspeita de apneia, pode ser necessário realizar um exame do sono, como a polissonografia ou outro teste indicado de acordo com o caso.
Também é importante procurar atendimento quando alterações de memória surgem de forma súbita, pioram rapidamente ou vêm acompanhadas de confusão, dificuldade para falar, fraqueza em um lado do corpo ou outras alterações neurológicas.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento orientado por um médico.








