A enxaqueca vai além de uma dor de cabeça intensa. Trata-se de um distúrbio neurológico que provoca crises recorrentes e pode envolver náusea, vômitos, sensibilidade à luz e aos sons e, em algumas pessoas, alterações visuais ou sensitivas. É o conjunto dos sintomas, a duração e o padrão das crises que ajuda a diferenciá-la de outras dores de cabeça.
Como é uma crise de enxaqueca?
A dor costuma ter intensidade moderada a forte e frequentemente é descrita como pulsátil ou latejante. Pode atingir apenas um lado da cabeça, embora isso não aconteça obrigatoriamente em todas as crises. Atividades comuns, como caminhar ou subir escadas, também podem aumentar o desconforto.
De acordo com os critérios da Classificação Internacional das Cefaleias, uma crise de enxaqueca sem aura não tratada ou tratada sem sucesso pode durar de 4 a 72 horas. Náusea, vômitos, fotofobia e fonofobia estão entre as características consideradas na identificação do quadro. O Tua Saúde detalha outros sintomas e tipos de enxaqueca.
Por que luz, sons e náusea fazem parte do quadro?
Esses sintomas mostram por que a enxaqueca não deve ser entendida apenas como uma dor mais intensa. Durante a crise, diferentes circuitos do sistema nervoso envolvidos no processamento da dor e de estímulos sensoriais podem ficar alterados. Por isso, iluminação que normalmente seria tolerável pode incomodar muito, assim como ruídos cotidianos podem parecer excessivos.
Uma revisão publicada em 2026 e disponível no PubMed descreve a relação da fotofobia com interações complexas entre as vias visuais e as vias responsáveis pelo processamento da dor. Isso ajuda a explicar por que buscar um ambiente escuro e silencioso durante uma crise é tão comum entre pessoas com enxaqueca.

Quais sinais ajudam a reconhecer a enxaqueca?
Nem todas as pessoas apresentam exatamente o mesmo conjunto de sintomas. Ainda assim, alguns padrões são especialmente característicos:
- dor pulsátil ou latejante, geralmente moderada a intensa;
- dor que pode predominar em um dos lados da cabeça;
- piora com atividade física habitual ou movimentos;
- náusea e, em alguns casos, vômitos;
- incômodo importante com luz e sons;
- crises que se repetem com características semelhantes ao longo do tempo.
Esses elementos ajudam na avaliação, mas não devem ser usados isoladamente para fazer um diagnóstico em casa. Existem diversos tipos de dor de cabeça, e alguns podem compartilhar características com a enxaqueca.
Toda enxaqueca provoca aura?
Não. A aura ocorre apenas em parte das pessoas e consiste em sintomas neurológicos transitórios que podem aparecer antes ou durante a crise. Alterações visuais, como pontos luminosos, linhas ou áreas de visão alterada, estão entre as manifestações possíveis. Algumas pessoas também podem apresentar formigamento ou alterações sensitivas.
É possível ter enxaqueca durante anos sem nunca apresentar aura. Da mesma forma, uma dor não precisa atingir somente um lado da cabeça para ser considerada enxaqueca. O diagnóstico considera o conjunto e a recorrência das características, e não apenas um sintoma específico.

Quando uma dor de cabeça precisa de avaliação?
Crises recorrentes, dores que prejudicam atividades rotineiras ou necessidade frequente de analgésicos justificam uma avaliação médica, especialmente quando ainda não existe diagnóstico. Um registro com duração, localização da dor, sintomas associados e possíveis gatilhos também pode ajudar o médico a reconhecer o padrão.
A avaliação deve ser mais rápida quando a dor surge subitamente e com intensidade muito diferente do habitual ou aparece acompanhada de sinais como confusão, desmaio, febre com rigidez no pescoço, fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar ou alterações neurológicas novas. Uma mudança importante no padrão de uma dor já conhecida também merece investigação.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um médico, especialmente diante de dores de cabeça novas, frequentes, intensas ou acompanhadas de sinais neurológicos.








