Em quem tem diabetes, uma alteração aparentemente pequena no pé pode evoluir mais rápido do que o esperado, principalmente quando existe perda de sensibilidade ou circulação prejudicada. Ferida que não cicatriza, vermelhidão com calor, inchaço e presença de secreção ou mau cheiro são sinais que justificam avaliação médica no mesmo dia. A ausência de dor não torna o problema menos importante, porque a neuropatia diabética pode fazer uma infecção avançar quase sem desconforto.
Quais são os quatro sinais que não devem ser ignorados?
Feridas nos pés de pessoas com diabetes precisam de atenção especial porque infecção, neuropatia e problemas de circulação podem ocorrer ao mesmo tempo. Alguns sinais indicam que não é adequado apenas observar em casa para ver se haverá melhora.
Procure atendimento no mesmo dia se perceber:
- ferida que não cicatriza ou que está aumentando, aprofundando ou apresentando tecido escurecido;
- vermelhidão acompanhada de calor ao redor de uma ferida ou em uma região do pé;
- inchaço novo ou crescente, especialmente quando atinge apenas um dos pés ou aparece próximo a uma lesão;
- secreção, pus ou mau cheiro, que podem indicar infecção.
As diretrizes internacionais para infecções relacionadas ao pé diabético, disponíveis no PubMed, recomendam que a presença de sinais locais ou sistêmicos de inflamação seja usada para identificar clinicamente uma possível infecção e ressaltam que quadros moderados ou graves podem exigir tratamento rápido.
Por que uma infecção pode avançar mesmo sem doer?
O diabetes pode lesar os nervos periféricos e diminuir a capacidade de perceber dor, pressão, calor e frio. Essa complicação é chamada de neuropatia diabética. Assim, uma bolha, rachadura ou pequeno corte pode permanecer em contato com o calçado e piorar sem que a pessoa perceba.
Por isso, usar a dor como único sinal de gravidade pode ser enganoso. Uma pessoa pode ter uma ferida significativa ou uma infecção em desenvolvimento e sentir pouco desconforto justamente porque a sensibilidade do pé está reduzida.

Por que a cicatrização também pode ser mais difícil?
Além dos nervos, o diabetes pode afetar os vasos sanguíneos. Quando existe doença arterial periférica, menos sangue pode chegar aos tecidos dos pés, reduzindo a oferta de oxigênio e nutrientes necessários para a cicatrização. A combinação de má circulação, perda de sensibilidade e uma ferida aberta aumenta o risco de complicações.
O controle inadequado da glicose também pode prejudicar a resposta do organismo às infecções. Por isso, uma ferida no pé de alguém com diabetes merece mais atenção do que um machucado semelhante em uma pessoa sem esses fatores de risco.
O que observar nos pés todos os dias?
A inspeção diária é especialmente importante para quem já apresenta redução da sensibilidade. As recomendações internacionais de prevenção do pé diabético destacam a importância de identificar precocemente alterações que possam anteceder úlceras e outras complicações.
Ao examinar os pés, vale procurar:
- cortes, bolhas e rachaduras;
- vermelhidão ou mudanças na cor da pele;
- áreas mais quentes ou inchadas;
- calos com sangue ou lesões por baixo deles;
- feridas entre os dedos ou na planta dos pés;
- secreção, odor diferente ou tecido escurecido.
Quem tem dificuldade para enxergar a planta dos pés pode usar um espelho ou pedir ajuda a outra pessoa. Também é importante observar o interior dos calçados antes de colocá-los, verificando se há objetos, costuras ou áreas capazes de machucar a pele.

Quando a situação exige atendimento ainda mais urgente?
Febre, calafrios, vermelhidão que se espalha rapidamente, escurecimento do tecido, dor intensa inesperada, confusão, fraqueza importante ou sinais de circulação muito reduzida exigem avaliação urgente. Diretrizes sobre pé diabético alertam que infecções profundas ou associadas a gangrena e comprometimento importante da circulação podem precisar de abordagem especializada rápida.
Não é recomendado furar bolhas, cortar calos profundamente, aplicar produtos irritantes ou iniciar antibióticos por conta própria. Quanto mais cedo uma alteração do pé diabético é avaliada, maior a chance de impedir que uma pequena lesão evolua para uma complicação maior. Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico.









