A terapia hormonal da menopausa pode ser uma opção eficaz para aliviar ondas de calor e outros sintomas, mas o momento em que ela é iniciada faz diferença na avaliação de benefícios e riscos. Começar o tratamento durante a transição menopausal ou nos primeiros anos após a menopausa não é o mesmo que iniciá-lo muitos anos depois. Idade, tempo desde a última menstruação, histórico cardiovascular e outras condições de saúde precisam ser considerados individualmente.
O que a nova análise do estudo SWAN encontrou?
O estudo Menopausal Hormone Therapy and Cardiovascular Risk in Midlife Women With Vasomotor Symptoms, publicado em setembro de 2026 na JAMA Internal Medicine, analisou dados de 2.737 mulheres com ondas de calor ou suor noturno acompanhadas no estudo SWAN durante até 20 anos.
Entre elas, 755 iniciaram terapia hormonal. Na análise geral, o início do tratamento esteve associado a risco 22% menor de eventos cardiovasculares. A associação foi mais favorável entre as mulheres que começaram a terapia até dez anos após o início da menopausa. No grupo que iniciou depois desse intervalo, não houve evidência clara de proteção cardiovascular.
Por que o tempo desde a menopausa pode fazer diferença?
Com o avanço da idade, também aumentam alterações nos vasos sanguíneos e a frequência de fatores como pressão alta, colesterol elevado e diabetes. Por isso, o perfil cardiovascular de uma mulher no começo do climatério pode ser bastante diferente daquele encontrado dez ou 15 anos depois.
Essa ideia é conhecida como hipótese do momento de início da terapia hormonal. Ela ajuda a explicar por que os efeitos observados em mulheres mais jovens e próximas da menopausa não devem ser automaticamente aplicados a quem começa o tratamento em idade mais avançada.

O que precisa entrar na avaliação antes de começar?
A decisão não depende apenas da idade. O médico precisa considerar diferentes características antes de indicar a terapia de reposição hormonal.
- Idade e tempo desde a menopausa, que influenciam a relação entre benefícios e riscos.
- Intensidade dos sintomas, como ondas de calor e suor noturno que prejudicam sono e qualidade de vida.
- Histórico cardiovascular, incluindo infarto, AVC, pressão alta e fatores de risco associados.
- Risco de trombose, que pode variar conforme características pessoais e a forma de administração dos hormônios.
- Histórico de cânceres hormônio-dependentes, que pode contraindicar determinados tratamentos.
- Presença ou ausência do útero, porque isso interfere na escolha do esquema hormonal.
A terapia hormonal pode ser usada para prevenir infarto?
Não. Apesar da associação cardiovascular observada no SWAN, os próprios pesquisadores ressaltam que os resultados não devem ser usados para recomendar terapia hormonal com o objetivo de prevenir doenças cardiovasculares.
- O SWAN é um estudo observacional, mesmo tendo sido analisado com métodos que tentam reproduzir características de um ensaio clínico.
- Fatores não medidos podem ter influenciado quais mulheres receberam terapia hormonal e seus resultados posteriores.
- Estudos anteriores não mostraram benefício cardiovascular consistente em todas as populações.
- A decisão deve considerar simultaneamente possíveis benefícios e riscos, e não apenas o risco de infarto.
- A principal indicação da terapia sistêmica continua relacionada ao tratamento de sintomas da menopausa em mulheres adequadamente selecionadas.
Assim, o resultado não significa que toda mulher deva começar hormônios cedo para proteger o coração. Também não significa que mulheres que já passaram muitos anos da menopausa estejam automaticamente proibidas de qualquer tratamento hormonal.
Para entender melhor quando a reposição hormonal pode ser utilizada e quais fatores precisam ser avaliados, veja a explicação sobre menopausa e suas opções de tratamento.
E quem pensa em começar a reposição anos depois?
Nesse caso, a avaliação individual se torna especialmente importante. O risco de doença cardiovascular, trombose, AVC e outras condições tende a mudar com a idade, e o tipo de hormônio, a dose e a via de administração também podem modificar o perfil de segurança. Algumas formas administradas pela pele, por exemplo, podem apresentar diferenças de risco em relação aos comprimidos em determinadas situações.
Por isso, sintomas que persistem anos depois da menopausa não devem levar ao início de hormônios por conta própria nem à conclusão de que o tratamento está necessariamente contraindicado. Mulheres com ondas de calor importantes, alterações do sono ou outros sintomas persistentes devem procurar ginecologista para revisar o tempo desde a menopausa, histórico pessoal e familiar, medicamentos em uso e riscos cardiovasculares antes de decidir pelo tratamento.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação médica profissional.








