Envelhecer traz mudanças naturais na audição, mas atribuir toda perda auditiva à idade esconde uma causa muito mais frequente entre jovens e adultos: o volume alto do fone de ouvido. O som intenso e prolongado destrói células sensoriais no ouvido interno, chamadas células ciliadas, e essas células não se regeneram. Ou seja, cada exposição excessiva deixa uma marca que se acumula ao longo dos anos e aparece, muitas vezes, décadas depois na forma de dificuldade para escutar.
Por que o som alto danifica o ouvido interno?
No fundo do ouvido existe uma estrutura chamada cóclea, revestida por milhares de células ciliadas que transformam vibrações sonoras em sinais elétricos enviados ao cérebro. Volumes muito altos fazem essas células vibrarem além do que suportam.
Com o tempo, elas se desgastam e morrem. Como o corpo humano não produz novas células ciliadas, a lesão é permanente e progressiva, o que pode levar à perda auditiva mesmo em pessoas jovens.
Quais são os sinais precoces do dano auditivo?
Antes da perda evidente da audição, o ouvido costuma dar avisos que a maioria das pessoas ignora por parecerem passageiros.
O mais comum é o zumbido no ouvido depois de shows, festas, aulas de spinning ou treinos com música alta. Sensação de ouvido tampado, sons abafados por algumas horas e dificuldade para entender conversas em ambientes barulhentos também indicam que as células ciliadas foram sobrecarregadas, quadro que pode se somar a episódios de hipoacusia.

Qual é a regra prática de volume e tempo de uso?
Órgãos de saúde recomendam limites claros que ajudam a proteger a audição sem abrir mão da música no dia a dia.
- Regra 60/60, ou seja, no máximo 60 por cento do volume por até 60 minutos seguidos.
- Faça pausas de alguns minutos a cada hora de uso do fone.
- Prefira fones com cancelamento de ruído, para não precisar elevar o volume em ambientes barulhentos.
- Use protetores auriculares em shows, boates, treinos e eventos esportivos.
- Mantenha distância das caixas de som, principalmente em festas fechadas.
- Diminua o volume da televisão e do rádio em casa, evitando exposição contínua sem perceber.
Como uma revisão científica mostra o risco entre jovens?
A ideia de que fones e shows podem provocar perda auditiva deixou o campo do senso comum quando pesquisadores reuniram estudos de diferentes países em uma mesma análise. Segundo a revisão Prevalence and global estimates of unsafe listening practices in adolescents and young adults, revisão sistemática com meta-análise revisada por pares e publicada na revista científica BMJ Global Health, mais de um bilhão de jovens entre 12 e 34 anos estão em risco de perda auditiva por hábitos considerados inseguros.
Os autores identificaram que cerca de 24 por cento usam dispositivos pessoais em volumes prejudiciais e 48 por cento se expõem a níveis sonoros perigosos em locais de entretenimento, o que reforça a necessidade de mudança de hábitos ainda na juventude.

Quando procurar avaliação profissional?
Alguns sinais indicam que a audição já foi afetada e merecem investigação em vez de espera, sobretudo diante de queixas que se assemelham a quadros de surdez súbita.
- Zumbido que dura mais de 24 horas após exposição ao som alto.
- Dificuldade para entender conversas em ambientes com ruído de fundo.
- Necessidade de aumentar o volume da televisão ou do celular além do habitual.
- Sensação de ouvido tampado que se repete ao longo das semanas.
- Trabalho em ambiente ruidoso, situação em que a avaliação periódica é indicada.
- Procure um otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo para exame de audiometria e orientação individualizada.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado.









