Consumir azeite de oliva extravirgem diariamente é uma das recomendações mais consistentes da cardiologia moderna, especialmente para pessoas com risco cardiovascular aumentado. Rico em polifenóis e ácido oleico, esse alimento atua diretamente sobre processos inflamatórios que danificam as artérias e favorecem o desenvolvimento de infarto e derrame. Pesquisas com dieta mediterrânea vêm mostrando redução de marcadores inflamatórios como a proteína C reativa quando o consumo diário chega a cerca de duas colheres de sopa do produto extravirgem, e entender esses achados ajuda a incorporar o hábito de forma consciente.
Por que a inflamação é importante para o coração?
A inflamação crônica de baixa intensidade participa ativamente do desenvolvimento da aterosclerose, condição em que placas de gordura se acumulam nas paredes das artérias e comprometem o fluxo sanguíneo. Esse processo aumenta o risco de infarto, acidente vascular cerebral e outras doenças cardiovasculares.
Marcadores como a proteína C reativa, a interleucina-6 e o fator de necrose tumoral alfa refletem o grau dessa inflamação silenciosa e são usados por cardiologistas para avaliar o risco cardiovascular além do colesterol.
O que o azeite extravirgem tem de diferente?
O azeite extravirgem é obtido por prensagem a frio das azeitonas e preserva compostos bioativos que se perdem nos azeites refinados. O ácido oleico, uma gordura monoinsaturada, representa a maior parte da sua composição e contribui para melhorar o perfil do colesterol.
Além disso, o azeite extravirgem contém polifenóis como o oleocanthal, o hidroxitirosol e a oleuropeína, substâncias com potente ação antioxidante e anti-inflamatória que atuam diretamente sobre o revestimento interno dos vasos sanguíneos.

O que um estudo científico recente revelou?
O maior conjunto de evidências sobre o azeite extravirgem e a saúde cardiovascular vem do ensaio PREDIMED, conduzido na Espanha com participantes de alto risco cardiovascular. Segundo o estudo Extra-virgin olive oil and additional cardiovascular outcomes in the PREDIMED Trial, publicado no American Heart Journal em 2025, participantes com maior consumo cumulativo de azeite extravirgem tiveram redução de 25% no risco de eventos cardiovasculares graves, incluindo infarto, derrame e insuficiência cardíaca.
Os autores destacam que o azeite comum, sem os polifenóis do extravirgem, não apresentou o mesmo efeito protetor, reforçando o papel desses compostos na modulação da inflamação e na proteção das artérias observada em pessoas de alto risco cardiovascular.
Quanto azeite consumir por dia e como usar?
Adotar o azeite extravirgem na rotina exige alguns cuidados para garantir que os compostos bioativos sejam preservados. Confira as recomendações mais estudadas:
- Quantidade diária: as pesquisas com dieta mediterrânea utilizaram cerca de duas colheres de sopa por dia, o equivalente a 20 a 30 mL.
- Preferência pelo uso cru: regar saladas, sopas, legumes cozidos e peixes preserva melhor os polifenóis do azeite.
- Substituição de outras gorduras: troque manteiga, margarina e óleos refinados pelo azeite, sem simplesmente adicioná-lo à dieta habitual.
- Escolha do produto: prefira azeite extravirgem com acidez igual ou inferior a 0,8% e embalagem de vidro escuro.
- Combinação alimentar: os benefícios são potencializados quando o azeite integra um padrão alimentar rico em frutas, verduras, grãos integrais e peixes.

Quem deve ter atenção especial ao incluir o azeite na rotina?
Apesar dos benefícios comprovados, algumas orientações práticas ajudam a incluir o azeite de forma segura, principalmente para quem já tem fatores de risco cardiovascular. Veja pontos importantes a considerar:
- O azeite é calórico, com cerca de 120 calorias por colher de sopa, e deve entrar em substituição a outras gorduras da dieta.
- Pessoas com colesterol alto se beneficiam mais quando o azeite compõe uma alimentação equilibrada, associada a outros alimentos que ajudam a baixar o colesterol.
- Quem faz uso de medicamentos para o coração deve manter o tratamento prescrito, já que a alimentação complementa, mas não substitui a medicação.
- Fatores como sedentarismo, tabagismo, estresse e sobrepeso continuam pesando no risco cardiovascular, mesmo com boa alimentação.
- Diabéticos, hipertensos e pessoas com histórico familiar de doença cardíaca devem alinhar o consumo com um profissional da saúde.
O azeite extravirgem é um aliado importante, mas a proteção do coração depende de um conjunto amplo de hábitos. Para orientações individualizadas sobre a quantidade adequada ao seu perfil, avaliação de risco cardiovascular e ajustes no tratamento do colesterol ou de outras condições associadas, procure sempre um médico cardiologista ou nutricionista qualificado.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado.









