A sensação de ouvido cheio pode parecer apenas consequência de cera, mudança de pressão ou congestão, mas ganha outro significado quando aparece junto com zumbido, crises de vertigem e alteração da audição. Essa combinação é característica da doença de Ménière, um distúrbio do ouvido interno que afeta simultaneamente o equilíbrio e a audição. Observar como os sintomas surgem e quanto tempo duram ajuda a diferenciá-la de outras causas comuns de tontura.
Por que Ménière causa ouvido cheio, zumbido e vertigem?
A doença de Ménière está associada a alterações na quantidade e na pressão do líquido presente no ouvido interno, região onde ficam estruturas responsáveis tanto pela audição quanto pelo equilíbrio. Esse mecanismo ajuda a explicar por que sintomas auditivos e vestibulares aparecem em conjunto.
Durante as crises, a pessoa pode perceber pressão ou plenitude em um dos ouvidos, zumbido no ouvido, redução ou oscilação da audição e sensação intensa de que o ambiente está girando. No início da doença, esses sintomas podem desaparecer ou melhorar entre os episódios, o que pode atrasar a investigação.
Como são as crises da doença de Ménière?
A vertigem de Ménière tende a surgir espontaneamente e em episódios bem delimitados. Pelos critérios internacionais usados para a doença definida, são esperadas pelo menos duas crises de vertigem com duração entre 20 minutos e 12 horas, acompanhadas de perda auditiva neurossensorial documentada e sintomas auditivos flutuantes no ouvido afetado.
Náusea, vômito, desequilíbrio e dificuldade para realizar atividades durante a crise também podem ocorrer. A perda auditiva frequentemente começa afetando determinadas frequências e pode oscilar ao longo do tempo. Com a progressão da doença, porém, parte da alteração auditiva pode se tornar persistente.

Quais sinais aumentam a suspeita de Ménière?
A combinação e o padrão dos sintomas são mais importantes do que analisar cada queixa isoladamente:
- Vertigem episódica: sensação de rotação que surge em crises e pode durar de 20 minutos a várias horas.
- Plenitude no ouvido: sensação de pressão, peso ou ouvido tampado, geralmente percebida no lado afetado.
- Zumbido: chiado, apito ou outro som sem fonte externa que pode se intensificar antes ou durante as crises.
- Audição flutuante: redução da capacidade auditiva que pode piorar durante os episódios e melhorar parcialmente depois.
- Sintomas recorrentes: os episódios tendem a voltar ao longo do tempo, em vez de ocorrer uma única vez.
Como diferenciar Ménière de VPPB e outras tonturas?
O tempo de duração, os gatilhos e a presença de alterações auditivas oferecem pistas importantes para diferenciar as causas:
- Doença de Ménière: provoca crises mais prolongadas de vertigem, geralmente acompanhadas de zumbido, plenitude e alteração auditiva.
- VPPB: costuma causar vertigem breve ao virar na cama, levantar, abaixar ou movimentar a cabeça, sem perda auditiva como característica principal.
- Labirintite: é uma inflamação do labirinto, muitas vezes relacionada a infecções, e não deve ser usada como nome genérico para qualquer tontura. Saiba mais sobre labirintite.
- Enxaqueca vestibular: pode produzir vertigem recorrente com ou sem dor de cabeça e, em alguns casos, sintomas auditivos, exigindo avaliação cuidadosa.
- Causas neurológicas ou circulatórias: devem ser consideradas especialmente quando surgem visão dupla, alteração da fala, fraqueza, dormência ou dificuldade intensa para caminhar.

Como um estudo reforça os sinais da doença de Ménière?
Segundo o estudo Early and certain Ménière’s disease characterization of predictors of endolymphatic hydrops, publicado na revista científica Frontiers in Neurology em 2025, a doença de Ménière envolve um conjunto de manifestações auditivas e vestibulares, incluindo perda auditiva neurossensorial flutuante, zumbido, plenitude no ouvido e episódios recorrentes de vertigem. O trabalho avaliou características clínicas e alterações do ouvido interno observadas por exames de imagem.
Esses achados reforçam que uma sensação isolada de ouvido cheio não confirma Ménière. A suspeita aumenta quando ela se repete no mesmo ouvido e acompanha vertigem episódica, zumbido e alteração auditiva. A avaliação costuma envolver história clínica e audiometria, além de outros exames quando necessários. Perda auditiva súbita, sintomas neurológicos ou crises de vertigem recorrentes exigem avaliação médica, preferencialmente com otorrinolaringologista.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico profissional.









