O azeite de oliva extravirgem é uma das principais fontes de gordura da dieta mediterrânea e contém compostos bioativos chamados polifenóis. Estudos relacionam esses compostos a efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios que podem contribuir para a proteção dos vasos sanguíneos. Ainda assim, o benefício cardiovascular não deve ser atribuído ao azeite isoladamente: ele aparece principalmente quando faz parte de um padrão alimentar equilibrado, rico em vegetais, frutas, leguminosas, cereais integrais, peixes e oleaginosas.
O que são os polifenóis presentes no azeite?
Polifenóis são substâncias produzidas naturalmente pelas plantas. No azeite extravirgem, aparecem compostos como hidroxitirosol, tirosol e oleuropeína, cuja quantidade varia conforme a variedade da azeitona, condições de cultivo, processamento e armazenamento.
O azeite extravirgem costuma preservar mais desses compostos porque é obtido por processos mecânicos e passa por menos etapas de refino. Além dos polifenóis, ele é rico em ácido oleico, uma gordura monoinsaturada que também participa do perfil nutricional associado ao padrão mediterrâneo.
Como os polifenóis podem proteger o coração?
Uma das ações mais estudadas é a capacidade antioxidante. Os polifenóis podem ajudar a reduzir processos de oxidação de lipídios, incluindo partículas de LDL, e participar de mecanismos relacionados à função dos vasos sanguíneos. Eles também apresentam efeitos sobre vias envolvidas na resposta inflamatória.
Isso não significa que o azeite funcione como um medicamento anti-inflamatório. Os efeitos observados são parte de uma combinação de mecanismos e hábitos alimentares. Em um subestudo do ensaio PREDIMED, uma alimentação mediterrânea com maior ingestão de polifenóis foi associada a mudanças favoráveis na pressão arterial e na disponibilidade de óxido nítrico, molécula importante para o relaxamento dos vasos.

O que os estudos sobre dieta mediterrânea encontraram?
Um dos trabalhos mais conhecidos é o ensaio clínico PREDIMED sobre dieta mediterrânea e prevenção cardiovascular. O estudo acompanhou 7.447 adultos com alto risco cardiovascular e comparou uma dieta mediterrânea suplementada com azeite extravirgem, outra suplementada com oleaginosas e uma orientação alimentar com redução de gorduras.
Após acompanhamento mediano de 4,8 anos, os grupos orientados a seguir a dieta mediterrânea apresentaram menor ocorrência de eventos cardiovasculares importantes, como infarto, AVC e morte cardiovascular. Entretanto, o estudo avaliou um padrão alimentar completo, e não os polifenóis do azeite de forma isolada. Por isso, não é correto concluir que apenas acrescentar azeite à alimentação produzirá o mesmo efeito.
Por que o restante da alimentação é tão importante?
A própria Sociedade Brasileira de Cardiologia inclui a dieta mediterrânea entre os padrões alimentares estudados para proteção cardiovascular. A Diretriz de Prevenção Cardiovascular da SBC descreve esse padrão pela presença de frutas, legumes, leguminosas, cereais, peixes e azeite, mostrando que nenhum desses alimentos atua sozinho.
Na prática, faz mais sentido usar o azeite como parte de uma alimentação que também priorize:
- verduras e legumes variados;
- frutas inteiras;
- feijão, lentilha, grão-de-bico e outras leguminosas;
- cereais integrais;
- peixes e outras fontes adequadas de proteína;
- castanhas e sementes em quantidades apropriadas;
- menor presença de alimentos ultraprocessados.
Esse contexto ajuda a entender por que a dieta mediterrânea é estudada como um padrão alimentar, e não como uma lista de ingredientes com efeitos independentes.

É preciso consumir muito azeite para obter benefícios?
Não há necessidade de aumentar o consumo de forma indiscriminada. Apesar de possuir uma composição nutricional interessante, o azeite é uma gordura e fornece quantidade significativa de calorias. O ideal é utilizá-lo em substituição a fontes menos interessantes de gordura dentro de uma alimentação equilibrada, e não simplesmente adicioná-lo em grandes quantidades às refeições.
Também não existe uma quantidade universal de polifenóis que garanta proteção contra infarto ou outras doenças cardiovasculares. Os benefícios observados nos estudos dependem do padrão alimentar, dos demais hábitos de vida e do risco individual. Atividade física, controle da pressão, colesterol, diabetes e ausência de tabagismo continuam sendo pilares fundamentais da prevenção cardiovascular.
Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um médico ou nutricionista. Pessoas com doenças cardiovasculares, diabetes ou outras condições que exijam acompanhamento nutricional devem receber recomendações individualizadas.








