A trombose costuma ser associada a pessoas idosas, mas cada vez mais jovens têm sido diagnosticados com a formação de coágulos em veias profundas. Fatores como uso de anticoncepcionais, obesidade, tabagismo, viagens longas e alterações genéticas na coagulação aumentam significativamente o risco em qualquer idade. Reconhecer esses gatilhos é essencial para prevenir complicações graves como a embolia pulmonar e agir rapidamente diante dos primeiros sinais.
Por que a trombose não é só um problema de idosos?
A trombose venosa profunda ocorre quando um coágulo se forma em uma veia profunda, geralmente na perna, dificultando a circulação do sangue. Embora a idade avançada aumente o risco, o problema também atinge adolescentes, adultos jovens e gestantes com fatores de risco específicos.
Alterações genéticas na coagulação, uso de hormônios e estilo de vida sedentário são responsáveis por parte importante dos casos em pessoas com menos de 40 anos, tornando o diagnóstico precoce ainda mais desafiador quando os sintomas surgem em quem não se enxerga como vulnerável.
Quais são os principais fatores de risco em pessoas jovens?
Diversas situações comuns no cotidiano aumentam a chance de trombose mesmo antes dos 40 anos. Fique atento aos principais fatores:
- Uso de anticoncepcionais com estrogênio: pílula, adesivo, anel vaginal e injeções elevam a produção de fatores de coagulação
- Tabagismo: a nicotina aumenta plaquetas e deixa o sangue mais viscoso, potencializando o efeito de outros fatores
- Obesidade e sobrepeso: promovem inflamação crônica e alteram a circulação venosa nas pernas
- Cirurgias recentes: especialmente ortopédicas, abdominais e pélvicas, aumentam muito o risco no pós-operatório
- Viagens longas: mais de 4 horas sentado em avião, ônibus ou carro favorece a estase venosa
- Gravidez e pós-parto: aumento hormonal e compressão das veias pélvicas elevam naturalmente o risco
- Trombofilia hereditária: alterações genéticas como fator V de Leiden são causas silenciosas importantes
- Histórico familiar de trombose: sugere predisposição genética que merece investigação
Nenhum desses fatores isoladamente garante que a trombose ocorrerá, mas a combinação de dois ou mais deles amplifica muito o risco. Conhecer bem os sintomas e causas da trombose ajuda a identificar situações de alerta com mais rapidez.

O que a ciência mostra sobre anticoncepcional e trombose?
A relação entre pílulas anticoncepcionais e trombose já foi estudada em pesquisas de grande porte. Segundo o estudo The venous thrombotic risk of oral contraceptives, effects of oestrogen dose and progestogen type, publicado no British Medical Journal a partir do MEGA case-control study, o uso de anticoncepcionais orais combinados aumenta em cerca de cinco vezes o risco de trombose venosa em mulheres jovens.
Os autores destacam que o risco varia conforme o tipo de progestagênio e a dose de estrogênio, sendo maior nos primeiros meses de uso e ainda mais elevado quando existem outros fatores associados, como tabagismo ou trombofilia hereditária.
Quais sinais devem levar você ao pronto-socorro?
Reconhecer os sintomas precoces é vital para evitar complicações graves. Alguns sinais exigem atendimento urgente:
- Dor unilateral na panturrilha ou coxa: persistente, especialmente ao caminhar ou ficar em pé
- Inchaço em apenas uma perna: com sensação de peso, calor local ou vermelhidão
- Mudança na cor da pele: pele avermelhada, arroxeada ou mais brilhante que o normal
- Veias mais visíveis ou endurecidas: acompanhadas dos sintomas acima
- Falta de ar súbita e dor no peito: podem indicar embolia pulmonar, uma emergência médica
- Tosse com sangue, tontura ou desmaio: sinais de que o coágulo pode ter migrado para os pulmões
Nesses casos, não se deve massagear a perna nem tentar tratamentos caseiros. O diagnóstico é feito com exames como ultrassom com Doppler e dosagem de dímero D, e o tratamento precoce com anticoagulantes evita complicações. Vale conhecer também as dicas para evitar a trombose no dia a dia.

Como reduzir o risco no dia a dia?
Pequenas mudanças de hábito diminuem consideravelmente as chances de desenvolver um coágulo, sobretudo em quem já tem fatores de risco. Manter o peso adequado, praticar atividade física regular, parar de fumar, hidratar-se bem e movimentar as pernas durante viagens longas são medidas simples e eficazes.
Quem usa anticoncepcional deve conversar com o ginecologista sobre alternativas mais seguras quando existem outros fatores associados. Após cirurgias ou internações, seguir as orientações sobre uso de meias de compressão e anticoagulantes profiláticos faz parte do tratamento para trombose preventiva orientado pelo angiologista.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação médica. Consulte um angiologista, hematologista ou clínico geral para receber diagnóstico e orientação individualizada sobre seus fatores de risco.









