A partir dos 50 anos, é comum perceber que o sono não é mais o mesmo, com despertares frequentes e dificuldade para adormecer. Isso acontece, em grande parte, pela queda natural da melatonina, hormônio que regula o ciclo de sono e vigília. Essa redução afeta a qualidade do descanso e pode trazer impactos no humor, na disposição e até na saúde do coração. Reconhecer cedo os sinais ajuda a diferenciar uma insônia ocasional de um distúrbio crônico, momento em que a suplementação pode ser indicada conforme as orientações da Associação Brasileira do Sono.
Por que a melatonina diminui com o passar dos anos?
A melatonina é produzida pela glândula pineal, principalmente durante a noite, em resposta à ausência de luz. Com o envelhecimento, a capacidade dessa glândula diminui de forma progressiva, o que reduz os níveis circulantes do hormônio e altera o ritmo natural do sono.
Outros fatores também contribuem para essa queda, como exposição constante a telas durante a noite, uso de certos medicamentos e mudanças no estilo de vida. O resultado é um sono mais leve, fragmentado e menos restaurador, com despertares precoces que se tornam frequentes.
Quais sintomas indicam baixa de melatonina?
Os sinais da queda da melatonina costumam aparecer aos poucos e podem ser confundidos com características naturais do envelhecimento. Identificar essas alterações ajuda a procurar avaliação especializada e evitar que o problema evolua para um distúrbio crônico do sono.
Entre os sintomas mais frequentes associados à baixa de melatonina estão:
- Dificuldade para adormecer, mesmo quando há cansaço
- Despertares frequentes durante a noite
- Acordar muito cedo, sem conseguir voltar a dormir
- Sensação de sono não restaurador ao acordar
- Fadiga ao longo do dia, irritabilidade e baixa concentração
- Alterações de humor e maior dificuldade de memória

Insônia ocasional ou distúrbio crônico?
É importante diferenciar a insônia ocasional, ligada a estresse ou mudanças pontuais, daquela que se prolonga por semanas. A insônia crônica é diagnosticada quando os sintomas ocorrem pelo menos três vezes por semana e persistem por mais de três meses.
Quando a dificuldade para dormir começa a comprometer o trabalho, o humor ou a saúde geral, é hora de buscar avaliação. A primeira linha de tratamento envolve mudanças de comportamento e higiene do sono, com medicamentos reservados para casos selecionados.
O que mostra um estudo sobre melatonina em pessoas acima de 55 anos?
Para entender melhor o papel da suplementação nessa fase da vida, pesquisadores avaliaram o uso prolongado de melatonina em adultos com insônia primária. Os resultados ajudam a embasar as recomendações atuais para o tratamento de distúrbios do sono em pessoas mais velhas.
Segundo o ensaio clínico randomizado Tratamento noturno da insônia primária com melatonina de liberação prolongada por 6 meses: um ensaio clínico randomizado controlado por placebo sobre a idade e a melatonina endógena como preditores de eficácia e segurança, publicado na revista BMC Medicine em 2010, o uso de melatonina de liberação prolongada por até seis meses mostrou eficácia e segurança em pacientes com insônia primária acima dos 55 anos. O estudo envolveu 791 participantes e demonstrou melhora na latência do sono, na qualidade do descanso e na disposição matinal, sem evidências de dependência ou efeitos de retirada.
Quando a suplementação é recomendada?
De acordo com o consenso da Associação Brasileira do Sono, a melatonina pode ser indicada principalmente para insônia inicial em idosos e para distúrbios do ritmo circadiano. A decisão deve ser individualizada e sempre acompanhada por um profissional, considerando outras doenças e medicamentos em uso.
Entre as situações em que o tratamento pode ser considerado estão:

Hábitos saudáveis também fazem grande diferença, como manter horários regulares, reduzir o uso de telas à noite e investir em um ambiente escuro e silencioso.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento conduzido por um médico qualificado. Em caso de sintomas persistentes de insônia ou dúvidas sobre o uso de melatonina, procure um profissional de saúde de confiança.









