Unhas que descamam, quebram com facilidade ou crescem de forma irregular costumam ser tratadas como problema cosmético, mas a fragilidade ungueal afeta cerca de 20% da população e quase sempre tem origem nutricional. A cistina, aminoácido sulfurado que compõe a queratina, é considerada a peça-chave para devolver resistência às unhas, especialmente quando combinada com a biotina. Entender quando a suplementação é realmente indicada faz toda a diferença para alcançar resultados duradouros.
Por que a cistina fortalece as unhas?
A queratina, proteína que forma as unhas, é rica em pontes de enxofre, ligações químicas que conferem dureza e resistência à lâmina ungueal. A cistina é o aminoácido responsável por fornecer esse enxofre, sendo indispensável para a estrutura compacta das unhas saudáveis.
Quando há baixa ingestão de proteínas ou má absorção de nutrientes, a produção de queratina fica comprometida e as unhas se tornam finas, opacas e quebradiças. Carnes magras, ovos, peixes, leguminosas e oleaginosas são as principais fontes alimentares desse aminoácido.
Qual o papel da biotina nesse processo?
A biotina, ou vitamina B7, atua como cofator no metabolismo dos aminoácidos e participa diretamente da síntese da queratina. Sem ela, a cistina não é incorporada de forma eficiente à estrutura ungueal, e o resultado são unhas que descamam em camadas finas.
A combinação entre cistina e biotina potencializa os resultados, já que uma fornece a matéria-prima e a outra garante o processo de produção. Pessoas com sintomas persistentes devem investigar possíveis causas das unhas fracas com avaliação médica antes de iniciar qualquer suplementação.

O que diz um estudo científico sobre a biotina?
A eficácia da biotina no tratamento de unhas frágeis foi documentada cientificamente há décadas, com evidências objetivas obtidas por microscopia. As pesquisas reforçam que o efeito é mais expressivo em pessoas com unhas comprovadamente quebradiças, e não como prática estética generalizada.
Segundo o estudo Treatment of brittle fingernails and onychoschizia with biotin, publicado no Journal of the American Academy of Dermatology, pacientes com unhas frágeis que receberam suplementação oral de biotina apresentaram aumento de 25% na espessura da lâmina ungueal, redução do desfolhamento e melhora na organização celular da superfície da unha.
Quando a suplementação é realmente indicada?
Conforme orientações da Sociedade Brasileira de Dermatologia, a suplementação de biotina e cistina deve ser considerada apenas em casos de fragilidade comprovada ou deficiência nutricional documentada. O uso indiscriminado pode mascarar outras condições e até interferir em exames laboratoriais.
A indicação costuma ser apropriada nas seguintes situações:

É importante saber que doses elevadas de biotina podem alterar resultados de exames de tireoide e marcadores cardíacos, sendo essencial informar o médico sobre o uso de suplementos antes de qualquer avaliação laboratorial.
Quando unhas fracas indicam algo mais grave?
Nem toda unha quebradiça é sinal de carência simples. Em alguns casos, a fragilidade ungueal pode ser o primeiro indício de doenças sistêmicas que exigem investigação médica imediata, especialmente quando vem acompanhada de outros sintomas no organismo.
Sinais de alerta que merecem avaliação profissional incluem:
- Unhas em formato de colher, sugestivas de anemia ferropriva
- Mudança de cor para amarelo, branco ou marrom escuro
- Linhas horizontais profundas conhecidas como linhas de Beau
- Descolamento da unha do leito ungueal
- Fragilidade acompanhada de queda de cabelo, cansaço ou intolerância ao frio
- Espessamento e descamação que podem indicar micose de unha ou psoríase
Distúrbios da tireoide, diabetes, problemas circulatórios e infecções fúngicas figuram entre as principais causas sistêmicas de unhas enfraquecidas e demandam tratamento específico para cada caso.
As informações apresentadas neste artigo têm caráter exclusivamente informativo e não substituem a consulta, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado.









