Neuropatia periférica: o que é, sintomas e tratamento (é grave?)

Neuropatia periférica é uma doença que afeta os nervos periféricos, localizados fora do cérebro e da medula espinhal, e que coordenam diversas funções no corpo, como sensação de dor ou movimentos musculares.

A neuropatia periférica pode levar ao surgimento de sintomas como dor, formigamento, sensação de queimação, cãibras ou espasmos musculares, por exemplo.

O tratamento da neuropatia periférica deve ser orientado pelo neurologista ou clínico geral, que pode indicar o uso de remédios para controlar os sintomas e tratar a doença que causou o dano no nervo, além de fisioterapia, e em alguns casos, cirurgia.

Imagem ilustrativa número 1

Sintomas de neuropatia periférica

Os principais sintomas da neuropatia periférica são:

  • Formigamento nas mãos e pés;
  • Dormência ou perda de sensibilidade;
  • Dor queimante ou latejante;
  • Fraqueza muscular;
  • Perda de coordenação ou equilíbrio;
  • Sensibilidade aumentada ao toque;
  • Cãibras ou espasmos musculares;
  • Sensação de frio ou calor nos membros.

Os sintomas da neuropatia periférica variam conforme o tipo de nervo afetado, podendo envolver nervos que controlam sensações de dor e temperatura, movimentos musculares ou funções automáticas do corpo, como pressão arterial, transpiração, digestão e controle da urina.

Neuropatia periférica é grave?

A neuropatia periférica pode ser grave, dependendo da causa, da extensão dos danos nos nervos e de quais funções do corpo são afetadas. 

Em casos leves, pode causar apenas formigamento, dormência ou dor nos pés e mãos, sintomas desconfortáveis mas controláveis.

Porém, quando os nervos mais importantes são atingidos, especialmente os que controlam funções automáticas do corpo, podem surgir problemas como pressão arterial que sobe ou cai rapidamente.

Além de digestão lenta ou constipação, dificuldade para engolir, sensação de estômago cheio mesmo sem comer muito, e alterações no controle da urina, como urgência frequente, dificuldade para esvaziar a bexiga ou incontinência.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico da neuropatia periférica é feito pelo neurologista ou clínico geral através da análise dos sintomas, histórico médico, doenças pré-existentes, uso de medicamentos e exposição a toxinas.

O médico também pode realizar um exame físico e neurológico, testando força muscular, reflexos, sensibilidade ao toque, à dor, à temperatura e à vibração.

Para uma avaliação, marque uma consulta com o neurologista mais próximo de você:

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Para confirmar o diagnóstico e a extensão do dano nervoso, podem ser solicitados exames específicos como teste de condução nervosa e eletromiografia ou teste autonômico. Saiba como é feita a eletromiografia.

Além disso, outros exames que o médico pode solicitar são exames de sangue, exames de imagem como tomografia computadorizada ou ressonância magnética, e em alguns casos, pode ser necessária a realização de biópsia do nervo afetado.

Possíveis causas

A neuropatia periférica pode surgir por uma lesão em algum nervo periférico, sendo as principais causas:

  • Diabetes, danificando nervos pelo excesso de glicose no sangue;
  • Traumas ou lesões físicas, como cortes, fraturas, compressões nervosas ou acidentes;
  • Infecções, como herpes zóster, HIV, hepatite C e sífilis;
  • Doenças autoimunes, incluindo lúpus, artrite reumatoide e síndrome de Guillain-Barré;
  • Exposição a toxinas, como álcool em excesso, metais pesados ou produtos químicos industriais;
  • Deficiências nutricionais, especialmente de vitaminas B1, B6, B12, E e niacina.
  • Medicamentos, como alguns quimioterápicos, antibióticos ou remédios para HIV.

Além disso, a neuropatia periférica pode ser causada por fatores genéticos, em pessoas com histórico familiar de neuropatias hereditárias, como a doença de Charcot‑Marie‑Tooth.

Doenças renais ou hepáticas crônicas também podem levar ao acúmulo de toxinas no corpo, que acabam prejudicando os nervos, assim como distúrbios metabólicos e hormonais, como hipotireoidismo.

Neuropatia periférica diabética

A neuropatia periférica diabética é um tipo de neuropatia que ocorre em pessoas com diabetes, causada principalmente pelos níveis elevados de açúcar no sangue ao longo do tempo. 

Leia também: Neuropatia diabética: o que é, sintomas, causas e tratamento tuasaude.com/neuropatia-diabetica

Esse excesso de glicose pode danificar os nervos periféricos, especialmente os que estão nos pés, pernas, mãos e braços, interferindo na transmissão normal de sinais entre o corpo e o cérebro.

A gravidade da neuropatia periférica diabética pode variar desde desconforto leve até problemas sérios, como feridas nos pés que não cicatrizam, infecções e risco de amputação. 

Como é feito o tratamento

O tratamento da neuropatia periférica é feito pelo neurologista ou clínico geral para controlar a doença que originou a neuropatia, aliviar os sintomas ou evitar que a doença piore.

Os principais tratamentos que podem ser indicados pelo médico são:

1. Remédios

Alguns remédios que podem ser indicados pelo médico para aliviar a dor causada pela neuropatia periférica, incluem:

  • Analgésicos opióides, como tramadol, oxicodona ou morfina;
  • Anticonvulsivantes, como gabapentina ou pregabalina;
  • Antidepressivos, como nortriptilina, desipramina ou duloxetina;

Em alguns casos, o antidepressivo pode ser usado junto com um anticonvulsivante ou esses medicamentos podem ser usados ​​com analgésicos, para ajudar a controlar a dor.

Além disso, o médico ainda pode indicar o uso do creme de capsaicina para uso sobre a pele na região afetada, ou até mesmo adesivo de lidocaína, que é um tipo de anestésico, para ajudar a aliviar a dor no nervo.

O uso desses remédios deve ser feito somente sob a supervisão médica e com doses específicas para cada pessoa.

2. Fisioterapia

A fisioterapia ajuda a manter a força muscular, melhorar o equilíbrio e prevenir quedas. Exercícios leves e alongamentos podem reduzir a rigidez, estimular a circulação e melhorar a coordenação motora. 

Além disso, técnicas como estimulação elétrica transcutânea (TENS), que é um tipo de eletroterapia que consiste na emissão de correntes elétricas pulsadas que estimulam nervos e músculos, podem ajudar a aliviar a dor em alguns casos. Entenda como funciona a eletroterapia.

3. Cirurgia

A cirurgia é indicada principalmente quando a neuropatia é causada por compressão nervosa localizada, como em casos de síndrome do túnel do carpo, hérnias que pressionam nervos periféricos ou compressão devido ao câncer.

O objetivo da cirurgia é liberar o nervo comprimido, aliviando a dor e prevenindo danos permanentes. Em geral, a cirurgia é considerada apenas quando tratamentos conservadores não são eficazes.

Possíveis complicações

A neuropatia periférica pode causar algumas complicações como:

  • Queimaduras ou machucados na pele;
  • Fraturas, devido a quedas e perda do equilíbrio;
  • Infecções recorrentes em áreas com feridas não percebidas

Além disso, em casos graves, pessoas com neuropatia periférica diabética podem apresentar feridas nos pés que não cicatrizam, levando à necessidade de amputações.