Medula espinhal é uma parte do sistema nervoso central que fica dentro da coluna vertebral, funcionando como uma ponte entre o cérebro e o corpo, transmitindo informações que permitem sentir, se mover e controlar funções automáticas.
A medula é formada por substância cinzenta, no centro, que contém os corpos celulares dos neurônios, e substância branca, ao redor, que conduz os impulsos e está protegida pelas meninges e pelo líquido cefalorraquidiano, que ajudam a amortecer impactos e manter a medula estável.
As principais funções da medula espinhal são conduzir impulsos nervosos, coordenar reflexos automáticos e controlar funções involuntárias, como batimentos cardíacos, digestão e movimentos da bexiga e intestinos.
Anatomia da medula espinhal
A medula espinhal é a principal via de comunicação entre o cérebro e o corpo, sendo composta por:
1. Meninges e líquido cefalorraquidiano
A medula espinhal é envolvida por três camadas de tecido chamadas meninges e pelo líquido cefalorraquidiano (LCR), que atuam protegendo o tecido nervoso contra impactos e permitindo a circulação de nutrientes e remoção de resíduos.
Entre as camadas das meninges estão a dura-máter, mais externa e resistente; a aracnóide, logo abaixo da dura-máter, sendo mais fina e transparente e a pia-máter, a camada mais interna.
Também existem espaços entre as meninges, como o espaço epidural, preenchido por gordura e vasos sanguíneos, que ajuda a amortecer impactos e drenar substâncias, e o espaço subaracnóide, que contém o líquido cefalorraquidiano.
Em conjunto, as meninges mantêm um ambiente estável para as células nervosas, enquanto o líquido cefalorraquidiano facilita a circulação de nutrientes e resíduos, garantindo assim o funcionamento adequado e a proteção contra lesões.
2. Estrutura interna da medula espinhal
A medula espinhal é composta por duas partes principais, que podem ser vistas quando se faz um corte transversal:
- Substância cinzenta, que está localizada no centro da medula em forma de 'H' e contém os corpos celulares dos neurônios, responsáveis por enviar e receber informações, organizados em regiões chamadas cornos;
- Substância branca, que envolve a substância cinzenta e é formada principalmente por fibras nervosas, ou axônios, que conduzem os impulsos elétricos.
Na substância cinzenta existem os cornos posteriores, localizados na parte posterior do corpo, que recebem sinais dos sentidos e os cornos anteriores, localizados na parte frontal, que enviam comandos aos músculos.
Em algumas regiões também existem cornos laterais, responsáveis pelo controle de funções involuntárias de órgãos como o coração ou os intestinos.
Já as fibras nervosas da substância branca estão organizadas em feixes chamados tratos, que podem ser ascendentes, levando informações sensoriais do corpo para o cérebro, como dor, temperatura, tato e posição, ou descendentes, transmitindo comandos do cérebro para os músculos e permitindo movimentos voluntários.
Essa organização é fundamental para que o corpo responda rapidamente aos estímulos.
3. Segmentos medulares
A medula espinhal é dividida em 31 segmentos, de cada um dos quais sai um par de nervos espinhais.
Esses segmentos são classificados em 8 cervicais, 12 torácicos, 5 lombares, 5 sacrais e 1 coccígeo, e cada um se conecta a regiões específicas do corpo.
Essa organização permite que sinais sensoriais e motores sejam transmitidos de forma coordenada, e também explica por que o nível da lesão medular determina os sintomas apresentados, como perda de movimento, sensibilidade ou função autonômica.
4. Cauda equina
A cauda equina é um feixe de nervos localizado na parte inferior da coluna vertebral, abaixo do final da medula.
A cauda se forma porque a medula não se estende até o final da coluna, então as raízes nervosas inferiores precisam continuar para baixo até alcançar pernas, pés e órgãos pélvicos.
Essa estrutura é essencial para a comunicação entre a medula e as partes mais baixas do corpo.
Onde fica a medula espinhal
A medula espinhal fica dentro da coluna vertebral, começando na base do cérebro, logo após o tronco encefálico, e se estendendo até aproximadamente a altura da primeira ou segunda vértebra lombar. Veja como é a anatomia da coluna vertebral.
A medula é protegida pelas vértebras, pelas meninges e pelo líquido cefalorraquidiano, que ajudam a amortecer impactos e manter a medula estável.
Função da medula espinhal
As principais funções da medula espinhal são:
- Conduzir impulsos nervosos, transmitindo informações do corpo para o cérebro e comandos do cérebro para os músculos;
- Coordenar reflexos, através de respostas rápidas, como retirar a mão ao tocar algo quente;
- Controlar funções automáticas, regulando atividades involuntárias, como batimentos cardíacos, pressão arterial e digestão;
- Responder a estímulos, permitindo que o corpo perceba estímulos, como calor ou toque, e responda adequadamente;
- Proteger o sistema nervoso, com a ajuda das meninges e do líquido cefalorraquidiano, mantendo a integridade do sistema nervoso central.
Quando ocorre uma alteração na medula espinhal, essas funções são afetadas, a transmissão dos sinais nervosos é interrompida e o corpo deixa de responder adequadamente aos comandos do cérebro e aos estímulos do ambiente.
Como funciona
A medula espinhal funciona como um centro de comunicação entre o cérebro e o corpo, usando vias ascendentes para levar informações sensoriais ao cérebro e vias descendentes para enviar comandos motores aos músculos.
Essa organização se reflete nos dermátomos, áreas da pele inervadas por nervos espinhais específicos, e nos miótomos, grupos de músculos controlados pelos mesmos nervos, garantindo que cada região do corpo receba e envie sinais de forma precisa.
Leia também: Dermátomos: o que são, mapa, onde ficam (e diferença de miótomo) tuasaude.com/dermatomosA região cervical controla o pescoço, os ombros, os braços e o diafragma; a região torácica está relacionada ao tórax, ao abdômen e a alguns órgãos internos; e a região lombar controla os quadris e as pernas.
Já a região sacral influencia as pernas, os pés, as nádegas e os órgãos genitais, enquanto a cauda equina conecta os nervos da coluna lombar às extremidades inferiores e aos órgãos pélvicos.
Lesão na medula espinhal
Uma lesão na medula espinhal ocorre quando há dano parcial ou completo ao tecido nervoso dentro da coluna vertebral, comprometendo a comunicação entre o cérebro e o corpo.
Esse tipo de lesão pode resultar de traumas, como acidentes de carro, quedas ou ferimentos por arma de fogo, mas também pode ser causado por doenças, como a meningite, ou tumores.
As consequências variam conforme o nível e a gravidade do dano, ou seja, quanto mais alta a lesão, mais extensa a perda de função.
Entre os efeitos estão a perda de movimento ou sensibilidade, alterações na percepção da dor, espasticidade, dificuldades respiratórias e problemas no controle da bexiga e intestinos.
Lesões incompletas podem permitir alguma recuperação parcial, enquanto lesões completas geralmente causam paralisia total abaixo do ponto afetado. Entenda o que é lesão medular e seus tipos.
Lesão na medula espinhal tem cura?
Atualmente, lesões na medula espinhal não têm cura completa, o tratamento tradicional busca estabilizar a medula, reduzir a inflamação e iniciar a reabilitação funcional.
No entanto, pesquisas recentes têm explorado novas estratégias, como o uso de polilaminina, uma substância que serve de suporte para os neurônios se reconectarem, ajudando a favorecer a recuperação dos movimentos. Saiba para que serve a polilaminina.
Esses avanços ainda estão em fase experimental e ainda não possuem aprovação da Anvisa para comercialização, sendo liberada apenas para uso em pesquisas clínicas controladas.