Lipodistrofia: o que é, características, causas e tratamento

Novembro 2021

A lipodistrofia é uma síndrome rara caracterizada pela alteração na deposição de gordura no corpo, podendo haver aumento, diminuição ou ausência de gordura. Essa condição está frequentemente associada ao tratamento com medicamentos antirretrovirais para HIV, no entanto pode também ser consequência da injeção de insulina, uso de corticoides ou da esclerodermia, por exemplo, em que pode haver alteração no processo de deposição de gordura.

O tratamento para a lipodistrofia depende do tipo da síndrome, da quantidade de gordura acumulada e da causa, podendo ser indicado em alguns casos a realização de lipoaspiração, lipoenxertia ou tratamento direcionado à causa da lipodistrofia.

Lipodistrofia: o que é, características, causas e tratamento

Características da lipodistrofia

O principal sinal indicativo de lipodistrofia é a alteração na distribuição de gordura no corpo, podendo ser verificado aumento de gordura, diminuição ou ausência, o que pode variar de pessoa para pessoa e de condição associada. De forma geral, a lipodistrofia pode ser classificada em dois tipos principais de acordo com a causa:

  • Lipodistrofia congênita, em que a pessoa possui alguma alteração genética autossômica recessiva ou dominante responsável pela alteração no processo de deposição de gordura corporal;
  • Lipodistrofia adquirida, em que a alteração no padrão de distribuição de gordura acontece como consequência de alguma situação.

Além disso, dependendo do tipo, a lipodistrofia pode ser classificada em subgrupos que possuem características diferentes, sendo as principais:

  • Lipodistrofia generalizada congênita, em que há quase nenhuma gordura corporal, grande nível de massa muscular, baixa estatura, resistência à vitamina D, hipocalcemia, hipomagnesemia e complicações metabólicas, como estenose gástrica, alterações na motilidade gastrointestinal e arritmia cardíaca;
  • Lipodistrofia progeroide, em que há ausência total ou parcial de gordura, envelhecimento precoce e acelerado e complicações metabólicas;
  • Lipodistrofia familiar parcial, em que é observada ausência de gordura nos membros superiores e inferiores e complicações metabólicas, como aumento da gordura visceral, dislipidemia, esteatose hepática, resistência à insulina, diabetes e distrofia muscular, em alguns casos;
  • Lipodistrofia autoinflamatória, em que é verificada ausência variável de gordura e de complicações metabólicas;
  • Lipodistrofia SHORT, em que é observada perda de gordura corporal variável, além de complicações metabólicas,
  • Lipodistrofia generalizada adquirida, em que há ausência total de gordura corporal;
  • Lipodistrofia parcial adquirida, em que há ausência de gordura na parte superior do corpo e aumento da gordura acumulada na parte inferior, além de complicações leves ou ausência de complicações metabólicas, como glomerulonefrite, hematúria, proteinúria, falência renal.

Na presença de características possivelmente indicativas de lipodistrofia, é importante que o endocrinologista seja consultado, assim é possível que seja realizada uma avaliação física e exames que possam auxiliar a identificação da causa.

Principais causas

A lipodistrofia adquirida está principalmente associada ao tratamento para a infecção pelo HIV, principalmente quando se está fazendo uso de inibidores de protease e stavudina, por exemplo, sendo observado nesses casos diminuição ou ausência de deposição de gordura, principalmente no rosto. No entanto, outras situações podem levar à lipodistrofia, como:

  • Injeção de insulina;
  • Uso de corticoides;
  • Alterações autoimunes, como esclerodermia, hepatite autoimune, artrite reumatoide, dermatomiosite e tireoidite autoimune;
  • Infecções, como varicela, difteria, osteomielite e mononucleose.

Nos casos em que é verificado aumento de gordura acumulada, é possível também haver maior risco de alterações metabólicas e comorbidades como diabetes, hipertrigliceridemia, esteatose e cirrose hepática, pancreatite aguda, falência renal e alterações cardiovasculares, por exemplo, já que o corpo passa a depositar a gordura em outros tecidos. Assim, é importante que o clínico geral ou endocrinologista sejam consultados regularmente, de forma a prevenir o desenvolvimento das complicações.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da lipodistrofia é feito através de exame físico realizado pelo clínico geral ou endocrinologista, em que é observado o padrão de deposição de gordura corporal. Além disso, é normalmente realizada a avaliação do Índice de Massa Corporal (IMC) e exames de imagem, como raio X, densitometria óssea e ressonância magnética, por exemplo.

Além disso, é realizada uma avaliação do histórico de saúde da pessoa, em que é avaliado o uso crônico de medicamentos e a presença de doenças crônicas.

Como é o tratamento

O tratamento para a lipodistrofia tem como objetivo principal prevenir o desenvolvimento de comorbidade e, para isso, pode ser recomendado pelo médico mudanças no estilo de vida, sendo indicada a prática regular de atividade física e uma alimentação saudável e equilibrada, além de medicamentos, como metformina e estatinas, por exemplo.

Além disso, em alguns casos, alguns pacientes podem se beneficiar de tratamento estético, podendo ser indicada a realização de lipoaspiração, nos casos em que há gordura acumulada, ou lipoenxertia, que consiste na remoção de gordura de uma parte do corpo e enxerto em outra em que não há gordura acumulada.

Em algumas situações, pode também ser recomendada a realização de cirurgia bariátrica, ,que é capaz de promover a perda de peso, prevenir comorbidades e promover alterações positivas no metabolismo.

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Bibliografia

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