Leptospirose: o que é, sintomas, como se pega e tratamento

maio 2022
  1. Sintomas
  2. Diagnóstico
  3. Causa
  4. Transmissão
  5. Prevenção
  6. Tratamento

A leptospirose é uma doença infecciosa causada pela bactéria do gênero Leptospira, que pode ser transmitida para pessoas por meio do contato com a urina e excrementos de animais infectados por essa bactéria, como ratos, principalmente, cães e gatos.

Essa doença acontece mais frequentemente em épocas de muita chuva, pois devido às enchentes, poças e solos úmidos, a urina dos animais infectados pode facilmente ser espalhada e a bactéria infectar a pessoa por meio das mucosas ou feridas na pele, provocando sintomas como febre, calafrios, olhos avermelhados, dor de cabeça e náuseas.

Apesar da maioria dos casos provocar sintomas leves, algumas pessoas podem evoluir com graves complicações, como hemorragias, insuficiência renal ou meningite, por exemplo, por isso, sempre que houver suspeita desta doença, é importante ir ao infectologista ou ao clínico geral para que sejam feito o diagnóstico e iniciado o tratamento, que pode ser feito com analgésicos e antibióticos.

Sintomas de leptospirose

Os principais sintomas da leptospirose são:

  • Febre alta que começa de forma repentina;
  • Dor de cabeça;
  • Dores no corpo, principalmente na panturrilha, costas e abdômen;
  • Perda do apetite;
  • Vômito;
  • Diarreia;
  • Calafrios;

Os sintomas de leptospirose normalmente surgem entre 7 e 14 dias após o contato com a bactéria, o que normalmente acontece depois de ter estado em águas com alto risco de estarem contaminadas, como acontece durante as enchentes. No entanto, em alguns casos podem não ser identificados os sintomas iniciais da doença, apenas sintomas mais graves que são indicativos de que a doença já está em uma fase mais avançada.

Entre 3 a 7 dias após o início dos sintomas pode surgir a tríade de Weil, que corresponde aos três sintomas que surgem juntos e que são indicativos de maior gravidade da doença, como icterícia, que são os olhos e pele amarelados, insuficiência renal e hemorragias, principalmente pulmonares.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da leptospirose é feito pelo clínico geral ou infectologista por meio da avaliação dos sintomas e exame físico, levando em consideração a possibilidade de se ter estado em contato com águas contaminadas.

Para confirmar o diagnóstico, o médico pode ainda pedir exames de sangue e urina para avaliar a função dos rins, fígado e a capacidade de coagulação. Assim, é recomendada a avaliação dos níveis de ureia, creatinina, bilirrubina, TGO, TGP, gama-GT, fosfatase alcalina, CPK e PCR, além do hemograma completo.

Além desses exames, é indicada também a realização de exames para identificar o agente infeccioso, além de antígenos e anticorpos produzidos pelo organismo contra esse microrganismo.

Causa da leptospirose

A leptospirose é uma doença infecciosa causada pela bactéria do gênero Leptospira, que pode infectar ratos, principalmente, gatos, bovinos, porco e cachorros, sem causar nenhum sintoma. No entanto, quando esses animais urinam ou defecam, podem liberar a bactéria no ambiente, que pode infectar as pessoas e levar ao desenvolvimento da infecção.

Como se pega leptospirose

A transmissão da leptospirose não acontece de uma pessoa para outra, e para haver o contágio pela doença, é necessário o contato com a urina ou outros excrementos de animais que estejam contaminados, como ratos, cães, gatos, porcos e bovinos.

A Leptospira costuma penetrar através de mucosas, como olhos e boca, ou ferimentos e arranhões na pele, e quando já está dentro do corpo consegue atingir a corrente sanguínea e se espalhar para outros órgãos, levando ao surgimento de complicações como insuficiência renal e hemorragias pulmonares, que além de serem manifestações tardias também podem ser indicativos de maior gravidade da doença. 

A existência de situações como enchentes, inundações, poças ou contato com solo úmido, lixo e plantações podem facilitar o contato com a urina dos animais contaminados e facilitar a infecção. Uma outra forma de contaminação é ingerir bebidas em lata ou consumir enlatados que tenham entrado em contato com a urina do rato. Conheça outras doenças transmitidas pela chuva

O que fazer para prevenir

Para se proteger e evitar a leptospirose é recomendado evitar o contato com águas potencialmente contaminadas, como enchentes, lama, rios com água parada e piscina não tratada com cloro. Quando é necessário enfrentar uma enchente pode ser útil utilizar galochas de borracha para manter a pele seca e devidamente protegida das águas contaminadas, por isso:

  • Lavar e desinfetar com água sanitária ou cloro o chão, móveis, a caixa de água e tudo que tiver entrado em contato com a enchente;
  • Jogar fora os alimentos que entraram em contato com a água contaminada;
  • Lavar todas as latas antes de as abrir, seja de alimentos ou de bebidas;
  • Ferver a água para consumo e para a preparação de alimentos e coloque 2 gotas de água sanitária em cada litro de água;
  • Eliminar todos os pontos de acúmulo de água após as enchentes por causa da multiplicação do mosquito da dengue ou malária;
  • Não deixar acumular lixo em casa e coloque-o em sacos fechados e longe do chão para evitar a proliferação de ratos.

Outras medidas que ajudam na prevenção desta doença são sempre usar luvas de borracha, principalmente quando mexer no lixo ou realizar limpezas em locais que possam ter ratos ou outros roedores e lavar muito bem os alimentos antes de consumir com água potável e também as mãos antes de comer. 

Como é feito o tratamento

Na maioria dos casos, o tratamento pode ser feito em casa com o uso de medicamentos para aliviar os sintomas, como Paracetamol, além de hidratação e repouso.

Antibióticos como Doxiciclina ou Penicilina podem ser recomendados pelo médico para combater a bactéria, no entanto o efeito dos antibióticos são maiores nos primeiros 5 dias de doença, por isso é importante que a doença seja identificada assim que surgirem os primeiros sintomas de infecção. Veja mais detalhes do tratamento para leptospirose.

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Atualizado e revisto clinicamente por Marcela Lemos - Biomédica, em maio de 2022.

Bibliografia

  • BARER, Michael R. et al. Medical Microbiology - A guide to microbial infections: pathogenesis, immunity, laboratory investigation and control. 19 ed. Elsevier, 2018. 326-330.
  • MINISTÉRIO DA SAÚDE. Leptospirose: o que é, causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção. Disponível em: <http://saude.gov.br/saude-de-a-z/leptospirose>. Acesso em 04 abr 2019
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  • MINISTÉRIO DA SAÚDE. Leptospirose: diagnóstico e manejo clínico. 2014. Disponível em: <http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2015/janeiro/16/Leptospirose-diagnostico-manejo-clinico.pdf>. Acesso em 28 jan 2020
Revisão clínica:
Marcela Lemos
Biomédica
Mestre em Microbiologia Aplicada, com habilitação em Análises Clínicas e formada pela UFPE em 2017 com registro profissional no CRBM/ PE 08598.