Fosfoetanolamina: o que é e porque poderia curar o câncer

Julho 2021

A fosfoetanolamina é uma substância naturalmente produzida pelo corpo, presente na membrana das células. Esta substância passou a ser produzida em laboratório de forma sintética, com o objetivo de imitar a fosfoetanolamina natural e ajudar o sistema imune a identificar as células tumorais, diminuindo a multiplicação dessas células, tendo portanto uma ação anticancerígena.

Essa substância, sintetizada em laboratório, na USP, foi distribuída por alguns anos como promessa de tratamento para o câncer, no entanto, devido à falta de evidências científicas que comprovassem sua eficácia, não foi aprovada pela ANVISA como medicamento, e por isso, não é comercializada no Brasil.

A fosfoetanolamina sintética é, no entanto, produzida nos Estados Unidos, sendo comercializada como suplemento alimentar, indicada pelos fabricantes para melhorar o sistema imune. 

Fosfoetanolamina: o que é e porque poderia curar o câncer

Como a fosfoetanolamina poderia ajudar no tratamento do câncer

A fosfoetanolamina é naturalmente produzida pelo fígado e pelas células de alguns músculos do corpo e serve para ajudar o sistema imune a ser eficiente na eliminação de células malignas. No entanto, ela é produzida em pouca quantidade.

Dessa forma, em teoria, a ingestão da fosfoetanolamina sintética, em maiores quantidades do que aquelas que são produzidas pelo corpo, tornaria o sistema imune mais capaz de identificar e "matar" células tumorais, potencializando a cura do câncer.

A fosfoetanolamina sintética foi produzida pela primeira vez no Instituto de Química da USP de São Carlos como parte de um estudo laboratorial criado por um químico, chamado Dr. Gilberto Chierice, para descobrir uma substância que ajudasse no tratamento do câncer. No entanto, os estudos feitos sobre sobre a substância não demonstraram efeitos úteis no tratamento do câncer.

É importante ressaltar que a fosfoetanolamina sintética não substitui o tratamento convencional com quimioterapia, radioterapia ou cirurgia que devem sempre ser indicados pelo oncologista. Conheça quais são os tratamentos convencionais utilizados para o câncer, como funcionam e os seus efeitos secundários.  

Porque a ANVISA não aprovou a fosfoetanolamina?

Para que a ANVISA possa aprovar e permitir o registro da fosfoetanolamina sintético como medicamento, assim como acontece com qualquer remédio novo que entra no mercado, é necessário fazer vários testes e estudos científicos controlados para identificar se realmente o medicamento é eficaz, conhecer seus efeitos colaterais e determinar para que tipos de câncer pode ser utilizada com sucesso.

No caso da fosfoetanolamina sintética, os estudos científicos não comprovaram sua eficácia e, por isso, não obteve o registro da ANVISA para comercialização como medicamento e nem como suplemento alimentar.

Esta informação foi útil?

Bibliografia

  • LEMOS, Allan Carlos Mazzoni; et al. A utilização da fosfoetanolamina sintética em pacientes oncológicos: uma análise documental. Research, Society and Development. 10. 3; e25310313239, 2021
  • ALVES, Edilaine Farias; et al. Vulnerabilidade social diante da fosfoetanolamina a partir da teoria principialista. Rev. Bioét. 27. 1; 173-178, 2019
  • ANVISA. Nota sobre fosfoetanolamina como “suplemento alimentar”. 2018. Disponível em: <https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2018/nota-sobre-fosfoetanolamina-como-suplemento-alimentar>. Acesso em 22 Jul 2021
Mais sobre este assunto: