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O que é Fasciolíase e como identificar

A fasciolíase é uma parasitose causada pelo verme Fasciola hepatica, e mais raramente Fasciola gigantica, que são capazes de infectar animais herbívoros e pessoas que ingerem água ou plantas aquáticas, como o agrião, que estejam contaminadas com cistos, também chamados de metacercáreas.

Estes vermes fazem parte da classe dos trematódeos, de formato achatado e que conseguem se disseminar por vários órgãos do corpo. Quando são ingeridas, as metacercáreas liberam larvas no intestino, que migram através da cavidade abdominal até alcançar o fígado e as vias biliares, onde se desenvolvem, provocam inflamação e, até, cirrose do fígado. 

Para tratar a fasciolíase, é recomendado o uso de medicamentos vermífugos, como Praziquantel, Triclabendazol ou Nitazoxanida, prescritos pelo médico. Também é importante realizar a prevenção, através de cuidados com a água e os alimentos crus que serão consumidos, e como tratamento dos bovinos ou outros animais que possam estar infectados, já que podem eliminar ovos pelas fezes. 

O que é Fasciolíase e como identificar

Como acontece a transmissão e o ciclo

A fasciola hepatica é transmitida para o homem a partir do consumo de água ou vegetais crus que contenham cistos deste parasita. Outra forma possível, porém mais rara, é através do consumo de carne de fígado crua que esteja com larvas.

Estes vermes contém um ciclo de vida que envolve a infecção de hospedeiros intermediários e definitivos, e acontece conforme as seguintes etapas:

  1. Os ovos dos vermes são liberados pelas fezes do hospedeiro, que podem ser pessoas ou animais como bovinos, caprinos e suínos;
  2. Em ambiente aquático, os ovos liberam o verme em um estágio pré-larval chamado miracídio, que irá procurar o hospedeiro intermediário, que é o caramujo de água doce do gênero Lymnaea;
  3. Ao se alojarem nos tecidos do caramujo, os miracídios se transformam em espécies de cistos que contém larvas em seu interior;
  4. Os cistos repletos de larvas abandonam o hospedeiro intermediário e se fixam na superfície de plantas aquáticas, sendo o agrião o principal exemplo;
  5. O hospedeiro definitivo, que pode ser uma pessoa ou um animal, adquire a infecção pelo consumo da água ou das plantas contaminadas;
  6. No tubo digestivo, as larvas são liberadas dos cistos, perfuram o tecido do intestino, e migram para o fígado através da cavidade abdominal, durante cerca de 1 a 2 semanas;
  7. No fígado, as larvas permanecem crescendo por cerca de 2 meses, e, em seguida, alojam-se no canais biliares, onde tornam-se adultos, com 3 cm de comprimento, passam a se multiplicar e provocam uma inflamação crônica dos órgãos da região. 

Em seguida, o ciclo se reinicia através da liberação de ovos que são levados pela bile até o intestino do animal ou pessoa infectada, e são capazes de causar novas infecções. 

Larva de fasciola hepatica
Larva de fasciola hepatica
Miracídio de Fasciola hepatica
Miracídio de Fasciola hepatica

Principais sintomas

Os sintomas que a fasciolíase pode causar podem ser diferentes em cada caso, variando de acordo com a fase e com a intensidade da infecção. Assim, na doença aguda que acontece durante a migração dos parasitas, nas primeiras 1 a 2 semanas após a infecção, podem ser provocados sintomas como febre, dor abdominal e inchaço do fígado. 

Já quando os parasitas estão alojados nos ductos biliares, a infecção torna-se crônica, podendo ocorrer uma inflamação do fígado, e causar sinais e sintomas como perda de peso, febre recorrente, aumento do fígado, acúmulo de líquido no abdômen, anemia, tonturas e falta de ar. 

A inflamação provocada no fígado, em alguns caos, pode provocar complicações, como obstrução dos ductos biliares ou cirrose do fígado. O câncer no fígado não é uma complicação direta da infecção pela fasciola hepatica, no entanto, sabe-se que o carcinoma do fígado é mais comum em pessoas portadoras de cirrose hepática. Saiba mais detalhes sobre o que causa o câncer no fígado e como suspeitar

Como confirmar

O diagnóstico de fasciolíse é suspeitado pelo médico de acordo com a avaliação clínica e observação dos hábitos da pessoa afetada, como criar animais ou comer vegetais crus. Os exames que podem confirmar a infecção incluem a identificação de ovos nas fezes e testes de sangue imunológicos.

Além disso, a ultrassonografia ou tomografia do abdômen podem ajudar a demonstrar os parasitas dentro da árvore biliar, além de identificar áreas de inflamação e fibrose. Saiba mais sobre os exames que avaliam o fígado.

Como é feito o tratamento

O tratamento da fasciolíase é orientado pelo médico, e inclui o uso de medicamentos antiparasitários como Praziquantel em 3 doses, Triclabendazol em dose única ou Nitazoxanida por 7 dias, por exemplo. 

Caso já haja complicações no fígado, como cirrose ou obstrução dos ductos, será necessário o acompanhamento com o hepatologista, que indicará formas de prolongar a saúde do fígado e, se necessário, indicar algum tipo de cirurgia de correção das obstruções.

Como prevenir

Para prevenir a infecção pela Fasciola hepatica, é recomendado descontaminar bem os vegetais crus antes de comer, e usar sempre água limpa e própria para o consumo. Além disso, é orientado evitar-se o consumo de carnes cruas. Aprenda algumas técnicas para lavar corretamente os vegetais

Além disso, é importante que os cuidadores de gados e outros animais tenham cuidado com a alimentação e realizem o tratamento, caso estejam infectados, como forma de evitar a persistência dos vermes no ambiente. 

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