Dobras cutâneas: o que são, quais são (e como medir)

As dobras cutâneas são medidas da espessura da gordura abaixo da pele. Elas são usadas para estimar a gordura corporal e avaliar mudanças na composição corporal ao longo do tempo.

Essas medições ajudam a analisar a distribuição de gordura e detectar potenciais riscos à saúde, como alterações metabólicas. Também são usadas no esporte para monitorar o desempenho e na nutrição para o acompanhamento dos planos alimentares.

Leia também: Percentual de gordura corporal: como calcular (e como diminuir) tuasaude.com/gordura-corporal-ideal

Embora as dobras cutâneas seja um método prático e acessível, pode apresentar erros se não for realizado corretamente e/ou com equipamentos impróprios. Portanto, é importante que a medição seja feita por um profissional capacitado e, em caso de dúvidas ou resultados inesperados, é aconselhado consultar um médico ou nutricionista.

Imagem ilustrativa número 1

Quais são dobras cutâneas

As principais dobras cutâneas são:

1. Dobra cutânea do tríceps

A dobra cutânea do tríceps localiza-se na parte de trás do braço, entre o ombro e o cotovelo. É uma das pregas cutâneas mais utilizadas para avaliar a gordura periférica.

Essa prega cutânea é importante porque é frequentemente usada em avaliações do estado nutricional em adultos e crianças. Ela permite a detecção de baixo peso, desnutrição ou excesso de gordura, principalmente quando comparada a tabelas de referência.

Como medir: medir a distância linear entre os pontos acromial e radial previamente marcados. Fazer uma pequena marca no ponto médio entre essas duas marcas.

Em seguida, projetar a linha colocando uma fita métrica flexível sobre o ponto médio marcado em direção à parte posterior do braço, traçando uma linha horizontal.

Depois, ficar atrás da pessoa e projetar uma linha vertical que divida o braço em duas metades, cruzando a linha horizontal.

A dobra cutânea deve seguir as linhas naturais da pele.

2. Dobra cutânea do bíceps

A dobra cutânea do bíceps está localizada na parte da frente do braço, no mesmo nível da prega cutânea do tríceps.

Essa prega cutânea é usada para avaliar a gordura subcutânea na parte frontal do braço, complementando a informação obtida com a dobra cutânea do tríceps.

A dobra cutânea do bíceps é útil porque permite analisar a distribuição de gordura no braço, comparando a área anterior (bíceps) com a posterior (tríceps). Essa comparação pode fornecer informações mais completas sobre a composição corporal.

Como medir: medir a distância linear entre os pontos acromial e radial previamente marcados. Fazer uma pequena marca no ponto médio entre essas duas marcas.

Em seguida, projetar uma linha horizontal colocando uma fita métrica flexível sobre o ponto médio marcado na parte frontal do braço.

Ficar de frente para a pessoa, cujo braço deve estar relaxado com a palma da mão voltada para a frente, e projetar uma linha vertical que divida o braço ao meio, cruzando a linha horizontal.

A dobra cutânea deve seguir as linhas naturais da pele.

3. Dobra cutânea subescapular

A dobra cutânea subescapular é usada para avaliar a gordura subcutânea na parte superior das costas, logo abaixo da escápula, sendo um importante indicador de gordura no tronco.

Como medir: o avaliador deve ficar atrás da pessoa. Primeiro, apalpar e identificar o ponto mais baixo do ângulo inferior da escápula direita.

A partir desse ponto de referência, medir 2 cm obliquamente (para baixo e para fora) em um ângulo de 45°. A prega cutânea deve ser medida neste mesmo ângulo.

4. Dobra cutânea da crista ilíaca

A dobra cutânea da crista ilíaca é utilizada para avaliar a gordura subcutânea na região lateral do abdômen, próxima ao quadril, e é um importante indicador de gordura corporal central.

Essa dobra cutânea é útil porque o acúmulo de gordura no tronco está associado a um maior risco cardiometabólico.

Como medir: para medir a prega cutânea da crista ilíaca, a pessoa deve cruzar o antebraço direito sobre o peito. O examinador, posicionado à direita da pessoa, localiza a crista ilíaca apalpando com os dedos estendidos na junção com a linha axilar média para encontrar o ponto da crista ilíaca.

A técnica consiste em posicionar o polegar esquerdo paralelo à crista, logo abaixo do ponto da crista ilíaca. A partir dessa posição, pinçar a dobra com o polegar e o indicador da mão esquerda e marcar o centro com uma cruz.

A medição deve ser feita seguindo a linha natural da pele, que tem uma direção oblíqua descendente em direção à região da frente.

5. Dobra cutânea ilioespinal

A dobra cutânea suprailíaca é usada para avaliar a gordura subcutânea acumulada na região lateral do abdômen, sendo um indicador relevante da distribuição de gordura corporal.

Essa dobra cutânea é muito útil, porque a gordura nessa área está associada a riscos cardiometabólicos, como alterações nos níveis de colesterol, resistência à insulina e doenças cardiovasculares.

Portanto, ela é frequentemente incluída em avaliações clínicas e estudos de saúde.

Como medir: para realizar a medição, a pessoa deve ficar em pé com o antebraço direito cruzado sobre o peito, enquanto o avaliador se posiciona atrás e à sua direita.

O procedimento começa com a palpação da crista ilíaca na parte da frente até identificar a espinha ilíaca anterossuperior, onde se marca um ponto na sua parte mais inferior.

Em casos de difícil localização, pede-se à pessoa para fazer rotações internas e externas do quadril, apoiando-se nos dedos dos pés, para confirmar a localização por meio do movimento muscular.

Em seguida, traçar uma linha com a fita métrica desde a prega axilar anterior (com a pessoa segurando a extremidade superior) até o ponto ílio-espinal previamente marcado.

A localização exata da prega cutânea é determinada pela interseção dessa linha diagonal com a projeção horizontal da crista ilíaca.

Finalmente, a dobra cutânea é medida obliquamente, seguindo as linhas naturais da pele. É importante lembrar que, em mulheres, esse ponto de referência geralmente se localiza proporcionalmente mais abaixo e mais lateralmente devido à estrutura mais larga e plana da pelve feminina.

6. Dobra cutânea abdominal

A dobra cutânea abdominal está localizada na região abdominal, próxima ao umbigo. É uma das medidas de prega cutânea mais usadas para avaliar a gordura subcutânea no tronco, especialmente na região central do corpo.

Essa prega cutânea é importante, pois o acúmulo de gordura no abdômen está associado a um maior risco de problemas cardiometabólicos, como alterações nos níveis de glicose ou colesterol.

Como medir: para medir a dobra cutânea abdominal, deve-se localizar o centro do umbigo e medir 5 cm à sua direita para fazer uma marca.

É importante observar que essa distância de 5 cm é padronizada para um adulto de 170 cm de altura. Portanto, em pessoas com alturas diferentes, a distância deve ser ajustada proporcionalmente de acordo com a altura.

Com a pessoa em pé, ficar de frente para ela e segurar a dobra cutânea verticalmente, ou seja, segurando a pele de cima para baixo. É muito importante que a pegada seja firme e profunda para segurar adequadamente a camada de gordura, pois uma pegada fraca não fornecerá uma medida exata.

Por fim, certificar-se de não inserir os dedos ou o dispositivo dentro do umbigo por motivos de higiene e para evitar alterações nos resultados.

7. Dobra cutânea da coxa

A dobra cutânea da coxa está localizada na parte da frente da coxa. Essa prega cutânea permite a avaliação da gordura subcutânea nos membros inferiores, complementando as informações obtidas no tronco.

É útil para analisar a distribuição da gordura corporal, pois o acúmulo de gordura nas pernas pode se comportar de maneira diferente do que no abdômen.

Também é usada para monitorar programas de exercícios ou alterações na composição corporal.

Como medir: primeiro, marcar os pontos de referência com a pessoa sentada e o joelho em um ângulo de 90 graus.

O ponto patelar é localizado palpando as bordas laterais da rótula e subindo até identificar a borda superior, onde uma pequena linha horizontal é traçada.

Em seguida, identificar a prega inguinal (a junção entre a coxa e o tronco). Com uma fita métrica ou um segmômetro totalmente reto, evitando a curvatura da pele, determina-se a distância exata entre a virilha e o joelho. Marcar o ponto médio dessa distância com uma linha horizontal.

Sobre a linha horizontal, traçar uma linha vertical que deve seguir o eixo longitudinal da coxa, alinhada com o centro da patela, formando uma cruz que indica o ponto exato da medição.

Por fim, a pessoa deve estender a perna direita, apoiando o calcanhar no chão para relaxar o músculo. Isso permite que o avaliador meça a dobra cutânea verticalmente sobre a cruz marcada, de forma independente ou com a ajuda da pessoa para levantar o tecido, caso a pele esteja tensa.

8. Dobra cutânea da panturrilha

A dobra cutânea da panturrilha está localizada na parte de trás da perna. Essa prega cutânea avalia a gordura subcutânea na parte inferior do corpo e fornece informações adicionais sobre a distribuição periférica da gordura.

É especialmente útil em avaliações completas, pois permite a observação de diferenças entre a parte superior e inferior do corpo. Também pode ser útil em contextos esportivos para monitorar alterações específicas na composição corporal.

Como medir: para localizar o ponto de referência, a pessoa deve ficar em pé com o peso distribuído uniformemente e os pés afastados na largura dos quadris.

O avaliador localiza o nível da circunferência máxima da panturrilha movendo a fita métrica para cima e para baixo até encontrar a área mais larga, onde marcará uma pequena linha horizontal na parte interna da perna.

Em seguida, uma linha vertical é traçada cruzando a linha anterior no ponto mais interno para formar uma cruz de referência.

Para realizar a medição, a pessoa deve colocar o pé direito sobre uma caixa ou superfície elevada, de modo que o joelho e o quadril fiquem flexionados em um ângulo de 90 graus. Isso ajuda a reduzir a tensão muscular e facilita a pega da pele.

Finalmente, o avaliador fica de frente para a parte interna da perna e realiza a medição da dobra cutânea vertical sobre a marca feita para obter a medida com o adipômetro.

Cuidados durante a medição

Os principais cuidados ao medir as dobra cutâneas são:

  • Fazer a medição sempre no mesmo lado do corpo: geralmente, o lado direito é usada, de acordo com a Sociedade Internacional para o Avanço da Cineantropometria (ISAK), para manter a padronização e permitir a comparação dos resultados ao longo do tempo;
  • Evitar medir após exercícios físicos: a atividade física pode alterar a distribuição de líquidos e a espessura da dobra, o que pode levar a valores incorretos;
  • Manter uma postura correta e relaxada: a pessoa deve ficar em pé com os músculos relaxados, pois a contração muscular pode dificultar a medição correta da dobra cutânea;
  • Usar um adipômetro calibrado: diferenças entre os aparelhos podem produzir resultados diferentes. Por isso, recomenda-se usar sempre o mesmo instrumento e garantir que esteja em boas condições de funcionamento.
  • Pinçar a dobra cutânea corretamente com os dedos: a dobra deve incluir pele e tecido adiposo subcutâneo, evitando o músculo. A pinça é colocada a uma distância dos dedos que seguram a dobra;
  • Aguardar alguns segundos antes de ler a medida: a leitura só é feita aproximadamente 2 segundos após a aplicação do adipômetro para permitir que a pressão se estabilize;
  • Repetir cada medição: recomenda-se medir cada ponto pelo menos duas vezes e usar a média, o que ajuda a reduzir erros;
  • Evitar medir sobre a pele molhada ou com creme: isso pode dificultar a pega da dobra cutânea e afetar a precisão;
  • Marcar corretamente os pontos de referência anatômicos: identificar bem as referências anatômicas é essencial para medições reproduzíveis;
  • Realizar medições com um profissional treinado: a experiência do avaliador influencia diretamente a precisão dos resultados.

Essas precauções são essenciais porque a medição da dobra cutânea é uma técnica que depende do avaliador.

Essas medições antropométricas devem ser feitas seguindo protocolos padronizados, como os da Sociedade Internacional para o Avanço da Cineantropometria (ISAK), que visam reduzir erros e melhorar a precisão.

Leia também: Antropometria: o que é, para que serve e medidas antropométricas tuasaude.com/antropometria

Após a medição das dobras cutâneas, é importante interpretar os resultados com cautela. Diferenças na técnica, no avaliador ou no equipamento podem levar a variações e, por isso, recomenda-se sempre usar o mesmo método para avaliações seguintes.

Para que serve medir as dobras cutâneas

Medir as dobras cutâneas permite uma estimativa prática da gordura corporal, sendo útil para avaliar o estado nutricional e detectar potenciais riscos à saúde.

Os principais usos das dobras cutâneas são:

  • Avaliação da composição corporal em consultas nutricionais;
  • Monitoramento de alterações em programas de exercícios;
  • Identificação de risco cardiometabólico;
  • Monitoramento do progresso em atletas.

Diversos estudos demonstraram que a soma das espessuras das pregas cutâneas pode estar relacionada a fatores de risco como distúrbios metabólicos. No entanto, os resultados podem variar dependendo da população e da técnica utilizada.

Além disso, esse método é usado quando ferramentas mais complexas, como a densitometria óssea (DEXA), não estão disponíveis. Embora seja menos preciso, continua sendo útil na prática clínica e esportiva.

Tabelas de dobras cutâneas

As tabelas de dobras cutâneas são usadas para interpretar os valores obtidos nas medições. Elas permitem a comparação dos resultados com valores de referência baseados em idade, sexo, nível de atividade física ou tipo de esporte praticado.

Essas tabelas geralmente apresentam percentis ou faixas de referência para uma ou mais dobras cutâneas, ou para a soma de várias dobras cutâneas. Em alguns casos, também podem ajudar a estimar a gordura corporal usando equações específicas.

Para consultar tabelas confiáveis, é recomendado usar estudos científicos atualizados ou referências normativas desenvolvidas em populações semelhantes. Alguns estudos recentes publicaram curvas com percentis baseados na soma das dobras cutâneas em adultos e valores de referência para atletas.

No entanto, nem todas as tabelas são aplicáveis ​​a todas as populações. Idade, sexo, nível de atividade física e esporte podem influenciar os resultados e sua interpretação.

Portanto, o mais adequado é utilizar tabelas que sejam o mais semelhantes possível em características como sexo, idade e esporte praticado, e a população na qual as medições serão realizadas.

Soma das dobras cutâneas

A soma das dobras cutâneas consiste em somar as espessuras de diversas dobras medidas em diferentes partes do corpo. É uma forma direta de avaliar a gordura subcutânea sem a necessidade de fórmulas complexas.

As somas mais comuns incluem:

  • Soma de 4 dobras cutâneas (tríceps, bíceps, subescapular e suprailíaca).
  • Soma de 8 dobras cutâneas (incluindo abdômen, coxa e panturrilha).

Essas somas são usadas para estimar a gordura corporal total ou analisar a sua distribuição. Também são utilizadas em estudos clínicos e esportivos para avaliar mudanças ao longo do tempo.

Alguns estudos demonstraram que a soma das dobras cutâneas pode estar relacionada ao risco cardiometabólico e à composição corporal medida métodos mais avançados. No entanto, a sua precisão depende da técnica e do avaliador.

Por isso, recomenda-se que as medições sejam feitas de forma padronizada e, sempre que possível, pelo mesmo profissional.

Quando não medir a dobra cutânea

Os principais casos em que a dobra cutânea não deve ser medida são:

  • Após exercício físico intenso: o exercício pode alterar a hidratação e a distribuição de líquidos nos tecidos, o que modifica temporariamente a espessura da dobra cutânea e reduz a precisão;
  • Na presença de edema ou retenção de líquidos: o acúmulo de líquidos pode aumentar artificialmente a espessura da pele, dificultando a estimativa precisa da gordura subcutânea;
  • Quando há lesões na pele: feridas, inflamações, queimaduras ou infecções na área de medição, impedem a medição correta da dobra cutânea e podem causar dor ou agravar a lesão;
  • Em pessoas com obesidade: nesses casos, pode ser difícil separar corretamente a dobra cutânea e a gordura do músculo, o que aumenta o erro de medição;
  • Durante estados de desidratação ou doença aguda: alterações na hidratação corporal podem afetar a elasticidade da pele e a consistência do tecido subcutâneo;
  • Se o avaliador não for treinado: a técnica depende muito da experiência. Uma execução inadequada pode levar a resultados pouco confiáveis;
  • Quando se usa equipamento não calibrado ou diferente entre as medições: isso impede a comparação válida dos resultados ao longo do tempo.

Nesses casos, a medição pode não refletir a verdadeira composição corporal. Portanto, quando houver dúvidas ou condições que possam afetar os resultados, recomenda-se adiar a avaliação ou usar outros métodos complementares sob supervisão profissional.

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