Parto cesárea: passo a passo, quando é indicada e possíveis complicações

fevereiro 2022

O parto cesárea, ou cesariana, é um tipo de parto em que o obstetra realiza um corte na região abdominal, sob anestesia aplicada na coluna vertebral da mulher pelo anestesista, para permitir o nascimento do bebê. 

Esse tipo de parto pode ser programado pelo obstetra com antecedência caso seja o desejo da mulher ou se houver risco de complicações para a mulher ou o bebê, como nos casos da diabetes gestacional ou trabalho de parto prolongado e sem dilatação completa, mas também pode ser feito em situações emergenciais como ruptura uterina ou infecção da placenta, por exemplo.

É importante ter acompanhamento pré-natal durante a gestação, para que o obstetra possa avaliar o estado de saúde da mulher e do bebê, e se necessário indicar a cesariana.

Passo a passo da cesárea

O primeiro passo de uma cesárea é a anestesia que é dada na coluna vertebral da grávida, devendo a mulher estar sentada para a administração da anestesia. A seguir, é colocado um cateter no espaço peridural para facilitar a administração de medicamentos e é colocada uma sonda para conter a urina.

Após o início do efeito a anestesia, o médico irá realizar um corte de aproximadamente 10 a 12 cm de largura na região abdominal, perto da "linha do biquíni", e irá cortar ainda mais 6 camadas de tecidos até chegar ao bebê. Em seguida, o bebê é retirado. 

Quando o bebê é retirado da barriga, o pediatra neonatologista deverá avaliar se o bebê está respirando corretamente e depois a enfermeira já pode mostrar o bebê a mãe, enquanto o médico retira também a placenta. O bebê será devidamente limpo, pesado e medido e só depois é que pode ser dado à mãe para a amamentação.

A parte final da cirurgia é o fechamento do corte. Neste ponto o médico irá costurar todas as camadas de tecido cortada para o parto, o que pode demorar em média 30 minutos.

É normal que após a cesárea seja formada uma cicatriz, no entanto após a retirada dos pontos e diminuição do inchaço da região, a mulher pode recorrer a massagens e cremes que devem ser aplicados no local, pois assim é possível deixar a cicatriz mais uniforme. Veja como cuidar da cicatriz da cesárea.

Quando a cesariana é indicada

A realização da cesariana deve ser discutida juntamente com o médico, pois assim é possível que seja feita uma avaliação geral do estado geral de saúde da mulher e do bebê. Além disso, a realização de exames de rotina com o médico são importantes para verificar a saúde ao longo da gestação e o desenvolvimento de complicações, como eclâmpsia, diabetes gestacional e alterações na placenta, por exemplo.

Apesar de ser muitas vezes indicada quando são verificados riscos para a mãe ou para o bebê associados à realização do parto normal, a cesariana pode ser realizada independentemente da presença de complicações, desde que seja o desejo da mulher. Veja mais sobre as indicações da cesariana.

1. Indicação absoluta

As indicações absolutas para realização da cesariana, referem-se a situações em que a cesariana é totalmente recomendada, e incluem:

  • Eclâmpsia ou pré-eclâmpsia;
  • Síndrome HELLP;
  • Ruptura uterina, pois pode colocar em risco a vida da mulher e do feto, exigindo o parto imediato;
  • Infecção da placenta e possivelmente do feto, exigindo o parto imediato;
  • Asfixia fetal ou acidose fetal, que são situações que podem que podem levar à hipóxia fetal, que é a diminuição ou ausência do oxigênio, e colocar em risco a vida do feto;
  • Prolapso do cordão umbilical, que é a saída do cordão umbilical pela abertura vaginal, antes do feto, o que pode levar à asfixia fetal;
  • Placenta prévia, que ocorre quando a placenta se posiciona sobre o orifício interno do colo do útero ou próximo dele, impedindo o parto vaginal;
  • Anormalidades na posição do feto, que impossibilitem o parto vaginal;
  • Pelve materna pequena, tornando o parto vaginal impossível;
  • Deformidade da pelve materna, devido à malformações congênitas, que impossibilitem o parto normal;
  • Gravidez de gêmeos, caso um dos bebês não se encontre na posição de nascimento, virado de cabeça para baixo;
  • Infecção ativa pelo vírus do herpes simples; 
  • Infecção materna pelo vírus do HIV, sem tratamento com antirretrovirais e/ou carga viral desconhecida ou maior que 1000.
  • Sofrimento fetal, na presença de sinais e sintomas como diminuição ou alteração dos batimentos cardíacos do feto, diminuição dos movimentos fetais e diminuição do volume de líquido amniótico.

Além disso, outras situações que têm indicações absolutas de parto cesárea são diabetes mellitus, doenças renais crônicas ou doenças pulmonares.

Nesses casos, ainda que os pais queiram um parto normal, a cesariana é a opção mais segura, sendo recomendada pelos médicos.

2. Indicação relativa

As indicações relativas para a realização da cesariana, referem-se a situações em que o médico pode indicar ou não a cesárea, e incluem:

  • Ter realizado duas ou mais cesarianas anteriormente;
  • Diabetes gestacional, nos casos em que o peso estimado do feto na ultrassonografia é maior do que 4,5 Kg; 
  • Feto com peso estimado, pela ultrassonografia, maior que 5 Kg;
  • Falha do progresso do trabalho de parto normal, encontrando-se estacionado, sendo prolongado e sem dilatação completa. 

Nesses casos, o obstetra deve avaliar a gestação e as condições de saúde da mãe e do bebê e, se for necessário, indicar a cesariana.

Possíveis riscos

A cesárea é considerada um procedimento seguro, no entanto devido ao uso de anestesia e ao fato de ser um procedimento invasivo, há maior risco de complicações, principalmente quando comparada ao parto normal, sendo os principais:

  • Desenvolvimento de infecção;
  • Hemorragias;
  • Trombose;
  • Lesão do bebê durante a cirurgia;
  • Má cicatrização ou dificuldade na cicatrização, principalmente em mulheres com excesso de peso;
  • Formação de queloide;
  • Dificuldade na amamentação;
  • Placenta acreta, que é quando a placenta fica presa ao útero após o parto;
  • Placenta prévia;
  • Endometriose.

Estas complicações são mais frequentes em mulheres que fizeram 2 ou mais cesáreas, pois a repetição do procedimento aumenta as chances de complicações no parto e de problemas de fertilidade.

Além disso, é importante ter em mente que o cesariana apenas aumenta o risco, o que não significa que estes problemas aconteçam, já que normalmente os partos por cesárea decorrem sem complicações.

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Atualizado por Marcela Lemos - Biomédica, em fevereiro de 2022. Revisão médica por Drª. Sheila Sedicias - Ginecologista, em fevereiro de 2016.

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Revisão médica:
Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
Médica mastologista e ginecologista formada pela Universidade Federal de Pernambuco, em 2008 com registro profissional no CRM PE 17459.