8 situações em que a cesárea é recomendada (e quando fazer)

Revisão médica: Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
julho 2022

A cesariana é indicada em situações em que o parto normal não é possível ou quando apresentaria maior risco para a mulher e o bebê, como no caso de placenta prévia ou descolamento da placenta, ruptura uterina, sofrimento fetal ou até mesmo posição errada do bebê.

A decisão pela cesariana deve ser feita pelo obstetra levando em consideração o desejo da mulher em ter o parto normal, ou não, e seu estado geral de saúde.

Apesar do parto normal ser a melhor forma do bebê nascer, este por vezes é contraindicado, sendo necessário realizar uma cesárea. Cabe ao médico fazer a decisão final após verificar o estado de saúde da mulher e do bebê. 

Com quantas semanas posso fazer cesárea?

De acordo com o Conselho Federal de Medicina [1], a cesárea a pedido da mulher pode ser feita a partir da 39ª semana, ou 273 dias de gestação. Isto porque, antes das 39 semanas de gestação, os órgãos do bebê ainda não estão completamente maduros, o que aumenta o risco de complicações respiratórias, hepáticas ou cerebrais.

Quando a cesárea é indicada

Algumas situações em que a realização da cesárea é indicada são:

1. Placenta prévia total ou descolamento da placenta

A placenta prévia acontece quando a mesma está fixada em um local que impede a passagem do bebê pelo canal do parto, sendo possível que a placenta saia antes do bebê. Já o descolamento da placenta ocorre quando a mesma se solta do útero antes do nascimento do bebê. 

A indicação de cesárea para estas situações se dá por a placenta ser a responsável pela chegada de oxigênio e nutrientes para o bebê e quando esta encontra-se comprometida, o bebê é prejudicado pela falta de oxigênio, o que pode levar a danos cerebrais. 

2. Ruptura uterina

A ruptura uterina, também conhecida como rotura uterina, é uma complicação obstétrica grave em que há rompimento da musculatura do útero durante o último trimestre de gravidez ou no momento do parto, o que pode resultar em sangramentos excessivos e dor abdominal intensa, podendo colocar em risco a vida da mulher e do bebê, sendo neste caso recomendada a cesariana imediata.

3. Rotura de vasa prévia

A vasa prévia é uma condição em que as membranas que contêm vasos sanguíneos que conectam o cordão umbilical a placenta, ficam próximas ou passam pelo colo do útero, podendo-se romper e causar sangramento intenso na mulher e no bebê, sendo considerada uma situação de emergência obstétrica, em que a cesárea deve ser realizada imediatamente.

4. Bebês com síndromes ou doenças

Os bebês que foram diagnosticados com algum tipo de síndrome, doença ou malformações, como hidrocefalia ou onfalocele, que é a quando o fígado ou intestino do bebê estão do lado de fora do corpo, devem sempre nascer através da cesárea. Isso porque o processo do parto normal pode lesionar os órgãos no caso da onfalocele, e as contrações uterinas podem danificar o cérebro, no caso de hidrocefalia. 

5. Quando a mãe possui IST’s

Quando a mãe possui alguma infecção sexualmente transmissível (IST), como a herpes genital ativa, o bebê pode ser contaminado no momento da passagem do bebê pelo canal vaginal e, por isso, é mais indicado fazer o parto cesárea. 

Para mulheres que têm infecção pelo vírus HIV, a cesárea eletiva é indicada quando a mulher não está em tratamento com antirretrovirais, a contagem de CD4 é baixa ou desconhecida, e/ou a carga viral é desconhecida ou maior que 1000.

No entanto, se a mulher realizar o tratamento para a IST específica que possui, e ter a infecção controlada poderá tentar o parto normal. 

6. Quando o cordão umbilical sai primeiro

Durante o trabalho de parto, pode ocorrer do cordão umbilical passar pelo colo do útero e sair pela abertura vaginal, antes do feto. Esta situação é conhecida como prolapso do cordão umbilical, e aumenta o risco do bebê ficar sem oxigênio, sendo neste caso recomendado pelo obstetra a cesárea de emergência.

7. Posição errada do bebê

Se o bebê permanecer em alguma posição, que não a de cabeça para baixo, como deitado de lado ou com a cabeça para cima, e não virar até antes do parto, é mais indicado fazer uma cesárea porque existe um maior risco para a mulher e o bebê, já que as contrações não são fortes o suficiente, tornando o parto normal mais complicado.

A cesariana também pode ser indicada quando o bebê está de cabeça para baixo mas está posicionado com a cabeça levemente virada para trás com o queixo mais voltado para cima, esta posição aumenta o tamanho da cabeça do bebê, dificultando a passagem pelos ossos do quadril da mãe. 

8. Sofrimento fetal

Quando ocorre alteração ou diminuição dos batimentos cardíacos do bebê, diminuição dos movimentos fetais e diminuição do volume de líquido amniótico, há indícios de sofrimento fetal e neste caso pode ser necessário uma cesariana, pois, com os batimentos mais fracos, o bebê pode ter falta de oxigênio no cérebro, o que leva a danos cerebrais, como deficiência motora ou paralisia cerebral, por exemplo.

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Atualizado por Manuel Reis - Enfermeiro, em julho de 2022. Revisão médica por Drª. Sheila Sedicias - Ginecologista, em fevereiro de 2016.

Bibliografia

  • CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. RESOLUÇÃO CFM Nº 2.284, DE 22 DE OUTUBRO DE 2020. 2020. Disponível em: <https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-cfm-n-2.284-de-22-de-outubro-de-2020-321640891>. Acesso em 24 mar 2022
  • UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA. Indicações de Cesárea. 2019. Disponível em: <https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/25310/1/Indicac%CC%A7o%CC%83es%20de%20cesarea_HCU_UFU.pdf>. Acesso em 18 mai 2021
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  • MYLONAS, Ioannis; FRIESE, Klaus. Indications for and Risks of Elective Cesarean Section. Dtsch Arztebl Int. 112. 29-30; 489–495, 2015
  • VAARASMAKI, M.; RAUDASKOSKI, T. Pregnancy and delivery after a cesarean section. Duodecim. 133. 4; 345-52, 2017
  • Dirección General de Salud Reproductiva. Cesárea segura. Lineamiento Técnico, 2002. Subsecretaría de Prevención y Protección de la Salud.
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  • OMS. Intrapartum care for a positive childbirth experience. Disponível em: <http://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/260178/9789241550215-eng.pdf;jsessionid=4A81548085FA5BA8D6343723756F0397?sequence=1>. Acesso em 27 dez 2021
  • MINISTÉRIO DA SAÚDE SECRETARIA DE ATENÇÃO À SAÚDE. Portaria Nª 306. 2016. Disponível em: <https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/sas/2016/prt0306_28_03_2016.html>. Acesso em 27 dez 2021
Revisão médica:
Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
Médica mastologista e ginecologista formada pela Universidade Federal de Pernambuco, em 2008 com registro profissional no CRM PE 17459.