Colecistite: o que é, sintomas, tipos e tratamento

A colecistite é a inflamação da vesícula biliar, uma pequena bolsa que fica em contato com o fígado, e que armazena a bile, um fluido muito importante para a digestão de gorduras. Esta inflamação pode ser aguda, sendo chamada de colecistite aguda, com sintomas intensos e de rápida piora, ou crônica, com sintomas mais leves e que podem durar semanas ou meses.

A colecistite é causada principalmente por pedras na vesícula biliar, mas também pode surgir devido a tumor nas vias biliares ou infecções, por exemplo, levando ao surgimento de sintomas como dor em cólica do lado direito da barriga, náuseas, vômitos, febre ou sensibilidade à palpação do abdome.

O tratamento da colecistite é feito pelo gastroenterologista, com internamento hospitalar, e cirurgia para retirar a vesícula, além do uso de remédios anti-inflamatórios para aliviar a dor e a inflamação.

Colecistite: o que é, sintomas, tipos e tratamento

Principais sintomas

O sintoma mais característico de colecistite é a dor abdominal, no entanto, outros sintomas podem variar de acordo com o tipo de colecistite que inclui:

1. Colecistite aguda

Na maior parte dos casos, os sintomas da colecistite aguda incluem:

  • Dor tipo cólica na parte superior direita do abdome, que dura mais de 6 horas. Esta dor pode também começar acima do umbigo e só depois se deslocar para a parte superior direita;
  • Dor abdominal que irradia para o ombro direito ou para as costas;
  • Sensibilidade no abdômen durante a palpação no exame médico;
  • Náuseas e vômitos;
  • Perda do apetite;
  • Febre, abaixo de 39ºC;
  • Mal estar generalizado;
  • Palpitações cardíacas;
  • Pele e olhos amarelados, em alguns casos.

Esses sintomas costumam surgir cerca de 1 hora ou um pouco mais após a ingestão de alimentos gordurosos, já que a bile é utilizada pelo corpo para ajudar a digerir as gorduras e absorver nutrientes.

No entanto, em pacientes acima dos 60 anos ou mais debilitados, os sintomas podem ser diferentes. Nesses casos é importante estar atento a outros sinais tais como confusão mental, febre e a pele mais fria e azulada. Nestes casos, deve-se ir rapidamente ao hospital.

2. Colecistite crônica

A colecistite crônica é uma inflamação arrastada, de longa duração. É provocada por um processo semelhante ao da colecistite aguda, podendo também estar ou não associada à presença de pedra.

Os sintomas normalmente aparecem após a ingestão de alimentos ricos em gorduras e ao final do dia, sendo semelhantes aos da colecistite aguda, mas mais leves:

  • Dor na parte superior direita do abdome, que irradia para o ombro direito ou para as costas;
  • Crises de dor mais intensa, que melhoram passadas algumas horas, cólica biliar;
  • Sensibilidade no abdômen durante a palpação no exame médico;
  • Náuseas, vômitos, perda de apetite, sensação de inchaço e aumento de gases;
  • Sensação de desconforto;
  • Pele e olhos amarelados, em alguns casos.

A colecistite crônica parece ser causada por pequenos episódios de inflamação da vesícula biliar, que acontecem várias vezes, ao longo do tempo. Como consequência dessas crises repetidas, a vesícula pode sofrer alterações, se tornando menor e com paredes mais espessas.

Além disso, podem surgir algumas complicações, como a calcificação das suas paredes, chamada de vesícula de porcelana, a formação de fístulas, uma pancreatite ou, até, o desenvolvimento de câncer.

Tipos de colecistite

Os tipos de colecistite podem ser classificadas de acordo com o mecanismo que a originou e inclui:

  • Colecistite litiásica ou calculosa: é a principal causa de colecistite e é mais frequente em mulheres de meia idade. Acontece quando uma pedra, também chamada de cálculo, causa a obstrução do ducto que faz o esvaziamento da bile. Assim, a bile se acumula na vesícula e a torna distendida e inflamada. Entenda melhor o que causa a pedra na vesícula;
  • Colecistite alitiásica: é mais rara e causa inflamação da vesícula sem presença de cálculos. Os sintomas são semelhantes aos da colecistite litiásica, mas o tratamento é mais difícil e com piores chances de cura, já que normalmente acontece em pessoas gravemente doentes.

Esses tipos de colecistite podem produzir sintomas agudos ou crônicos, sendo mais frequentes na colecistite litiásica.

Em qualquer caso, a colecistite deve ser tratada o mais rápido possível, não se devendo esperar muito além de 6 horas após o aparecimento dos sintomas, para evitar complicações mais graves como rompimento da vesícula ou infecção generalizada.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico da colecistite é feito pelo gastroenterologista ou clínico geral, por meio da avaliação dos sintomas e através do exame físico, em que o médico procura o sinal de Murphy, muito frequente na colecistite, e que consiste em pedir à pessoa para inspirar profundamente, enquanto se pressiona o abdome na parte superior direita. O sinal é considerado positivo quando a pessoa suspende a inspiração devido a dor, ao ter o abdômen pressionado.

Além disso, para confirmar o diagnóstico, o médico pode solicitar exames de sangue, como hemograma e enzimas do fígado, e exames de imagem, como ultrassom abdominal ou endoscópica, ou tomografia computadorizada.

Outro exame que o médico pode solicitar é a colecintilografia, geralmente utilizada quando o resultado do ultrassom não é claro o suficiente para avaliar se a vesícula está espessa ou inflamada, ou se tem problemas no seu enchimento.

Possíveis causas

A principal causa de colecistite é pedra na vesícula, pois impede que a bile seja liberada para o intestino, provocando uma inflamação na vesícula biliar.

Outras situações que podem causar a colecistite são:

  • Pedras na vesícula: levam a uma obstrução do fluxo da bile da vesícula para o intestino, causando inflamação na vesícula biliar, que pode ter sintomas ou não, e geralmente é a causa mais comum de colecistite;
  • Nódulo ou tumor na vesícula: podem impedir que a bile seja liberada no intestino, o que leva ao seu acumulo dentro da vesícula, provocando inflamação;
  • Bloqueio do ducto biliar: pode ocorrer devido a torção ou cicatrizes no ducto biliar, levando a bloqueios na liberação da bile e inflamação da vesícula;
  • Infecções: algumas infecções virais, como HIV, podem causar inflamação da vesícula biliar;
  • Danos nos vasos sanguíneos: pois podem reduzir o fluxo de sangue para a vesícula biliar, levando a sua inflamação.

Além disso, a inflamação na vesícula também pode ocorrer por causas que ainda não são bem esclarecidas, mas estão em risco as pessoas idosas, que estão criticamente doentes, que passaram por uma cirurgia complicada ou diabéticos, por exemplo.

Como é feito o tratamento

O tratamento para colecistite geralmente é iniciado com o internamento no hospital para ajudar a controlar a inflamação e aliviar a dor para, em seguida, ser feita a cirurgia de retirada da vesícula. Geralmente, é recomendado que a vesícula seja operada ainda nos primeiros 3 dias do início da inflamação aguda.

Assim, o tratamento pode incluir:

1. Jejum

Como a vesícula é utilizada na digestão, o médico pode recomendar fazer jejum e parar a ingestão de comida e água durante algum tempo para aliviar a pressão na vesícula e melhorar os sintomas.

2. Fluídos diretamente na veia

Os fluidos são aplicados diretamente na veia devido à restrição para comer ou beber, é necessário manter a hidratação do organismo. Além disso, junto com os fluidos, pode-se aplicar remédios para controlar a inflamação e a dor.

3. Remédios

Os remédios que o gastroenterologista pode indicar são:

  • Analgésicos: podem ser usados até que a dor alivie e a inflamação da vesícula reduza;
  • Antibióticos: em mais de metade dos casos, a vesícula se torna infectada em 48h após o início da colecistite, pois a sua distensão facilita a proliferação de bactérias no seu interior.

Além disso, o médico pode indicar o uso de antieméticos, para aliviar as náuseas e vômitos.

4. Cirurgia para retirar a vesícula biliar

A cirurgia para retirar a vesícula biliar é a principal forma de tratamento da colecistite e, geralmente é feita por videolaparoscopia, pois permite uma recuperação mais rápida. Entenda como é feita a Cirurgia de vesícula e como é a recuperação.

Nos casos em que a colecistite é muito grave e o paciente não tem condições clínicas para se submeter imediatamente a uma cirurgia, é feita uma drenagem da vesícula biliar, que ajuda a retirar o pus da vesícula e diminuir a inflamação, podendo assim abrir o canal obstruído. Ao mesmo tempo, são administrados antibióticos para impedir que a vesícula fique infectada. Após o quadro estar mais estável, a cirurgia para retirar a vesícula já pode ser feita.

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