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Colecistite aguda e crônica: o que são, sintomas e tratamento

A colecistite é a inflamação da vesícula biliar, uma pequena bolsa que fica em contato com o fígado, e que armazena a bile, um fluido muito importante para a digestão de gorduras. Esta inflamação pode ser aguda, sendo chamada de colecistite aguda, com sintomas intensos e de rápida piora, ou crônica, com sintomas mais leves e que se arrastam por semanas a meses.

Uma colecistite provoca sinais e sintomas como dor abdominal em cólica, náuseas, vômitos, febre e sensibilidade à palpação do abdome. A dor por mais de 6 horas ajuda a diferenciar a colecistite aguda da dor da colelitíase crônica.

Colecistite aguda e crônica: o que são, sintomas e tratamento

A inflamação aguda da vesícula biliar pode acontecer por meio de 2 mecanismos:

  • Colecistite litiásica ou calculosa: é a principal causa de colecistite e é mais frequente em mulheres de meia idade. Acontece quando uma pedra, também chamada de cálculo, causa a obstrução do ducto que faz o esvaziamento da bile. Assim, a bile se acumula na vesícula e a torna distendida e inflamada. Entenda o que causa a pedra na vesícula;

  • Colecistite alitiásica: é mais rara e causa inflamação da vesícula sem presença de cálculos. Os sintomas são semelhantes aos da colecistite litiásica, mas o tratamento é mais difícil e com piores chances de cura, já que normalmente acontece em pessoas gravemente doentes.

Em qualquer caso, a colecistite deve ser tratada o mais rápido possível, não se devendo esperar muito além de 6 horas após o aparecimento dos sintomas, para evitar complicações mais graves como rompimento da vesícula ou infecção generalizada.

Principais sintomas

O sintoma mais característico de colecistite é a dor abdominal, no entanto, outros sintomas podem variar caso seja uma doença aguda ou crônica.

1. Colecistite aguda

Na maior parte dos casos, os sinais e sintomas de colecistite incluem:

  • Dor tipo cólica na parte superior direita do abdome, que dura mais de 6 horas. Esta dor pode também começar acima do umbigo e só depois se deslocar para a parte superior direita;
  • Dor abdominal que irradia para o ombro direito ou para as costas;
  • Sensibilidade no abdome durante a palpação no exame médico;
  • Náuseas e vômitos, com perda de apetite;
  • Febre, abaixo de 39ºC;
  • Aparência de mal estar generalizado;
  • Batimento cardíaco acelerado;
  • Pele e olhos amarelados, em alguns casos.

Além destes sinais, o médico também procura o sinal de Murphy, que é muito frequente na colecistite e que consiste em pedir à pessoa para inspirar profundamente, enquanto se pressiona o abdome na parte superior direita. O sinal é considerado positivo e, por isso, indicativo de colecistite, quando a pessoa sustem a respiração, não conseguindo continuar a inspirar.

Os sintomas indicados costumam surgir cerca de 1 hora ou um pouco mais após a ingestão de alimentos gordurosos, já que a bile é utilizada pelo corpo para ajudar a digerir as gorduras e absorver nutrientes.

No entanto, em pacientes acima dos 60 anos ou mais debilitados, os sintomas podem ser diferentes. Nesses casos é importante estar atento a outros sinais tais como confusão mental, febre e a pele mais fria e azulada. Nestes casos, deve-se ir rapidamente ao hospital.

2. Colecistite crônica

A colecistite crônica é uma inflamação arrastada, de longa duração. É provocada por um processo semelhante ao da colecistite aguda, podendo também estar ou não associada à presença de pedra. 

Os sintomas normalmente aparecem após a ingestão de alimentos ricos em gorduras e ao final do dia, sendo semelhantes aos da colecistite aguda, mas mais leves:

  • Dor na parte superior direita do abdome, que irradia para o ombro direito ou para as costas;
  • Crises de dor mais intensa, que melhoram passadas algumas horas, cólica biliar;
  • Sensibilidade no abdome durante a palpação no exame médico;
  • Náuseas, vômitos, perda de apetite, sensação de inchaço e aumento de gases;
  • Sensação de desconforto;
  • Pele e olhos amarelados, em alguns casos.

A colecistite crônica parece ser causada por pequenos episódios de inflamação da vesícula biliar, que acontecem várias vezes, ao longo do tempo. Como consequência dessas crises repetidas, a vesícula pode sofrer alterações, se tornando menor e com paredes mais espessas. Também pode acabar desenvolvendo complicações, como a calcificação das suas paredes, chamada de vesícula de porcelana, a formação de fístulas, uma pancreatite ou, até, o desenvolvimento de câncer.

Como confirmar o diagnóstico

Quando surgem sintomas sugestivos de colecistite é recomendado consultar um clínico geral ou gastroenterologista para fazer a análise do caso e realizar exames de diagnóstico, como exames de sangue, ultrassom ou colecintilografia.

A colecintilografia geralmente é mais utilizada quando o resultado do ultrassom não é claro o suficiente para avaliar se a vesícula está espessada ou inflamada, ou se tem problemas no seu enchimento.

Colecistite aguda e crônica: o que são, sintomas e tratamento

Quais são as causas

Na maioria dos casos a colecistite é provocada por cálculos na vesícula, que causam a obstrução do fluxo da bile num canal chamado ducto cístico, que permite a saída de bile da vesícula. A maioria dos casos também ocorre associado a uma condição de cálculos na vesícula , que pode ter sintomas ou não, sendo que cerca de ¼ das pessoas com cálculos irão desenvolver colecistite aguda em algum momento.

Em alguns casos, a obstrução não acontece por um cálculo, mas por um nódulo, um tumor, presença de parasitas ou até mesmo após uma cirurgia às vias biliares. 

Já nos casos de colecistite alitiásica, a inflamação na vesícula ocorre por causas que ainda não são bem esclarecidas, mas estão em risco as pessoas idosas, que estão criticamente doentes, que passaram por uma cirurgia complicada ou diabéticos, por exemplo.

Como é feito o tratamento

O tratamento para colecistite geralmente é iniciado com o internamento no hospital para ajudar a controlar a inflamação e aliviar a dor para, em seguida, ser feita a cirurgia de retirada da vesícula. Geralmente, é recomendado que a vesícula seja operada ainda nos primeiros 3 dias do início da inflamação aguda.

Assim, o tratamento pode incluir:

  • Jejum: como a vesícula é utilizada na digestão, o médico pode recomendar parar a ingestão de comida e água durante algum tempo para aliviar a pressão na vesícula e melhorar os sintomas;
  • Fluídos diretamente na veia: devido à restrição para comer ou beber, é necessário manter a hidratação do organismo com soro fisiológico diretamente na veia;
  • Antibióticos: em mais de metade dos casos, a vesícula se torna infectada em 48h após o início da colecistite, pois a sua distensão facilita a proliferação de bactérias no seu interior;
  • Analgésicos: podem ser usados até que a dor alivie e a inflamação da vesícula reduza;
  • Cirurgia para retirar a vesícula biliar: a colecistectomia videolaparoscópica é a principal forma de cirurgia para tratar a colecistite. Este método permite uma recuperação mais rápida, pois é menos agressivo ao organismo. Entenda como é feita a cirurgia da vesícula e como é a recuperação.

Nos casos em que a colecistite é muito grave e o paciente não tem condições clínicas para se submeter imediatamente a uma cirurgia, é feita uma drenagem da vesícula biliar, que ajuda a retirar o pus da vesícula e diminuir a inflamação, podendo assim abrir o canal obstruído. Ao mesmo tempo, são administrados antibióticos para impedir que a vesícula fique infectada. Após o quadro estar mais estável, a cirurgia para retirar a vesícula já pode ser feita. 


Bibliografia

  • Longo, DL et al.. Harrison’s Principles of Internal Medicine. 19th ed. New York: McGraw-Hill, 2015.
  • MAYO CLINIC. Cholecystitis. Link: <www.mayoclinic.org>. Acesso em 07 Jun 2019
  • MEDSCAPE. Cholecystitis. Link: <emedicine.medscape.com>. Acesso em 07 Jun 2019
  • Brunicardi, FC et al. . Schwartz’s Principles of Surgery. 10th edition. New York: McGraw-Hill, 2015.
  • WEBMD. What Is Cholecystitis?. Link: <www.webmd.com>. Acesso em 07 Jun 2019
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