Bisfenol A (BPA): o que é, riscos (e como saber se o plástico é livre)

Evidência científica

O bisfenol A, também conhecido como BPA, é uma substância química muito usada na fabricação de plásticos de policarbonato e resinas epóxi, sendo encontrado em recipientes para armazenar comida, garrafas de plástico e latas de conserva, por exemplo.

Quando esses recipientes são aquecidos ou reutilizados de forma excessiva, por exemplo, o bisfenol A é liberado e pode migrar para o alimento.

A ingestão de alimentos e bebidas com BPA poderia trazer alguns riscos para a saúde, como danos ao sistema imunológico e aumento do risco de câncer, por exemplo. No entanto, ainda são necessários estudos mais robustos em seres humanos para avaliar os possíveis riscos do bisfenol A para a saúde.

Imagem ilustrativa número 1

Possíveis riscos para a saúde

Os possíveis riscos do bisfenol A para a saúde são:

1. Danos ao sistema imunológico

Segundo a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), a exposição ao BPA pode causar danos ao sistema imunológico.

Estudos mostraram que, mesmo doses muito baixas de bisfenol A podem estar relacionados a um aumento de glóbulos brancos, as células T helper, no baço, o que pode levar ao desenvolvimento de doenças autoimunes e inflamações nos pulmões, como a asma.

2. Problemas reprodutivos e de fertilidade

O bisfenol A pode causar problemas de fertilidade, pois a exposição a esse composto foi associada à diminuição da contagem total e motilidade dos espermatozoides sêmen.

Além disso, o BPA também foi relacionado a problemas no sistema reprodutivo feminino, como cistos no ovário, além de alterações potencialmente nocivas no desenvolvimento da próstata e da glândula mamária.

No entanto, órgãos como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a EFSA ressaltam que as pesquisas em seres humanos possuem limitações.

Isso porque a maioria dos estudos é de observação da exposição e o problema de saúde em um único momento, e como o corpo elimina o BPA pela urina em poucas horas, usar uma única amostra de urina para representar anos de exposição não é adequado.

3. Aumento do risco de câncer

Acredita-se que o BPA pode atuar como um imitador do estrogênio, estimulando vias de sinalização que promovem a divisão e o crescimento celular excessivo. Além disso, o contato com o BPA pode afetar a estabilidade do DNA, facilitando o ambiente para o desenvolvimento de células cancerígenas.

Entretanto, as agências de saúde ressaltam que o câncer é uma doença complexa e multifatorial, influenciada por genética, estilo de vida e exposição ambiental.

Além disso, estudos toxicológicos tradicionais forneceram evidências fracas para classificar o BPA como carcinogênico. Por isso, os cientistas afirmam que são necessários mais estudos para avaliar o potencial carcinogênico do bisfenol A.

4. Alterações neurológicas e comportamentais

Estudos que acompanharam mães e seus filhos sugerem que a exposição ao BPA durante a gravidez está associada a problemas comportamentais no futuro, como agressividade e hiperatividade.

No entanto, a OMS, a FAO a EFSA e o Ministério da Saúde do Brasil ressaltam que os estudos em seres humanos possuem limitações. Por isso, ainda não é possível confirmar a relação do BPA com a toxicidade neurocomportamental.

BPA free

O termo "BPA free", que em português significa "livre de BPA", é usado em rótulos ou selos pela indústria para indicar quando um produto não contém bisfenol A a sua composição.

Como saber se o plástico é livre de BPA?

Para saber se o plástico é livre de BPA, é aconselhado observar se o produto contém, rótulos e selos "BPA free".

É importante também observar nas embalagens a presença do nº "7" dentro do símbolo triangular de reciclagem. Essa categoria geralmente identifica  recipientes feitos com policarbonato.

Quais produtos têm BPA?

Os produtos que têm bisfenol A são:

  • Garrafas de água retornáveis e reutilizáveis;
  • Potes e vasilhas para armazenamento de alimentos;
  • Pratos, copos, talheres e outros utensílios de plástico;
  • Revestimento interno de latas de alimentos e bebidas;
  • Revestimento de tampas de metal usadas em potes e garrafas de vidro, como potes de papinhas infantis;
  • Tanques e equipamentos usados na produção, armazenamento e transporte de alimentos e bebidas, como tanques para vinho e cerveja.

O bisfenol A também está presente em em CDs, utensílios médicos, lentes de óculos, alguns brinquedos, silicones, borrachas, eletrodomésticos e encanamentos, tubos de abastecimento de água e caixas d'água residenciais.

Como evitar o uso de BPA?

Para diminuir o contato com o bisfenol A, é aconselhado usar recipientes de plástico "BPA free", ou optar pelo uso de recipientes de vidro, porcelana, aço inoxidável ou bambu, especialmente para embalar comida.

É aconselhado também evitar aquecer a comida em recipientes de plástico, evitar enlatados e a reutilização excessiva de plásticos velhos, por exemplo.

Outra dica é evitar colocar alimentos muito ácidos, como molho de tomate e frutas cítricas, alcalinos ou ricos em gordura em potes de plástico. Isso porque esses tipos de alimentos aceleram a quebra das ligações químicas do plástico, facilitando a liberação do BPA.

Quantidade máxima de BPA

No Brasil ainda não se estabelece uma quantidade diária máxima de BPA, mas se recomenda limites máximos que podem passar da embalagem para o alimento.

Na União Europeia, a quantidade máxima de segurança de BPA indicada pela EFSA é de 0,2 bilionésimos de grama por quilo de peso corporal por dia. Além disso, desde 2025, a Comissão Europeia proibiu o uso e a comercialização de bisfenol A em materiais de contato direto com alimentos.

No Brasil e na União Europeia, é proibida a importação, a fabricação e a comercialização de mamadeiras que contêm BPA.

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