Artrogripose: o que é, sintomas, causas e tratamento

agosto 2022
  1. Sintomas
  2. Diagnóstico
  3. Causas
  4. Tratamento

A artrogripose é uma condição congênita que pode ser identificada logo após o nascimento e que causa deformidade e rigidez das articulações, fazendo com que o bebê não consiga realizar movimentos ou mudar sua posição.

A artrogripose acontece principalmente em bebês que tiveram algum problema durante o parto que prejudicou a sua capacidade de se movimentar, como diminuição do líquido amniótico, alterações genéticas ou doenças relacionadas com a mãe, como esclerose múltipla, por exemplo.

O tratamento para a artrogripose deve ser orientado pelo pediatra e tem como objetivo reduzir a rigidez da articulação e/ou corrigir as deformidades, favorecendo o movimento do bebê. Pode ser indicada a realização de sessões de fisioterapia ou cirurgia, por exemplo.

Sintomas de artrogripose

O principal sintoma da artrogripose é a rigidez, flexão ou extensão exagerada de uma articulação. Além disso, pode-se observar:

  • Ombros virados para dentro;
  • Punhos e dedos dobrados;
  • Deslocamento do quadril;
  • Pé torto, virado para dentro;
  • Escoliose, em que a coluna fica em forma de S ou C;
  • Joelhos e/ou cotovelos estendidos;
  • Limitação de movimento;
  • Fraqueza muscular;
  • Atrofia muscular, em alguns casos;
  • Em alguns casos, pode também haver comprometimento do sistema nervoso central, no entanto a inteligência é preservada.

Apesar dos sintomas de artrogripose não serem progressivos, a causa que leva a essa condição pode ser, de forma que o bebê pode apresentar outras alterações ao longo do tempo. Por isso, é importante que a causa seja identificada de forma precoce para que o tratamento mais adequado seja iniciado, prevenindo alterações que possam comprometer a qualidade de vida da pessoa.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico da artrogripose costuma ser feito logo após o nascimento, através da avaliação física, em que é observado que o bebê tem dificuldades para mexer determinada articulação e/ou mudar de posição.

Durante a gestação é possível sugerir a ocorrência dessa condição devido à avaliação de algumas condições relacionadas à gestação e à mulher, como quantidade de líquido amniótico, doenças ou alterações genéticas. 

Além disso, após o nascimento, podem ser realizados exames genéticos e de imagem para avaliar a saúde óssea e das articulações do bebê, assim como para investigar a causa associada e, dessa forma, ser possível realizar um tratamento mais específico e adequado.

Possíveis causas

A artrogripose pode acontecer como consequência de diversas situações, no entanto está normalmente associada a condições que interfiram diretamente na movimentação do bebê durante a gestação, sendo as principais:

  • Diminuição da quantidade de líquido amniótico;
  • Gestação múltipla;
  • Má-formação uterina;
  • Infecções, como por exemplo a infecção pelo Zika vírus;
  • Doenças genéticas relacionadas com o feto, como neuropatias, distrofia muscular, atrofia muscular espinhal, trissomia do cromossomo 18, por exemplo;
  • Doenças maternas, como esclerose múltipla e alteração na vascularização uterina, por exemplo.

Além disso, o uso de drogas e abuso de bebidas alcoólicas durante a gestação, assim como o uso de medicamentos sem a orientação médica, podem ter como consequência o desenvolvimento de artrogripose.

Como é feito o tratamento

O tratamento para artrogripose pode variar de acordo com a alteração observada. Na maioria dos casos, é indicada a manipulação pelo médico e o uso de gesso nas articulações, logo nos primeiros meses de vida, o que permite melhora das alterações. No entanto, em alguns casos, pode ser necessária a realização de cirurgia para favorecer o desenvolvimento ósseo correto e a movimentação da articulação.

É interessante também a realização de sessões de fisioterapia, pois assim é possível prevenir a atrofia muscular, além de promover o fortalecimento do músculo, lubrificação das articulações e melhora dos movimentos.

Cirurgia para artrogripose

A cirurgia ortopédica pode ser indicada para correção de casos de pé torto congênito, grave flexão do joelhos, luxação do ombro, do quadril ou outras situações em que pode ser possível melhorar a maleabilidade das articulações, como cápsulas, ligamentos e músculos com fibrose. Além disso, em caso de escoliose, pode ser indicado colocar um aparelho para fixar a coluna até o sacro, quando o ângulo da escoliose é maior que 40º.

A criança com artrogripose pode passar por mais de 1 cirurgia ao longo da vida, sendo recomendado sempre fazer sessões de fisioterapia antes e depois da cirurgia, sendo no mínimo 30 sessões de pré e pós-operatório. 

Fisioterapia para artrogripose

A fisioterapia deve ser realizada especialmente antes e logo depois da cirurgia, mas também pode ser indicada em outros períodos da vida, podendo ser realizada desde o nascimento até quando recomendado pelo médico. 

Preferencialmente, a fisioterapia deve ser realizada 2 vezes por semana, com sessões de cerca de 1 hora, mas além disso, é necessário que os pais ou cuidadores façam os exercícios passivos e de estimulação em casa, que tenham sido orientados pelo fisioterapeuta durante a consulta. Cada bebê ou criança deve ser avaliado pessoalmente, porque não existe um protocolo que sirva para todos os casos de artrogripose.

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Atualizado por Manuel Reis - Enfermeiro, em agosto de 2022. Revisão médica por Dr.ª Sani Santos Ribeiro - Pediatra e Pneumologista infantil, em maio de 2022.

Bibliografia

  • TAVARES, Fernanda S.; ARAÚJO, Fernando José S.; SANTOS, Vitorino M. et al. Artrogripose múltipla congênita coexistente com puberdade precoce idiopática isossexual. Brasília Med. Vol 49. 4 ed; 289-293, 2012
  • ORPHA ANESTESIA. Recomendações anestésicas para Artrogripose múltipla congênita. 2019. Disponível em: <https://www.orpha.net/data/patho/Ans/pt/Artrogripose-multipla-congenita-PT.pdf>. Acesso em 27 dez 2021
Mostrar bibliografia completa
  • SVARTMAN, Celso; FUCS, Patrícia M. M. B.; KERTZMAN, Paulo F. et al. Artrogripose múltipla congênita Revisão de 56 pacientes. Rev Bras Ortop. Vol 30. 1-2 ed; 45-52, 1995
Revisão médica:
Dr.ª Sani Santos Ribeiro
Pediatra e Pneumologista infantil
Médica formada pela Universidade Federal do Rio Grande com CRM nº 28364 e especialista em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria.