Artrogripose: o que é, sintomas, causas e tratamento

A Artrogripose Múltipla Congênita (AMC) é uma condição caracterizada por deformidade e rigidez das articulações, sendo identificada logo após o nascimento, uma vez que o bebê apresenta a articulação mais flexionada ou estendida e não consegue realizar movimentos ou mudar a posição.

A ocorrência da artrogripose está principalmente associada a condições que interfiram na movimentação do bebê durante a gestação, como diminuição da quantidade de líquido amniótico, alterações genéticas ou doenças relacionadas com a mãe, como esclerose múltipla, por exemplo.

O tratamento para a artrogripose é iniciado logo nos primeiros meses de vida e tem como objetivo promover a movimentação da articulação, podendo ser indicado pelo médico  a manipulação da articulação e colocação de gesso, realização de fisioterapia ou a cirurgia, em alguns casos.

Artrogripose: o que é, sintomas, causas e tratamento

Sintomas de artrogripose

O principal sintoma da artrogripose é a rigidez, flexão ou extensão de uma articulação. As alterações ligadas à artrogripose estão relacionadas com a articulação afetada, podendo ser verificada:

  • Ombros virados para dentro;
  • Punhos e dedos dobrados;
  • Deslocamento do quadril;
  • Pé torto, virado para dentro;
  • Escoliose, em que a coluna fica em forma de S ou C;
  • Joelhos e/ou cotovelos estendidos;
  • Limitação de movimento;
  • Fraqueza muscular;
  • Atrofia muscular, em alguns casos;
  • Em alguns casos, pode também haver comprometimento do sistema nervoso central, no entanto a inteligência é preservada.

Apesar dos sintomas de artrogripose não serem progressivos, a causa que leva a essa condição pode ser, de forma que o bebê pode apresentar outras alterações ao longo do tempo. Por isso, é importante que a causa seja identificada de forma precoce para que o tratamento mais adequado seja iniciado, prevenindo alterações que possam comprometer a qualidade de vida da pessoa.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da artrogripose costuma ser feito logo após o nascimento, através da avaliação física, em que é observado que o bebê tem dificuldades para mexer determinada articulação e/ou mudar de posição.

Durante a gestação é possível sugerir a ocorrência dessa condição devido à avaliação de algumas condições relacionadas à gestação e à mulher, como quantidade de líquido amniótico, doenças ou alterações genéticas. 

Além disso, após o nascimento, podem ser realizados exames genéticos e de imagem para avaliar a saúde óssea e das articulações do bebê, assim como para investigar a causa associada e, dessa forma, ser possível realizar um tratamento mais específico e adequado.

Possíveis causas

A artrogripose pode acontecer como consequência de diversas situações, no entanto está normalmente associada a condições que interfiram diretamente na movimentação do bebê durante a gestação, sendo as principais:

  • Diminuição da quantidade de líquido amniótico;
  • Gestação múltipla;
  • Má-formação uterina;
  • Infecções, como por exemplo a infecção pelo Zika vírus;
  • Doenças genéticas relacionadas com o feto, como neuropatias, distrofia muscular, atrofia muscular espinhal, trissomia do cromossomo 18, por exemplo;
  • Doenças maternas, como esclerose múltipla e alteração na vascularização uterina, por exemplo.

Além disso, o uso de drogas e abuso de bebidas alcoólicas durante a gestação, assim como o uso de medicamentos sem a orientação médica, podem ter como consequência o desenvolvimento de artrogripose.

Como é feito o tratamento

O tratamento para artrogripose pode variar de acordo com a alteração observada. Na maioria dos casos, é indicada a manipulação pelo médico e o uso de gesso nas articulações, logo nos primeiros meses de vida, o que permite melhora das alterações. No entanto, em alguns casos, pode ser necessária a realização de cirurgia para favorecer o desenvolvimento ósseo correto e a movimentação da articulação.

É interessante também a realização de sessões de fisioterapia, pois assim é possível prevenir a atrofia muscular, além de promover o fortalecimento do músculo, lubrificação das articulações e melhora dos movimentos.

Cirurgia para artrogripose

A cirurgia ortopédica pode ser indicada para correção de casos de pé torto congênito, grave flexão do joelhos, luxação do ombro, do quadril ou outras situações em que pode ser possível melhorar a maleabilidade das articulações, como cápsulas, ligamentos e músculos com fibrose. Além disso, em caso de escoliose, pode ser indicado colocar um aparelho para fixar a coluna até o sacro, quando o ângulo da escoliose é maior que 40º.

A criança com artrogripose pode passar por mais de 1 cirurgia ao longo da vida, sendo recomendado sempre fazer sessões de fisioterapia antes e depois da cirurgia, sendo no mínimo 30 sessões de pré e pós-operatório. 

Fisioterapia para artrogripose

A fisioterapia deve ser realizada especialmente antes e logo depois da cirurgia, mas também pode ser indicada em outros períodos da vida, podendo ser realizada desde o nascimento até quando recomendado pelo médico. 

Preferencialmente, a fisioterapia deve ser realizada 2 vezes por semana, com sessões de cerca de 1 hora, mas além disso, é necessário que os pais ou cuidadores façam os exercícios passivos e de estimulação em casa, que tenham sido orientados pelo fisioterapeuta durante a consulta. Cada bebê ou criança deve ser avaliado pessoalmente, porque não existe um protocolo que sirva para todos os casos de artrogripose.

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Bibliografia

  • TAVARES, Fernanda S.; ARAÚJO, Fernando José S.; SANTOS, Vitorino M. et al. Artrogripose múltipla congênita coexistente com puberdade precoce idiopática isossexual. Brasília Med. Vol 49. 4 ed; 289-293, 2012
  • ORPHA ANESTESIA. Recomendações anestésicas para Artrogripose múltipla congênita. 2019. Disponível em: <https://www.orpha.net/data/patho/Ans/pt/Artrogripose-multipla-congenita-PT.pdf>. Acesso em 27 Dez 2021
  • SVARTMAN, Celso; FUCS, Patrícia M. M. B.; KERTZMAN, Paulo F. et al. Artrogripose múltipla congênita Revisão de 56 pacientes. Rev Bras Ortop. Vol 30. 1-2 ed; 45-52, 1995
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