Apraxia da fala: o que é, sintomas, causas e tratamento

Revisão clínica: Rosa Maria Rodriguez Antonio
Fonoaudióloga
maio 2022

A apraxia é um distúrbio da fala em que a pessoa tem dificuldade para falar, por não conseguir articular corretamente os músculos envolvidos na fala. No entanto, é capaz de raciocinar corretamente, apresentando apenas dificuldade para articular as palavras, podendo arrastar algumas palavras e distorcer sons.

As causas da apraxia variam de acordo com o tipo de apraxia, podendo ser genéticas ou ocorrer como resultado de uma lesão cerebral, como é comum em casos de AVC.

O tratamento é feito geralmente com sessões de terapia da fala e com a prática de exercícios em casa, que devem ser recomendados pelo terapeuta da fala ou fonoaudiólogo.

Tipos e causas de apraxia da fala

Existem dois tipos principais de apraxia da fala, que são classificados em função do momento em que surgiu:

1. Apraxia congênita

A apraxia da fala congênita está presente no nascimento e é detetado na infância, quando a criança começa a aprender a falar. Ainda não se sabe ao certo quais as causas que estão na sua origem, mas pensa-se que pode estar relacionada com fatores genéticos ou associada a doenças como autismo, paralisia cerebral, epilepsia, condições metabólicas ou um distúrbio neuromuscular.

2. Apraxia adquirida

A apraxia adquirida pode ocorrer em qualquer fase da vida, sendo causada por uma lesão cerebral, devido a um acidente, infecção, AVC, tumor no cérebro ou devido a uma doença neurodegenerativa.

Principais sinais e sintomas

O principal sinal de apraxia é a dificuldade para falar e articular palavras, devido à incapacidade de movimentar corretamente o maxilar, lábios e língua, o que que pode resultar em:

  • Fala arrastada;
  • Discurso com um número limitado de palavras;
  • Distorção de alguns sons;
  • Pausas entre sílabas ou palavras.

No caso das crianças que já nascem com apraxia, geralmente é possível suspeitar do distúrbio quando apresentam muita dificuldade para dizer algumas palavras, especialmente se forem muito longas. Além disso, muitas crianças apresentam atraso no desenvolvimento da linguagem, que pode manifestar-se não só na construção das frases orais, mas também na linguagem escrita.

Como confirmar o diagnóstico

De forma a distinguir a apraxia da fala de outros distúrbios que podem apresentar sintomas semelhantes, o médico geralmente executa alguns testes de audição para perceber se a dificuldade para falar está relacionada com problemas auditivos, ao invés de alterações nos músculos da fala. Além disso, pode ainda realizar um exame físico aos lábios, maxilar e língua, para entender se existe alguma malformação que esteja na origem do problema.

Veja outros distúrbios da fala que podem apresentar sintomas semelhantes.

Como é feito o tratamento

A apraxia geralmente tem cura e o tratamento tende a ser feito com sessões de terapia da fala, que são adaptadas à severidade da apraxia que a pessoa apresenta. Durante estas sessões, que devem ser frequentes, a pessoa pratica sílabas, palavras e frases, com a orientação de um terapeuta.

Além disso, deve continuar a praticar em casa, podendo executar alguns exercícios fonoaudiólogos recomendados pelo terapeuta da fala ou fonoaudiólogo.

Quando a apraxia da fala é muito severa, e não melhora com terapia da fala, pode ser necessário adotar outros métodos de comunicação, como linguagem gestual, por exemplo.

Qual a relação entre apraxia e dispraxia?

A apraxia e a dispraxia são duas condições que se relacionam à uma dificuldade na fala, sendo que a apraxia é um distúrbio que envolve uma falta de coordenação dos músculos, podendo levar a uma perda total das habilidades da fala e pode ocorrer em qualquer fase da vida. 

Já a dispraxia, ocorre devido a alterações no sistema nervoso, geralmente presente desde o nascimento, levando a uma dificuldade para desenvolver a linguagem e pronunciar as palavras de forma adequada. Além disso, a dispraxia também pode afetar os movimentos do corpo ou a postura. Entenda melhor o que é a dispraxia.

Por isso, é importante consultar o médico para que seja identificado o tipo de alteração da fala e realizar o tratamento mais adequado.

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Atualizado por Manuel Reis - Enfermeiro, em maio de 2022. Revisão clínica por Rosa Maria Rodriguez Antonio - Fonoaudióloga, em agosto de 2020.

Bibliografia

  • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE APRAXIA DA FALA NA INFÂNCIA. GUIA PRÁTICO DE CONSCIENTIZAÇÃO DA APRAXIA DE FALA NA INFÂNCIA. 2019. Disponível em: <https://apraxiabrasil.org/site/wp-content/uploads/2020/05/CARTILHA-APRAXIA-DE-FALA-NA-INF%C3%82NCIA-1.pdf>. Acesso em 07 ago 2020
  • SOUZA, Thaís Nobre Uchôa. Apraxia da fala adquirida e desenvolvimental: semelhanças e diferenças. Rev Soc Bras Fonoaudiol.. Vol.12. 2.ed; 193-202, 2008
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  • NATIONAL INSTITUTE ON DEAFNESS AND OTHER COMMUNICATION DISORDERS. Apraxia of Speech. Disponível em: <https://www.nidcd.nih.gov/health/apraxia-speech>. Acesso em 07 ago 2020
  • AMERICAN-SPEECH-LANGUAGE-HEARING ASSOCIATION. Acquired Apraxia of Speech. Disponível em: <https://www.asha.org/PRPSpecificTopic.aspx?folderid=8589942115§ion=Signs_and_Symptoms>. Acesso em 07 ago 2020
Fonoaudióloga
Formada pela Universidade Lusíadas de Santos, em 1991, com registro profissional no CRFa. nº 6020.