A queda de cabelo em mulheres pode estar relacionada à deficiência de ferro, especialmente quando a ferritina, proteína que indica as reservas do mineral, está baixa. Um estudo observou melhora do crescimento dos fios entre pacientes que apresentaram maior elevação da ferritina após a reposição. No entanto, valores como 40 a 70 ng/mL não formam um ponto de corte universal, e o tratamento só deve ser iniciado após uma investigação que confirme a deficiência e descarte outras causas.
Como a falta de ferro pode afetar o cabelo?
O ferro participa do transporte de oxigênio e de processos necessários para a multiplicação das células, incluindo aquelas presentes nos folículos capilares. Quando os estoques estão reduzidos, o organismo pode priorizar funções vitais e limitar recursos destinados ao crescimento dos fios, favorecendo uma queda difusa conhecida como eflúvio telógeno.
A ferritina ajuda a estimar a reserva de ferro, mas precisa ser interpretada junto com hemograma, saturação de transferrina e o estado de saúde da paciente. Infecções e inflamações podem elevar esse marcador, enquanto menstruação intensa, alimentação restritiva, gestação, pós-parto e problemas de absorção podem reduzi-lo.
O que o estudo encontrou após a reposição?
Segundo o estudo Diagnosis and treatment of female alopecia: Focusing on the iron deficiency-related alopecia, publicado no Tzu Chi Medical Journal, 155 mulheres com queda capilar foram avaliadas em um centro médico de Taiwan. Os pesquisadores acompanharam os níveis de ferritina, hemoglobina e a condição dos cabelos a cada três meses após a reposição de ferro.
As participantes que relataram melhora do crescimento capilar também apresentaram maior aumento da ferritina. Os autores consideraram 40 a 60 ng/mL uma faixa adequada para o crescimento no contexto analisado e sugeriram investigação ampla antes do tratamento. Como o trabalho foi retrospectivo e avaliou melhora subjetiva, ele não prova que elevar a ferritina até determinado número fará o cabelo de todas as mulheres voltar a crescer.

Quais sinais podem sugerir deficiência de ferro?
A queda capilar relacionada ao ferro pode aparecer junto com outras alterações, mas os sintomas não substituem exames:
- Queda difusa: aumento de fios no banho, na escova, no travesseiro e ao passar a mão pelo cabelo.
- Redução do volume: o rabo de cavalo parece mais fino e o couro cabeludo pode ficar mais visível.
- Cansaço e fraqueza: podem ocorrer quando a deficiência progride, com ou sem anemia já instalada.
- Palidez e falta de ar: são mais sugestivas de anemia e merecem avaliação médica.
- Unhas frágeis: podem acompanhar a falta de ferro, mas também têm diversas outras causas.
- Menstruação intensa: aumenta a perda de ferro e deve ser mencionada durante a consulta.
O que deve ser investigado antes de tomar ferro?
A Sociedade Brasileira de Dermatologia destaca que o eflúvio telógeno pode ter diferentes gatilhos. Por isso, a avaliação costuma considerar:
- Alterações da tireoide, principalmente quando há cansaço, pele seca, frio excessivo ou mudança de peso.
- Estresse intenso, infecções, febre alta, cirurgia ou emagrecimento rápido nos meses anteriores.
- Gravidez e pós-parto, períodos em que mudanças hormonais podem antecipar a fase de queda.
- Dietas restritivas, baixa ingestão de proteínas e deficiências de ferro, zinco, vitamina B12 ou vitamina D.
- Medicamentos novos, doenças autoimunes e alterações no couro cabeludo.
- Alopecia androgenética, que costuma causar afinamento progressivo e pode coexistir com eflúvio telógeno.

Quando procurar um dermatologista?
A avaliação é indicada quando a queda persiste por várias semanas, reduz o volume dos cabelos, provoca falhas, vem acompanhada de coceira ou descamação ou surge com cansaço e menstruação intensa. O dermatologista pode examinar o couro cabeludo e solicitar exames para diferenciar deficiência de ferro, causas de queda de cabelo feminino, alterações hormonais e doenças inflamatórias.
O suplemento de ferro não deve ser usado apenas porque a ferritina está abaixo de 40, 60 ou 70 ng/mL. A decisão depende do conjunto de exames, sintomas, presença de inflamação e motivo da deficiência. Doses desnecessárias podem causar náusea, prisão de ventre e acúmulo de ferro, enquanto tratar somente o exame pode atrasar o diagnóstico da verdadeira causa da queda.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento realizados por um profissional de saúde. Antes de usar ferro ou qualquer suplemento para queda de cabelo, procure orientação médica e faça uma investigação individualizada.









