Uma dieta personalizada a partir da microbiota intestinal manteve por mais tempo a melhora dos sintomas da síndrome do intestino irritável quando comparada a uma estratégia low FODMAP padronizada em um ensaio clínico com acompanhamento de 12 meses. As duas abordagens reduziram os sintomas inicialmente, mas a diferença apareceu com o passar do tempo. O resultado é promissor para a nutrição personalizada, embora ainda não seja suficiente para tornar testes de microbiota parte do tratamento de rotina.
Qual dieta teve melhor resultado depois de 1 ano?
Nas primeiras seis semanas, as duas estratégias produziram melhora semelhante. Cerca de 73% dos participantes de cada grupo responderam ao tratamento nesse período, mostrando que tanto a alimentação personalizada quanto a dieta low FODMAP conseguiram aliviar os sintomas no curto prazo.
A diferença ficou mais evidente posteriormente. Aos 12 meses, 62,5% dos participantes avaliados no grupo personalizado ainda eram considerados respondedores, contra 34,5% no grupo low FODMAP. A pontuação de gravidade dos sintomas também permaneceu abaixo do nível inicial no primeiro grupo, enquanto parte do benefício observado com a low FODMAP diminuiu ao longo do seguimento.
Como funcionava a dieta guiada pela microbiota?
A personalização foi além de simplesmente recomendar alimentos considerados bons para a flora intestinal. Os pesquisadores analisaram amostras fecais com sequenciamento do gene 16S rRNA e utilizaram informações sobre a abundância de diferentes grupos bacterianos em um algoritmo para estimar um perfil relacionado aos sintomas.
A partir desses dados, o sistema definiu metas nutricionais individualizadas e as transformou em recomendações alimentares. Isso é diferente de usar probióticos de forma genérica ou escolher alimentos fermentados com a intenção de melhorar a microbiota.

O que o estudo encontrou?
O ensaio clínico randomizado multicêntrico publicado em 2026 no Gut Microbes acompanhou adultos com síndrome do intestino irritável que haviam completado seis semanas de uma das duas intervenções. Os principais resultados foram:
- as duas dietas reduziram a gravidade dos sintomas após seis semanas;
- a melhora permaneceu aos seis e 12 meses no grupo com dieta personalizada;
- aos 12 meses, 62,5% do grupo personalizado e 34,5% do grupo low FODMAP preencheram o critério de resposta;
- qualidade de vida e medidas de ansiedade e depressão apresentaram trajetórias mais favoráveis no grupo personalizado;
- a diversidade da microbiota aumentou de forma mais persistente nesse grupo, embora maior diversidade não signifique automaticamente uma microbiota mais saudável.
Os participantes não receberam uma nova personalização baseada na microbiota durante o acompanhamento. Portanto, o trabalho avaliou quanto tempo os efeitos da recomendação criada no início poderiam permanecer.
Para entender melhor os sintomas e as diferentes formas de controlar a síndrome do intestino irritável, veja as orientações do Tua Saúde.
Isso significa que a dieta personalizada é melhor que a low FODMAP?
Ainda não é possível chegar a essa conclusão para todos os pacientes. Alguns detalhes do estudo limitam a comparação direta com a forma como a alimentação para síndrome do intestino irritável é conduzida atualmente.
- apenas participantes que completaram a intervenção inicial entraram no seguimento;
- aos 12 meses, havia dados clínicos de 40 pessoas no grupo personalizado e 29 no grupo low FODMAP;
- o estudo foi aberto, portanto os participantes sabiam qual estratégia estavam seguindo;
- a low FODMAP utilizada como comparação não incluiu acompanhamento contínuo com reintrodução estruturada dos alimentos;
- ainda faltam ensaios maiores para confirmar se testes da microbiota realmente ajudam a escolher a melhor dieta para cada paciente.
A American Gastroenterological Association orienta que a low FODMAP seja feita em fases, com restrição por período limitado, seguida da reintrodução dos alimentos e personalização conforme a tolerância individual. Por isso, o novo estudo aponta um caminho interessante para a nutrição de precisão, mas não justifica substituir uma estratégia já estabelecida por testes de microbiota sem orientação profissional. Pessoas com dor abdominal, diarreia, prisão de ventre ou inchaço persistentes devem procurar um gastroenterologista e um nutricionista para avaliação individual.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento realizado por médico ou outro profissional de saúde qualificado.








