Perceber muitos fios no banho, na escova ou no travesseiro pode ter relação com reservas reduzidas de ferro, mesmo quando a hemoglobina ainda aparece normal no exame de sangue. A ferritina ajuda a mostrar quanto ferro está armazenado no organismo e pode estar baixa em mulheres com eflúvio telógeno, um tipo de queda difusa que altera temporariamente o ciclo dos fios. O resultado, porém, deve ser interpretado com outros exames e com a avaliação do couro cabeludo.
Como a ferritina baixa interfere no ciclo do cabelo?
Os folículos capilares possuem células que se multiplicam rapidamente e dependem de nutrientes para manter a fase de crescimento. Quando as reservas de ferro diminuem, o organismo prioriza funções essenciais, e uma quantidade maior de fios pode entrar antecipadamente na fase de repouso, favorecendo o eflúvio telógeno.
Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, esse quadro provoca aumento da queda diária, percebido principalmente ao lavar ou pentear o cabelo. A perda costuma ser espalhada pelo couro cabeludo e pode surgir alguns meses depois de infecções, cirurgias, parto, estresse intenso, dietas restritivas ou deficiências nutricionais.
É possível ter ferritina baixa sem apresentar anemia?
Sim. A hemoglobina mostra a capacidade do sangue de transportar oxigênio, enquanto a ferritina representa principalmente o estoque de ferro. Por isso, as reservas podem cair antes que o hemograma mostre anemia, situação em que a mulher pode apresentar queda de cabelo, cansaço ou unhas frágeis apesar de a hemoglobina permanecer dentro da referência.
O valor considerado normal também varia entre laboratórios. Alguns estudos dermatológicos usam níveis entre 40 e 70 ng/mL como pontos de atenção ou faixas consideradas mais favoráveis ao crescimento capilar, mas não existe um valor ideal universal. A interpretação da ferritina no exame de sangue deve considerar idade, sintomas, inflamação e demais marcadores do ferro.

Quais sinais podem acompanhar a baixa reserva de ferro?
Além da queda difusa, alguns sintomas ajudam o médico a avaliar a possibilidade de deficiência:
- Cansaço frequente: falta de energia mesmo após descanso adequado.
- Unhas frágeis: descamação, quebra fácil ou mudança no formato.
- Palidez e tontura: sinais que podem ficar mais evidentes quando a deficiência avança.
- Falta de ar aos esforços: queixa mais comum quando já existe anemia.
- Menstruação intensa: a perda frequente de sangue pode reduzir gradualmente as reservas de ferro.
Quais exames ajudam a encontrar a causa da queda?
A investigação pode incluir exames clínicos e laboratoriais escolhidos conforme o histórico:
- Hemograma completo: verifica a hemoglobina e alterações no tamanho das hemácias.
- Ferritina sérica: estima as reservas de ferro, mas pode subir durante processos inflamatórios.
- Ferro e saturação da transferrina: complementam a avaliação da disponibilidade do mineral.
- TSH: ajuda a identificar alterações da tireoide que também causam queda difusa.
- Avaliação dermatológica: diferencia eflúvio telógeno, alopecia androgenética, quebra dos fios e doenças do couro cabeludo.

Estudo encontrou ferritina menor em mulheres com eflúvio telógeno
Segundo o estudo Assessment of Serum Ferritin Levels in Female Patients With Telogen Effluvium, publicado na revista científica Cureus, 50 mulheres com eflúvio telógeno apresentaram ferritina média de 24,30 ng/mL, enquanto 50 participantes sem o quadro tiveram média de 44,78 ng/mL. A diferença foi estatisticamente significativa.
O levantamento reforça a associação entre ferritina baixa e queda difusa, mas não prova que o ferro reduzido seja a única causa. Estresse, alterações hormonais, doenças recentes, perda rápida de peso e medicamentos também podem desencadear o problema. Por isso, não é indicado tomar suplemento de ferro sem confirmar a deficiência e investigar sua origem, como menstruação volumosa, alimentação insuficiente, sangramentos ou dificuldade de absorção.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação médica. Diante de queda intensa, redução perceptível do volume dos fios ou sintomas associados, procure um dermatologista, clínico geral ou hematologista para interpretar os exames e indicar o tratamento adequado.









