Sentir dor ou notar um inchaço embaixo da mandíbula que surge ou piora durante as refeições pode indicar a presença de um cálculo obstruindo a saída da saliva, quadro conhecido como sialolitíase ou pedra na glândula salivar. Quando o alimento estimula a produção de saliva, ela encontra a passagem bloqueada e se acumula dentro da glândula, provocando o inchaço característico e a dor que aliviam algumas horas depois. Esse padrão cíclico ligado à comida ajuda a diferenciar o quadro de dor dentária, problemas na articulação da mandíbula e inflamações de garganta, que seguem outros gatilhos.
O que é a sialolitíase?
A sialolitíase é a formação de pequenas pedras nos ductos que levam a saliva das glândulas salivares até a boca. Esses cálculos são compostos principalmente por fosfato e carbonato de cálcio, e podem surgir por desidratação, baixa ingestão de água, tabagismo, gota ou uso de medicamentos que reduzem o fluxo salivar.
A maior parte dos cálculos aparece nas glândulas submandibulares, localizadas embaixo da mandíbula, porque o ducto dessa glândula é longo e sinuoso, o que favorece o depósito de cristais. Vale entender o funcionamento das glândulas salivares para reconhecer os primeiros sinais de obstrução.
Quais são os principais sintomas?
Os sintomas costumam aparecer de forma cíclica, sempre relacionados à alimentação, e ajudam a levantar a suspeita do quadro antes mesmo dos exames de imagem. Os sinais mais comuns incluem:
- Inchaço embaixo da mandíbula ou na lateral do rosto que surge nas refeições
- Dor localizada que piora ao mastigar, engolir ou ver comida
- Alívio gradual do desconforto entre uma refeição e outra
- Sensação de boca seca ou redução no fluxo de saliva
- Gosto ruim na boca, especialmente ao pressionar a região
- Caroço palpável no assoalho da boca ou embaixo do queixo
- Febre e vermelhidão local quando surge infecção associada

Como diferenciar de outras causas de dor na região?
A dor da sialolitíase segue um padrão bem particular, ligado ao estímulo da produção de saliva, e essa característica ajuda a separá-la de outros quadros. A dor dentária costuma ser contínua, com sensibilidade ao frio e ao quente, sem inchaço embaixo da mandíbula.
Já a dor na ATM aparece ao abrir a boca, mastigar ou bocejar, com estalos e travamento na articulação, mas sem o inchaço cíclico. Inflamações de garganta produzem dor ao engolir e ínguas no pescoço, com febre e vermelhidão na orofaringe, sintomas diferentes do padrão obstrutivo das pedras salivares.
O que dizem os estudos científicos?
Pesquisas em cirurgia de cabeça e pescoço confirmam que a sialolitíase é a causa mais comum de obstrução das glândulas salivares e que o diagnóstico precoce evita complicações. Segundo a revisão Contemporary Review of Submandibular Gland Sialolithiasis and Surgical Management Options, publicada em 2022 na revista Cureus, cerca de 80% dos cálculos salivares se formam nas glândulas submandibulares e podem evoluir para celulite extensa e formação de abscessos quando não tratados.
A revisão, que analisou 77 artigos, também aponta que pedras pequenas e acessíveis respondem bem a tratamentos conservadores, enquanto cálculos maiores podem exigir sialendoscopia, litotripsia por ondas de choque ou remoção cirúrgica. O acompanhamento com especialista em cabeça e pescoço define a melhor conduta.

Como é feito o tratamento?
O tratamento varia conforme o tamanho, a localização da pedra e a intensidade dos sintomas. Entre as opções disponíveis, as mais utilizadas são:
- Hidratação abundante para estimular o fluxo salivar e ajudar a eliminar cálculos pequenos
- Massagem local na região da glândula para deslocar a pedra em direção à boca
- Compressas mornas aplicadas várias vezes ao dia para aliviar o inchaço
- Estimulantes salivares, como balas azedas ou limão, que aumentam o fluxo da saliva
- Anti-inflamatórios para redução da dor e do desconforto local
- Antibióticos, quando há sinais de infecção associada como febre e pus
- Sialendoscopia ou cirurgia, indicadas para cálculos maiores ou de difícil acesso
Quando a obstrução gera inflamação persistente da glândula, o quadro pode evoluir para uma sialoadenite, exigindo tratamento específico. Por isso, a avaliação precoce com cirurgião buco maxilofacial ou cirurgião de cabeça e pescoço é essencial para preservar a função da glândula salivar.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Se você apresenta dor ou inchaço embaixo da mandíbula que aparecem durante as refeições, procure um cirurgião buco maxilofacial, cirurgião de cabeça e pescoço ou clínico geral para diagnóstico e tratamento adequados.









