Pele escurecida, ressecada, com coceira ou descamação perto dos tornozelos pode estar relacionada à circulação venosa, especialmente quando também existem inchaço, sensação de peso ou varizes. Uma das possíveis causas é o eczema varicoso, também chamado de dermatite de estase, uma inflamação da pele associada ao aumento persistente da pressão nas veias das pernas. Como outras doenças de pele podem causar sintomas semelhantes, a aparência sozinha não confirma o diagnóstico.
Por que um problema nas veias pode alterar a pele?
Na insuficiência venosa crônica, as válvulas das veias podem não conseguir impedir adequadamente o refluxo do sangue. Isso aumenta a pressão dentro dos vasos das pernas e favorece o acúmulo de líquido e processos inflamatórios nos tecidos próximos, principalmente na região inferior das pernas.
Uma revisão científica publicada em 2023, Stasis Dermatitis: An Overview of Its Clinical Presentation, Pathogenesis, and Management, descreve a dermatite de estase como uma manifestação cutânea da hipertensão venosa. Entre as alterações características estão mudança de cor, coceira, ressecamento e descamação da pele.
Como costuma ser o eczema varicoso?
Segundo o NHS, o eczema varicoso costuma atingir a parte inferior das pernas e pode alternar períodos de melhora e piora. Dependendo da cor da pele, a região afetada pode adquirir tonalidade avermelhada, marrom, roxa ou acinzentada, além de ficar seca, irritada ou descamativa.
Também é comum que exista inchaço, principalmente no fim do dia ou depois de muito tempo em pé. Algumas pessoas apresentam varizes visíveis, enquanto outras percebem inicialmente apenas alterações na pele e desconforto nas pernas.

Quais sinais combinam com uma alteração venosa?
Algumas características tornam importante investigar a circulação das pernas:
- escurecimento ou manchas perto dos tornozelos;
- pele seca, descamativa ou com coceira persistente;
- inchaço nos pés ou tornozelos, sobretudo ao final do dia;
- sensação de peso, dor ou cansaço nas pernas;
- presença de varizes ou veias dilatadas;
- pele que começa a ficar mais endurecida ou sensível;
- feridas próximas ao tornozelo que demoram para cicatrizar.
Esses sinais também podem aparecer em outras condições, incluindo dermatite de contato e infecções de pele. Por isso, a avaliação clínica é importante antes de atribuir qualquer mancha ou descamação à circulação.
O que pode fazer parte do tratamento?
O tratamento depende tanto das alterações da pele quanto do problema venoso que está por trás delas. Entre as medidas que podem ser indicadas estão:
- uso regular de hidratantes para reduzir o ressecamento;
- corticoides tópicos por períodos determinados quando existe inflamação importante;
- manter-se fisicamente ativo, quando não houver contraindicação;
- elevar as pernas em alguns períodos para ajudar a reduzir o inchaço;
- usar meias de compressão quando houver indicação profissional;
- tratar a insuficiência venosa ou as varizes quando necessário.
As meias de compressão não devem ser iniciadas por conta própria em todas as situações. Antes delas, pode ser necessário avaliar também a circulação arterial, porque determinados problemas nas artérias tornam a compressão inadequada ou exigem ajustes específicos.

Quando a alteração no tornozelo merece avaliação?
Manchas que persistem, aumentam ou aparecem acompanhadas de descamação, inchaço, coceira frequente ou dermatite de estase recorrente merecem avaliação médica. Dependendo do quadro, o diagnóstico pode envolver exame da pele e investigação da circulação venosa, inclusive com ultrassom Doppler em situações selecionadas.
Feridas que não cicatrizam, dor importante, calor ou vermelhidão intensa, secreção, febre ou inchaço súbito de uma perna precisam de avaliação mais rápida, porque podem indicar complicações ou outra causa para os sintomas. Dermatologista, angiologista ou cirurgião vascular podem orientar a investigação de acordo com as alterações encontradas.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação ou orientação médica profissional.








