Feridas persistentes na boca, principalmente as aftas recorrentes, estão frequentemente ligadas à deficiência de vitamina B12, ácido fólico (B9), vitamina B2 e ferro. Esses nutrientes participam da renovação celular da mucosa oral e da manutenção do sistema imunológico. Quando estão em falta, as lesões demoram mais para cicatrizar e podem voltar em intervalos curtos, um padrão conhecido como estomatite aftosa recorrente. Identificar o nutriente em déficit é o primeiro passo para interromper esse ciclo.
Por que a falta de vitamina B12 e ácido fólico causa feridas na boca?
A vitamina B12 e o ácido fólico participam da síntese de DNA e da renovação celular, processos essenciais para a saúde da mucosa oral. Quando esses nutrientes estão em falta, as células da boca não se regeneram no ritmo adequado e as lesões demoram mais para cicatrizar.
A deficiência é mais comum em vegetarianos estritos, idosos, gestantes e pessoas com problemas de absorção intestinal, como doença celíaca. Para conhecer o quadro clínico completo, vale consultar o guia sobre estomatite aftosa e como identificar a condição.
Como o ferro e a vitamina B2 afetam a cicatrização oral?
O ferro transporta oxigênio até os tecidos, incluindo a mucosa da boca, e sua falta prejudica diretamente a cicatrização. A vitamina B2, ou riboflavina, participa da manutenção da integridade das membranas mucosas e do metabolismo energético celular.
A deficiência simultânea de ferro e vitaminas do complexo B costuma provocar aftas maiores, mais dolorosas e com tempo de cicatrização prolongado. Fontes alimentares e formas de tratar são discutidas no material sobre aftas frequentes e principais causas.

Quais nutrientes verificar e onde encontrá-los?
Diante de feridas recorrentes na boca, é importante avaliar o aporte alimentar e investigar carências específicas. As principais fontes desses nutrientes são:
- Vitamina B12: carnes vermelhas, peixes, ovos, leite e derivados; suplementação frequente em vegetarianos estritos.
- Ácido fólico (B9): vegetais verde-escuros, feijão, lentilha, brócolis e frutas cítricas.
- Vitamina B2: fígado, ovos, leite, iogurte, amêndoas e cogumelos.
- Ferro: carnes vermelhas, fígado, feijão e vegetais folhosos; associar à vitamina C melhora a absorção.
- Zinco: castanhas, sementes, carnes e frutos do mar, importante como cofator na cicatrização.
O que dizem os estudos científicos sobre feridas na boca e deficiências nutricionais?
A relação entre estomatite aftosa recorrente e alterações hematológicas é analisada em revisões sistemáticas publicadas em periódicos internacionais revisados por pares, alinhadas às orientações da Sociedade Brasileira de Estomatologia sobre investigação de carências nutricionais.
Segundo a meta-análise Hematological parameters in patients with recurrent Aphthous Stomatitis, publicada na revista BMC Oral Health, pessoas com deficiência de vitamina B12 apresentaram risco cerca de três vezes maior de desenvolver estomatite aftosa recorrente em comparação com indivíduos saudáveis. Os autores também identificaram associação significativa entre a condição e níveis reduzidos de ferritina e hemoglobina, o que reforça a importância de solicitar exames como hemograma, dosagem de B12, ácido fólico e ferritina em pessoas com aftas frequentes.

Quando as feridas na boca exigem avaliação médica?
A maioria das aftas cicatriza sozinha em 7 a 14 dias, mesmo sem tratamento específico. Quando a lesão persiste ou vem acompanhada de outros sinais, é fundamental buscar avaliação para descartar causas mais sérias:
- Feridas com mais de 15 dias: podem indicar câncer bucal, lúpus, sífilis, tuberculose ou infecção por HIV.
- Lesões maiores que 1 cm: aftas gigantes exigem investigação e podem deixar cicatriz.
- Recorrência mensal: aparecimento a cada 15 ou 30 dias sugere estomatite aftosa recorrente com causa a investigar.
- Sintomas associados: febre, perda de peso, ínguas no pescoço, alterações na voz ou sangramento persistente merecem consulta urgente.
- Feridas indolores: quando não doem, aumentam a suspeita de lesões mais graves que exigem biópsia.
- Histórico de doença sistêmica: pacientes com doença de Crohn, doença celíaca ou HIV precisam de acompanhamento próximo.
Na dúvida sobre a causa da lesão, vale conhecer o guia sobre ferida na boca e quando procurar avaliação médica ou odontológica. A investigação precoce evita complicações e permite corrigir a carência antes que outras manifestações apareçam.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, dentista ou estomatologista. Diante de feridas persistentes na boca, procure um profissional de saúde qualificado para diagnóstico, solicitação de exames e tratamento adequado ao seu caso.









