A lesão no músculo adutor da coxa é uma das mais comuns no futebol e uma das que mais afastam jogadores de campo. Localizados na parte interna da coxa, os adutores são responsáveis por movimentos essenciais no esporte, como mudanças bruscas de direção, chutes cruzados e desacelerações em alta velocidade. O caso do lateral Wesley, cortado da Copa por essa lesão, ilustra por que jogadores dessa posição e volantes estão especialmente expostos a esse tipo de problema, que exige semanas de reabilitação e pode se tornar recorrente quando o tratamento é apressado.
O que são os músculos adutores e qual sua função?
Os adutores formam um grupo de cinco músculos localizados na região interna da coxa: adutor longo, adutor curto, adutor magno, pectíneo e grácil. Eles conectam a pelve ao fêmur e são responsáveis por aproximar a perna da linha média do corpo, movimento chamado de adução.
Também atuam na estabilização da pelve durante corridas, saltos e mudanças de direção, o que os torna especialmente exigidos em esportes coletivos como futebol, basquete e handebol.
Por que a lesão atinge tanto laterais e volantes?
Segundo a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e a Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE), laterais e volantes são as posições mais afetadas por realizarem constantes acelerações, desacelerações e chutes cruzados durante os jogos.
O adutor longo é o músculo mais lesionado, pois atinge sua carga máxima na fase de armação do chute. Isso, somado às trocas rápidas de direção com o pé fixo no chão, aumenta o risco de distensão na virilha em atletas de alta intensidade.

Quais sintomas aparecem quando o adutor é lesionado?
A gravidade da lesão determina os sintomas e o tempo de recuperação. Entre os sinais mais comuns estão:
- Dor súbita na parte interna da coxa ou na virilha durante uma arrancada, chute ou mudança de direção;
- Sensação de estalo no momento da lesão, típica em rupturas mais extensas;
- Inchaço ou hematoma na região interna da coxa nas primeiras horas;
- Dificuldade para juntar as pernas ou correr;
- Dor à palpação ao pressionar o local do adutor longo;
- Fraqueza muscular, especialmente ao tentar retomar o esporte precocemente.
O diagnóstico é feito por exame clínico e confirmado por ultrassonografia ou ressonância magnética, que ajudam a definir o grau da lesão e o plano de tratamento.
Como é feito o tratamento e qual o tempo de recuperação?
O tratamento depende da gravidade da lesão, que é classificada em três graus. No grau 1, com microlesões, a recuperação costuma levar de duas a três semanas. No grau 2, com ruptura parcial, o tempo pode chegar a seis semanas. Já no grau 3, com ruptura completa, a reabilitação passa de três meses e, em alguns casos, exige cirurgia.
A base do tratamento para dor na virilha costuma incluir repouso inicial, aplicação de gelo, uso de anti-inflamatórios sob orientação médica e fisioterapia para recuperar força, flexibilidade e controle neuromuscular antes do retorno ao esporte.
Como prevenir a lesão dos adutores?
A prevenção envolve principalmente o fortalecimento específico da musculatura da coxa e do quadril, além do equilíbrio entre adutores e abdutores. Exercícios como o de Copenhagen, focado na contração excêntrica dos adutores, têm evidências de reduzir a incidência de lesões na virilha em jogadores de futebol.
Aquecimento adequado, alongamento, controle da carga de treino e atenção a sinais precoces de sobrecarga muscular também são medidas essenciais para evitar um novo estiramento na coxa ou o retorno prematuro de uma lesão antiga.

Como um estudo científico embasa essas informações?
A relação entre desequilíbrios musculares, sobrecarga dos adutores e lesões na virilha em jogadores de futebol é tema de revisões publicadas em periódicos brasileiros. Um artigo disponibilizado na SciELO analisa a fisiopatologia e o tratamento desse tipo de lesão em atletas.
Segundo o A pubalgia no jogador de futebol publicado na Revista Brasileira de Medicina do Esporte, as forças geradas na sínfise púbica pela contração simultânea de adutores e músculos abdominais durante o chute, somadas ao desbalanceamento entre adutores e abdutores do quadril, estão diretamente relacionadas ao surgimento de lesões nessa região, o que reforça a importância do fortalecimento específico e do acompanhamento profissional para atletas de alta performance.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico ortopedista ou de um profissional de educação física qualificado. Em caso de dor na virilha ou na parte interna da coxa, procure orientação médica presencial para diagnóstico e tratamento adequados.









