O fígado bovino é considerado um dos alimentos mais densos em nutrientes que existem na natureza, oferecendo concentrações impressionantes de ferro, vitamina B12, ácido fólico, vitamina A e outros minerais em porções pequenas. Apesar de ter caído em desuso nas últimas décadas, essa víscera volta a ganhar atenção de especialistas em nutrição clínica por entregar, de forma natural, nutrientes que muitas vezes buscamos em cápsulas. Entender por que o fígado foi deixado de lado e o que a ciência atual diz sobre ele pode transformar a forma como você enxerga a alimentação.
Por que o fígado bovino é tão rico em nutrientes?
O fígado funciona no organismo dos animais como um verdadeiro centro de armazenamento de vitaminas e minerais, o que explica sua concentração nutricional muito superior à das carnes musculares. Em uma porção de 100 gramas, é possível obter quantidades expressivas de ferro, vitamina B12, ácido fólico, cobre e vitamina A.
Além disso, a forma como esses nutrientes estão apresentados no fígado facilita a absorção pelo corpo. O ferro, por exemplo, é do tipo heme, que é bem mais aproveitado pelo organismo do que o ferro de origem vegetal.
Quais nutrientes o fígado oferece em maior quantidade?
Muitas pessoas buscam em suplementos nutrientes que podem ser encontrados de forma abundante em um único alimento. O fígado bovino é um desses casos, e vale a pena conhecer seu perfil nutricional para entender o porquê de sua fama como “multivitamínico natural”.
Entre os principais nutrientes presentes no fígado bovino, destacam-se:

Por que o fígado foi deixado de lado na alimentação moderna?
O consumo de vísceras caiu drasticamente nas últimas décadas em razão da popularização das carnes magras, da preocupação com o colesterol e de mudanças culturais no modo de cozinhar. Hoje, muitos brasileiros relacionam o fígado a pratos antigos e acabam substituindo-o por suplementos industrializados.
Outro fator foi o sabor marcante e o receio de que o fígado “acumulasse toxinas”, mito já esclarecido pela nutrição clínica. O órgão atua como filtro metabólico, mas não armazena substâncias tóxicas, e quando consumido em quantidades moderadas oferece muito mais benefícios do que riscos.
O que uma revisão científica mostra sobre o ferro das vísceras?
A qualidade do ferro presente em vísceras, especialmente no fígado, é um dos temas mais estudados em nutrição, justamente por estar ligado à prevenção da anemia, condição que atinge milhões de pessoas no mundo. Revisões recentes comparam a biodisponibilidade do ferro em diferentes alimentos e ajudam a entender por que o fígado tem vantagem tão clara.
Segundo a revisão científica intitulada “Absorção de ferro: fatores, limitações e métodos de melhoria”, publicada em 2022 na revista científica ACS Omega, a taxa de absorção de ferro no consumo de vísceras é de 25% a 30%, enquanto os vegetais folhosos verdes oferecem apenas 7% a 9% e os grãos cerca de 4%. Os autores destacam que o tipo de alimento influencia diretamente a biodisponibilidade do ferro, e que as fontes animais como o fígado são as mais eficientes para combater a deficiência do mineral.

Quem pode se beneficiar e como incluir o fígado na rotina?
O fígado bovino pode ser especialmente útil para pessoas com tendência à anemia, mulheres em idade fértil, gestantes, idosos e quem segue dietas pobres em carne vermelha. Consumir de uma a duas porções por semana já é suficiente para colher seus benefícios sem exagerar em nutrientes como vitamina A.
Algumas formas simples de incluir o fígado na alimentação incluem fígado acebolado, patê caseiro, bife à milanesa com temperos naturais e preparações refogadas com legumes. Deixar a víscera de molho no leite ou em limão antes de cozinhar ajuda a suavizar o sabor.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico. Pessoas com gota, colesterol elevado, gestantes ou em uso de suplementos de vitamina A devem consultar um médico ou nutricionista antes de incluir o fígado bovino com frequência na alimentação.









