A deficiência de zinco costuma ser atribuída apenas à alimentação pobre nesse mineral, mas estudos mostram que o consumo frequente de álcool tem papel igualmente importante. O álcool interfere tanto na absorção intestinal quanto na retenção renal do zinco, aumentando sua perda pela urina. Como esse mineral é essencial para a imunidade, a cicatrização e a saúde do fígado, entender essa relação ajuda a explicar sintomas persistentes mesmo em pessoas que acreditam ter uma dieta equilibrada.
Qual a função do zinco no corpo?
O zinco participa de mais de 300 reações enzimáticas e é fundamental para a expressão de genes, o crescimento celular e o funcionamento do sistema imunológico. Ele também atua como antioxidante, protegendo as células contra os danos causados pelos radicais livres.
Por estar presente em praticamente todos os tecidos, a falta desse mineral afeta múltiplas funções do organismo, incluindo olfato, paladar, fertilidade e saúde da pele. A deficiência de zinco pode passar despercebida por meses antes de gerar sintomas mais evidentes.
Como o álcool compromete a retenção do zinco?
O álcool afeta o zinco por várias vias simultâneas. Ele reduz a absorção intestinal, prejudica o armazenamento hepático e, principalmente, aumenta a excreção renal desse mineral, fazendo com que grande parte do zinco ingerido seja eliminada pela urina antes de ser aproveitada pelo corpo.
Além disso, o estresse oxidativo gerado pelo metabolismo do etanol libera o zinco de proteínas intracelulares, o que agrava ainda mais o déficit, especialmente em pessoas com consumo habitual ou prolongado.

Quais os impactos do zinco baixo na imunidade?
Sem zinco suficiente, o sistema imunológico perde eficiência, o que explica a maior vulnerabilidade de pessoas com consumo elevado de álcool a infecções respiratórias, gripes e inflamações persistentes. Entre os principais efeitos observados estão:

Como revisão científica confirma essa relação?
A literatura hepatológica tem reforçado o papel do álcool na perda de zinco. De acordo com a revisão Zinc and Liver Disease, publicada no periódico Nutrition in Clinical Practice, pacientes com doença hepática alcoólica apresentam consistentemente níveis séricos e hepáticos de zinco mais baixos do que pessoas saudáveis, com múltiplos mecanismos envolvidos, incluindo redução da ingestão dietética, diminuição da absorção intestinal, aumento da excreção urinária e alterações em transportadores celulares de zinco.
Os autores destacam ainda que a deficiência pode se manifestar de várias formas, como lesões de pele, má cicatrização, alterações mentais e disfunção imunológica, reforçando a necessidade de atenção clínica a esse mineral em pessoas com consumo elevado de álcool.
Como preservar os níveis de zinco no dia a dia?
Para quem busca manter boas reservas desse mineral, é importante combinar redução do consumo de álcool com uma dieta adequada. Incluir alimentos ricos em zinco nas refeições principais é uma das formas mais eficazes de sustentar bons níveis do mineral. Entre as fontes mais recomendadas estão:
- Carnes vermelhas magras, especialmente cortes bovinos e fígado
- Frutos do mar, com destaque para ostras, camarão e mexilhão
- Sementes de abóbora e gergelim, ótimas opções vegetais
- Castanhas e amêndoas, úteis como lanches intermediários
- Leguminosas e grãos integrais, como feijão, grão-de-bico e aveia
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Consulte sempre um médico ou nutricionista para investigar possíveis deficiências de zinco e receber orientação adequada, especialmente em casos de consumo frequente de álcool.









