As ondas de calor na menopausa costumam ser associadas apenas à queda hormonal, mas a ciência tem mostrado que o cérebro também tem papel central nesse sintoma. A nova geração de tratamentos mira circuitos ligados ao “termostato” corporal, oferecendo uma alternativa não hormonal para mulheres com fogachos moderados a intensos.
Por que não é só hormônio
Com a redução do estrogênio, o centro de controle da temperatura no cérebro pode ficar mais sensível. Pequenas variações de calor passam a desencadear suor, vermelhidão, palpitações e sensação súbita de aquecimento.
A nova classe atua em receptores de neurocinina, substâncias envolvidas nessa regulação térmica. Em vez de repor hormônios, esses medicamentos tentam reduzir o excesso de sinal que dispara os fogachos.
O que o estudo científico mostrou
Segundo o ensaio clínico randomizado de fase 3 Elinzanetant for the Treatment of Vasomotor Symptoms Associated With Menopause, publicado no JAMA Internal Medicine, o elinzanetant foi avaliado por 52 semanas em mulheres na pós-menopausa com sintomas vasomotores moderados a graves.
No estudo OASIS-3, 628 mulheres de 40 a 65 anos receberam elinzanetant ou placebo. Na semana 12, a frequência diária de ondas de calor moderadas a graves caiu 5,4 episódios no grupo tratado, contra 3,5 no grupo placebo. Sonolência, fadiga e dor de cabeça foram eventos adversos mais frequentes.

Quando as ondas de calor merecem avaliação
Nem toda onda de calor exige remédio, mas a avaliação é importante quando o sintoma afeta sono, trabalho, humor ou qualidade de vida. Também vale investigar se há outros problemas contribuindo para o quadro.
- Suores noturnos que acordam várias vezes por semana.
- Palpitações, ansiedade ou irritabilidade junto dos fogachos.
- Insônia, cansaço e dificuldade de concentração.
- Sintomas muito intensos antes dos 40 anos.
- Perda de peso, febre ou tremores, que podem indicar outras causas.
Quem pode precisar de alternativa não hormonal
A terapia hormonal pode ser indicada para algumas mulheres, mas não é a melhor opção para todas. Por isso, tratamentos não hormonais ganharam espaço na pesquisa sobre menopausa.
- Mulheres que não podem usar hormônios por contraindicação médica.
- Pessoas com receio de terapia hormonal e sintomas importantes.
- Quem teve efeitos indesejados com outros tratamentos.
- Mulheres com fogachos persistentes após ajustes de rotina.
- Pacientes que precisam de decisão individualizada com ginecologista.
Para entender melhor sintomas, fases e cuidados, veja também o conteúdo sobre menopausa.

Como interpretar a novidade
O avanço é promissor porque amplia as opções para quem sofre com ondas de calor, especialmente quando o sintoma compromete o sono e a rotina. Ainda assim, o uso depende de aprovação regulatória, disponibilidade no país, histórico de saúde e avaliação médica.
Enquanto isso, medidas como evitar álcool, reduzir ambientes muito quentes, usar roupas leves, praticar atividade física e cuidar do sono podem ajudar. Se os sintomas forem frequentes ou intensos, a melhor conduta é conversar com um médico para escolher o tratamento mais seguro.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









