A dor aguda, comum após cirurgias, traumas ou lesões, ganhou uma nova opção de tratamento nos Estados Unidos com a aprovação de um analgésico não opioide de nova classe. A novidade chama atenção porque atua em uma via de sinalização da dor antes que o estímulo chegue ao cérebro, sem pertencer ao grupo dos opioides.
Como o novo analgésico age
O medicamento se chama suzetrigina e atua bloqueando canais de sódio NaV1.8, envolvidos na transmissão de sinais dolorosos no sistema nervoso periférico. Na prática, ele tenta reduzir a dor na origem do sinal, sem ativar receptores opioides.
Segundo a FDA, o Journavx, nome comercial da suzetrigina, foi aprovado em 2025 para tratar dor aguda moderada a intensa em adultos, sendo o primeiro medicamento aprovado nessa nova classe de analgésicos não opioides.
O que o estudo científico mostrou
O avanço foi apoiado por estudos em dor pós-operatória, uma situação em que o controle adequado da dor precisa ser rápido e seguro. Esse tipo de pesquisa ajuda a entender se a nova classe realmente reduz dor em cenários clínicos controlados.
Segundo os ensaios clínicos randomizados de fase 3 Suzetrigine, a Nonopioid NaV1.8 Inhibitor for Treatment of Moderate-to-Severe Acute Pain: Two Phase 3 Randomized Clinical Trials, publicados na revista Anesthesiology, a suzetrigina reduziu a dor moderada a intensa nas primeiras 48 horas após abdominoplastia ou cirurgia de joanete, com efeito superior ao placebo e semelhante ao esquema com hidrocodona e paracetamol nos estudos avaliados.

O que muda para a dor aguda
A principal mudança é ampliar o leque de opções para situações em que a dor precisa ser tratada, mas há preocupação com os riscos dos opioides. Isso não significa que opioides deixarão de ser usados, mas que pode haver mais alternativas em alguns casos.
- Oferece uma opção não opioide para dor aguda moderada a intensa.
- Pode ajudar em estratégias que buscam reduzir exposição a opioides.
- Foi estudado principalmente em dor após procedimentos cirúrgicos.
- Não deve ser usado como solução única para todos os tipos de dor.
Cuidados antes de usar
Mesmo sendo não opioide, o medicamento não é isento de riscos. A escolha do analgésico depende da causa da dor, intensidade, doenças associadas, remédios em uso e tempo previsto de tratamento.
- Deve ser usado apenas com prescrição e acompanhamento médico.
- Pode causar reações como coceira, espasmos musculares, rash e alteração de enzimas musculares.
- Não deve ser combinado com inibidores fortes da CYP3A.
- O consumo de grapefruit deve ser evitado durante o uso.
- Dor intensa, progressiva ou sem causa clara precisa de avaliação.
Para entender melhor as opções usadas no controle da dor, veja também o conteúdo sobre analgésicos.

Como interpretar a novidade
A aprovação marca um avanço importante porque mostra que novas vias de tratamento da dor estão chegando à prática clínica. Ainda assim, a suzetrigina não substitui automaticamente anti-inflamatórios, anestésicos, opioides ou medidas não medicamentosas em todos os pacientes.
O melhor controle da dor aguda costuma combinar diagnóstico correto, medicamento adequado, dose segura e reavaliação. Se a dor vier com febre, perda de força, falta de ar, dor no peito, trauma importante ou piora rápida, a busca por atendimento deve ser imediata.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









