A enzima lactase pode ajudar quem apresenta sintomas provocados pela dificuldade de digerir a lactose, mas não resolve todo desconforto que aparece depois de consumir leite ou derivados. Sua função é específica: quebrar a lactose, o açúcar natural do leite. Por isso, se gases, inchaço, dor ou diarreia tiverem outra causa, tomar lactase pode produzir pouco efeito ou nenhum benefício.
O que a lactase faz depois que é tomada?
A intolerância à lactose acontece quando o intestino delgado produz pouca lactase para digerir a quantidade de lactose ingerida. Parte desse açúcar chega então ao intestino grosso, onde é fermentada pelas bactérias e pode provocar gases, distensão, cólicas e diarreia.
Produtos contendo lactase fornecem temporariamente essa enzima para ajudar a quebrar a lactose presente na refeição. O NIDDK inclui o uso de produtos com lactase entre as estratégias que podem auxiliar algumas pessoas, mas ressalta que a tolerância à lactose varia e que muitos indivíduos conseguem consumir determinadas quantidades sem sintomas.
A enzima funciona da mesma maneira para todo mundo?
Não. A resposta depende da quantidade de lactose ingerida, do grau de deficiência de lactase, da dose e do momento em que o produto é utilizado. Um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e cruzado chamado Effect of lactase on symptoms and hydrogen breath levels in lactose intolerance, publicado em 2020 no JGH Open, avaliou 47 adultos com intolerância confirmada por teste respiratório.
Quando receberam lactase antes da exposição à lactose, os participantes apresentaram redução dos sintomas e dos níveis de hidrogênio no teste respiratório em comparação ao placebo. O estudo mostra que a enzima pode funcionar em pessoas com intolerância comprovada, mas sua amostra foi pequena e o resultado não significa que qualquer sintoma causado por laticínios responderá da mesma maneira.

Por que a lactase pode não resolver o desconforto?
Quando a causa não é a lactose, aumentar a quantidade da enzima não corrige o problema.
- Quantidade de lactose muito alta pode ultrapassar a capacidade da dose de lactase utilizada.
- Uso em momento inadequado pode diminuir o contato da enzima com a lactose da refeição.
- Síndrome do intestino irritável pode provocar gases, distensão, dor e alteração das fezes após diferentes alimentos.
- Doença celíaca ou outras doenças intestinais podem causar sintomas semelhantes e, em alguns casos, provocar intolerância à lactose secundária.
- Alergia às proteínas do leite envolve uma reação imunológica e não é tratada com lactase.
- Outros componentes da alimentação consumidos junto com o leite podem ser os verdadeiros responsáveis pelo desconforto.
Por isso, sentir-se mal depois de tomar leite não confirma sozinho uma intolerância. A relação entre alimento, quantidade ingerida, tempo até o início dos sintomas e repetição do quadro ajuda na investigação.
É necessário retirar todos os laticínios da alimentação?
Nem sempre. Pessoas com intolerância podem suportar quantidades bastante diferentes de lactose, e alguns alimentos são mais bem tolerados que outros.
- Porções menores podem provocar menos sintomas que grandes quantidades consumidas de uma vez.
- Leite sem lactose oferece uma alternativa para quem apresenta sintomas com o leite convencional.
- Iogurte e alguns queijos podem conter menos lactose ou ser melhor tolerados por algumas pessoas.
- Consumir laticínios junto com outros alimentos pode melhorar a tolerância em determinadas pessoas.
- Lactase pode ser útil em refeições específicas quando existe intolerância à lactose.
Excluir leite e derivados sem necessidade também pode reduzir a ingestão de cálcio, vitamina D e outros nutrientes. A dieta para intolerância à lactose deve ser adaptada ao grau de tolerância de cada pessoa, em vez de necessariamente eliminar todos os laticínios.
Veja também quais alimentos costumam ser mais bem tolerados e como adaptar a alimentação na intolerância à lactose.
Quando vale a pena investigar em vez de apenas tomar lactase?
Se a lactase não melhora os sintomas, se o desconforto também aparece com produtos sem lactose ou se os episódios se tornam frequentes, é importante avaliar outras possibilidades. Testes como o teste respiratório de hidrogênio podem ser utilizados em alguns casos para investigar sintomas de intolerância à lactose.
Também é indicado procurar orientação médica diante de perda de peso sem explicação, sangue nas fezes, vômitos persistentes, anemia, dor intensa, diarreia prolongada ou sintomas que começam a limitar muito a alimentação. Nesses casos, insistir apenas no uso da enzima pode atrasar a identificação da verdadeira causa do desconforto.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação de um médico ou outro profissional de saúde qualificado.









