Cuidar dos rins envolve muito mais do que beber água. O padrão alimentar como um todo, especialmente a quantidade de sódio, o consumo de proteínas e a qualidade dos alimentos, também interfere na saúde renal. Uma revisão que reuniu 28 revisões sistemáticas e meta-análises encontrou benefícios associados tanto à dieta DASH quanto à mediterrânea, mas os resultados precisam ser interpretados de maneira diferente em pessoas saudáveis e em quem já tem doença renal crônica.
O que a revisão encontrou sobre DASH e dieta mediterrânea?
A revisão guarda-chuva Dietary Patterns and Kidney Health: An Umbrella Review of Systematic Reviews and Meta-Analyses, publicada na edição de setembro de 2026 da Nutrition Reviews, reuniu 28 revisões sobre alimentação e saúde renal. Foram avaliados padrões alimentares, quantidade de proteínas, ingestão de sódio e outras estratégias nutricionais.
De forma geral, maior adesão à dieta mediterrânea e à dieta DASH esteve associada a menor risco de desenvolver doença renal crônica. Entre pessoas que já tinham doença renal, a DASH também apresentou evidências de redução da proteinúria e de menor velocidade de queda da taxa de filtração glomerular em algumas análises.
DASH ou mediterrânea, qual parece melhor para os rins?
A revisão não permite apontar uma vencedora universal. Os dois padrões compartilham várias características que podem favorecer a saúde renal.
- Dieta DASH prioriza frutas, vegetais, cereais integrais, leguminosas e laticínios com pouca gordura, além de dar atenção especial à redução do sódio.
- Dieta mediterrânea valoriza vegetais, frutas, leguminosas, cereais integrais, azeite, oleaginosas e peixes, com menor presença de carnes processadas e ultraprocessados.
- Ambas tendem a oferecer mais fibras e alimentos vegetais e menos produtos ricos em sódio e gordura saturada.
- A DASH apareceu na revisão com evidências adicionais relacionadas à proteinúria e ao declínio da função renal em pessoas com DRC.
- A mediterrânea também pode ser uma opção de padrão alimentar saudável, mas sua aplicação precisa considerar as necessidades de cada paciente.
Na prática, a dieta mediterrânea e a DASH não devem ser vistas como prescrições rígidas ou concorrentes. O mais importante é a qualidade global da alimentação e sua adaptação às condições de saúde.

Reduzir sal e proteína também protege os rins?
Na revisão, menor ingestão de sódio esteve associada à redução da excreção urinária de sódio, da proteinúria e de desfechos compostos em pessoas com doença renal crônica. Dietas com menor teor de proteína também reduziram a proteinúria, enquanto estratégias de restrição proteica mais intensa apresentaram benefício em alguns desfechos de progressão da doença.
Isso não significa que qualquer pessoa deva cortar proteínas por conta própria. A diretriz KDIGO recomenda, de forma geral, cerca de 0,8 g de proteína por quilo de peso ao dia para adultos com DRC nos estágios 3 a 5 e orienta evitar consumo muito elevado, mas dietas com restrição maior exigem supervisão especializada. Idosos frágeis, pessoas com perda de massa muscular e pacientes em diálise podem ter necessidades diferentes.
O que muda para quem ainda não tem doença renal?
Para pessoas sem DRC, o objetivo principal é reduzir fatores que favorecem o aparecimento da doença ao longo do tempo.
- Manter a pressão arterial controlada.
- Evitar excesso de sódio e alimentos ultraprocessados.
- Priorizar frutas, vegetais, leguminosas e cereais integrais.
- Evitar consumo excessivo de proteínas, especialmente quando associado a dietas muito restritivas ou suplementos em excesso.
- Controlar diabetes, obesidade e outros fatores metabólicos que aumentam o risco renal.
- Manter hidratação adequada, sem considerar grandes volumes de água como forma isolada de “limpar” os rins.
A revisão encontrou associação entre padrões como DASH e mediterrâneo e menor risco de doença renal crônica, mas parte dessas evidências vem de estudos observacionais. Por isso, os resultados não significam que seguir uma dessas dietas garanta que a doença nunca ocorrerá.

Por que quem já tem doença renal precisa de uma dieta individualizada?
Quando existe doença renal crônica, simplesmente copiar uma dieta saudável da internet pode não ser adequado. Dependendo do estágio da doença, dos exames e dos medicamentos utilizados, pode ser necessário ajustar proteína, sódio, potássio, fósforo e até a quantidade de líquidos.
Diretrizes atuais recomendam que essas adaptações sejam feitas de acordo com a função renal, risco de progressão, estado nutricional e outras doenças existentes. Por isso, quem apresenta alteração da creatinina, proteína na urina, redução da filtração renal ou diagnóstico de DRC deve buscar acompanhamento com nefrologista e nutricionista antes de restringir alimentos ou nutrientes por conta própria.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação médica profissional.









