Olhos ardendo no fim do dia podem ter relação com muitas horas diante do computador ou do celular, especialmente quando o desconforto aparece depois de períodos prolongados de atenção à tela. Isso não significa que a tela seja a única causa: seu uso prolongado pode alterar a forma de piscar, favorecer a evaporação da lágrima e se somar a fatores como ar seco, ar-condicionado, lentes de contato e problemas prévios da superfície ocular.
Por que olhar para a tela pode ressecar os olhos?
A lágrima forma uma película fina sobre a superfície dos olhos. Cada piscada ajuda a espalhar essa película e manter a córnea protegida. Durante tarefas que exigem concentração visual, como ler, trabalhar no computador ou usar o celular, é possível piscar menos vezes ou não fechar completamente as pálpebras em parte das piscadas.
Com isso, a lágrima pode permanecer mais tempo exposta ao ar e perder estabilidade, favorecendo ardor, sensação de areia, vermelhidão e visão que oscila por alguns instantes. Esses sintomas podem fazer parte da fadiga ocular digital e também ocorrer na síndrome do olho seco, mas não permitem fechar um diagnóstico sozinhos.
Piscar menos é realmente o principal problema?
A frequência importa, mas a qualidade da piscada também parece relevante. No estudo comparativo Blink rate, incomplete blinks and computer vision syndrome, publicado na Optometry and Vision Science, 21 adultos realizaram uma tarefa de leitura no computador durante 15 minutos. Os pesquisadores observaram associação entre maior proporção de piscadas incompletas e maior intensidade dos sintomas.
No mesmo estudo, aumentar artificialmente a frequência das piscadas por meio de um sinal sonoro não reduziu significativamente o desconforto. Uma revisão sobre fadiga ocular digital publicada em 2024 também relaciona os sintomas da superfície ocular às alterações do piscar. Ainda assim, ardência nos olhos pode ter outras causas, como alergias, blefarite, conjuntivite ou alterações da visão.

O que pode piorar a ardência ao longo do dia?
Algumas situações aumentam a evaporação da lágrima ou prolongam o esforço visual e podem atuar junto com o uso das telas:
- Ar muito seco: ambientes com baixa umidade favorecem a perda de água da superfície ocular.
- Ar-condicionado ou ventilador: principalmente quando a corrente de ar fica direcionada para o rosto.
- Longos períodos sem pausas: manter a atenção em atividades próximas por muito tempo favorece o acúmulo de desconforto.
- Lentes de contato: algumas pessoas percebem mais ressecamento durante o uso prolongado.
- Tela muito elevada: olhar para cima pode aumentar a área da superfície ocular exposta ao ambiente.
- Olho seco prévio: quem já apresenta alteração do filme lacrimal pode perceber os sintomas mais rapidamente. Um estudo em ambiente com umidade controlada mostrou piora da evaporação, estabilidade da lágrima e conforto ocular após exposição a umidade muito baixa, reforçando a influência do ambiente.

O que fazer e quando procurar um oftalmologista?
Quando o incômodo é leve e aparece principalmente depois de muitas horas de tela, algumas mudanças de rotina podem ajudar, enquanto determinados sintomas justificam avaliação médica:
- Faça pausas regulares: interrompa períodos longos de trabalho próximo e olhe para objetos mais distantes por alguns momentos.
- Pisque de forma completa: durante períodos de muita concentração, lembrar de fechar totalmente as pálpebras pode ajudar a redistribuir a lágrima.
- Evite vento direto: reposicione ventiladores e saídas de ar-condicionado que atinjam os olhos.
- Ajuste a tela: mantenha uma distância confortável e, de preferência, a tela ligeiramente abaixo da linha dos olhos.
- Procure avaliação se os sintomas persistirem: ardor, sensação de areia ou visão embaçada que se repetem ou atrapalham as atividades merecem investigação. O oftalmologista pode avaliar o filme lacrimal, as pálpebras, a superfície ocular e possíveis alterações de grau.
- Busque atendimento mais rapidamente: dor ocular intensa, redução ou mudança súbita da visão, sensibilidade importante à luz, trauma, secreção intensa ou vermelhidão acentuada, especialmente em apenas um olho, não devem ser atribuídos apenas ao cansaço provocado pelas telas.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação médica. Sintomas oculares persistentes ou intensos devem ser avaliados por um oftalmologista.









