A dor na base do polegar que aparece ao segurar o celular, agarrar objetos ou torcer o punho pode estar relacionada à sobrecarga dos tendões que passam pela lateral do punho, como acontece na tenossinovite de De Quervain. O celular pode fazer parte desse contexto por exigir repetição e posições sustentadas do polegar, mas não deve ser apontado como causa isolada. Observar exatamente onde dói e quais movimentos provocam o incômodo ajuda a diferenciar esse quadro de outras causas de dor na mão.
Por que a dor de De Quervain aparece perto do polegar?
A tenossinovite de De Quervain envolve os tendões abdutor longo e extensor curto do polegar, que atravessam um pequeno compartimento na lateral do punho. Alterações e espessamento nessa região dificultam o deslizamento normal dos tendões e podem provocar dor durante determinados movimentos.
O incômodo costuma se concentrar próximo à base do polegar e ao lado do punho, podendo avançar um pouco para o antebraço. Movimentos que combinam força para segurar algo com deslocamento do polegar ou do punho tendem a aumentar a pressão sobre a região e tornar a dor mais perceptível.
O celular realmente pode estar envolvido?
Usar o smartphone exige segurar o aparelho por períodos prolongados, movimentar repetidamente o polegar e, dependendo da posição, mantê-lo afastado dos demais dedos. Essas características podem aumentar a carga sobre a mão, especialmente quando já existem outros esforços repetitivos no trabalho, em tarefas domésticas, esportes ou cuidados com crianças.
Uma revisão sistemática sobre lesões da mão associadas ao uso de celulares, publicada em 2026 no periódico Work, analisou 42 estudos e encontrou associação entre maior uso de dispositivos móveis e problemas musculoesqueléticos, incluindo De Quervain. Isso não demonstra que o celular sozinho provoque a condição, pois muitos dos estudos disponíveis são observacionais e outros fatores podem participar do quadro.

Quais movimentos costumam piorar a dor?
O padrão de movimento costuma ser mais informativo do que uma atividade específica. Entre as situações que podem desencadear ou agravar o desconforto estão:
- Segurar o celular com uma mão enquanto o polegar alcança diferentes áreas da tela;
- Agarrar garrafas, copos, panelas ou outros objetos com força;
- Abrir tampas e potes que exigem movimentos de torção;
- Torcer panos ou roupas com as mãos;
- Levantar uma criança mantendo os polegares muito afastados;
- Executar repetidamente movimentos de pinça entre o polegar e os outros dedos;
- Praticar atividades que exigem preensão firme e movimentos frequentes do punho.
Como diferenciar de outras causas de dor no punho?
Nem toda dor nessa região é De Quervain, e alguns detalhes podem direcionar a avaliação para outros problemas:
- De Quervain: dor principalmente no lado do polegar do punho, pior ao agarrar, levantar ou torcer objetos;
- Síndrome do túnel do carpo: predominam dormência, formigamento ou choque, geralmente no polegar, indicador, dedo médio e parte do anelar;
- Artrose da base do polegar: pode provocar dor mais concentrada na articulação onde o polegar se encontra com a mão, especialmente ao fazer pinça;
- Traumas: uma queda ou pancada seguida de dor intensa, hematoma ou incapacidade de movimentar a mão exige investigação de lesões ósseas ou ligamentares;
- Outras tendinites: podem causar dor no punho em regiões diferentes, dependendo do tendão envolvido.
Quando a dor merece avaliação médica?
Reduzir temporariamente os movimentos que desencadeiam a dor pode aliviar a sobrecarga, mas não é recomendado insistir repetidamente em movimentos dolorosos para “testar” o punho. Quando necessário, o ortopedista avalia a localização da dor e realiza manobras clínicas específicas. Ultrassonografia ou outros exames podem ser usados quando existem dúvidas no diagnóstico ou necessidade de investigar outras causas.
É indicado procurar avaliação quando a dor persiste, aumenta, começa a limitar atividades cotidianas ou vem acompanhada de inchaço importante ou perda de função. Uma revisão sistemática e metanálise em rede publicada no JAMA Network Open, Management of de Quervain Tenosynovitis, analisou ensaios clínicos de diferentes tratamentos e encontrou evidências favoráveis a estratégias que incluem infiltração com corticosteroide e imobilização do polegar em pacientes selecionados. A escolha do tratamento, porém, depende da intensidade, duração e características de cada caso e deve ser orientada pelo ortopedista, preferencialmente especialista em mão.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação médica com ortopedista, cirurgião da mão ou outro profissional adequado.








