A síndrome das pernas inquietas, também conhecida como doença de Willis-Ekbom, provoca uma vontade quase irresistível de mover as pernas ao deitar, acompanhada de formigamento, queimação ou desconforto profundo. Apesar de atingir entre 5% e 15% da população adulta, apenas uma pequena parcela recebe diagnóstico correto, já que os sintomas são frequentemente confundidos com cansaço, cãibras ou ansiedade. Reconhecer esse distúrbio noturno é o primeiro passo para tratar suas causas, incluindo a deficiência de ferro, e resgatar noites de sono reparador.
O que é a síndrome das pernas inquietas?
Trata-se de um distúrbio neurológico sensorial-motor que se manifesta por uma necessidade incontrolável de mover as pernas, geralmente em repouso e com piora à noite. O alívio dos sintomas só chega com o movimento, o que faz a pessoa se levantar da cama, caminhar ou balançar as pernas por longos períodos.
Segundo a Academia Brasileira de Neurologia, o quadro está ligado a alterações no sistema dopaminérgico e no metabolismo do ferro no cérebro. É mais frequente após os 40 anos, em mulheres e em gestantes, mas pode surgir em qualquer idade.
Por que o diagnóstico costuma ser ignorado?
Muitos pacientes convivem por anos com sintomas que atribuem ao estresse, ao envelhecimento ou a cãibras noturnas, sem procurar atendimento. Além disso, o exame físico costuma ser normal, o que reforça a impressão equivocada de que nada há de errado.
Do lado médico, a síndrome ainda é subdiagnosticada porque não existe exame de imagem ou laboratorial que a confirme isoladamente. O diagnóstico é essencialmente clínico e depende de uma escuta atenta às queixas, o que pode passar despercebido em consultas rápidas, atrasando o tratamento e agravando quadros de insônia associados.

Quais sinais devem levantar suspeita?
A Associação Brasileira do Sono destaca quatro critérios clínicos essenciais que ajudam a diferenciar a síndrome de outros desconfortos nas pernas. A presença de todos eles, mesmo em intensidade variável, justifica uma avaliação especializada.
Os principais sinais que devem levantar suspeita incluem:
- Vontade incontrolável de mover as pernas, geralmente com sensações desagradáveis.
- Sintomas que aparecem ou pioram em repouso, ao sentar ou deitar.
- Alívio parcial ou total do desconforto com o movimento, como caminhar ou alongar.
- Piora significativa dos sintomas à noite ou no início da madrugada.
- Descrição do incômodo como formigamento, queimação, coceira profunda ou sensação de bichos andando.
- Fragmentação do sono, despertares frequentes e cansaço diurno persistente.
Como a deficiência de ferro se relaciona com a síndrome?
A ciência já consolidou a relação entre baixos níveis de ferro no cérebro e a síndrome das pernas inquietas. Segundo o estudo Iron supplementation for restless legs syndrome — A systematic review and meta-analysis, uma meta-análise publicada no periódico European Journal of Internal Medicine e indexada no PubMed, a reposição de ferro, oral ou intravenosa, está associada a uma redução significativa nos escores internacionais de gravidade da síndrome.
A pesquisa avaliou dez ensaios clínicos randomizados e concluiu que a suplementação é segura e eficaz, especialmente em pacientes com ferritina sérica reduzida. Por isso, as diretrizes recomendam dosar ferritina e saturação de transferrina antes de iniciar qualquer tratamento, mesmo em pessoas sem anemia ferropriva instalada.

Como aliviar os sintomas e quando procurar ajuda?
O tratamento é individualizado e combina medidas comportamentais, correção de deficiências nutricionais e, em casos mais intensos, medicamentos prescritos por neurologista ou médico do sono. Algumas mudanças na rotina já ajudam a reduzir a frequência e a intensidade das crises noturnas:
- Manter horários regulares para dormir e acordar, seguindo boas práticas de higiene do sono.
- Reduzir o consumo de cafeína, álcool e nicotina, sobretudo no fim do dia.
- Praticar atividade física moderada durante o dia, evitando exercícios intensos à noite.
- Fazer massagens, alongamentos suaves e banhos mornos antes de deitar.
- Aplicar compressas quentes ou frias nas pernas em momentos de crise.
- Revisar medicamentos que podem piorar o quadro, como antidepressivos e anti-histamínicos, sempre com o médico.
Quando os episódios ocorrem mais de duas vezes por semana, atrapalham o sono ou afetam o humor, é fundamental buscar avaliação especializada. Só o médico pode definir a necessidade de exames como dosagem de ferritina, ajustes de tratamentos em uso ou prescrição de medicamentos específicos para o distúrbio.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Em caso de dúvidas ou sintomas persistentes, procure orientação médica.









