A carência de zinco no corpo nem sempre é consequência de uma dieta pobre no mineral, pois condições que reduzem sua absorção intestinal, como doença celíaca, doenças inflamatórias e alcoolismo crônico, podem esgotar seus estoques mesmo em quem se alimenta bem. Esse cenário explica por que muitas pessoas apresentam sintomas como queda de cabelo, cicatrização lenta e infecções frequentes sem imaginar que a origem esteja em problemas gastrointestinais ou no uso prolongado de álcool.
Por que a falta de zinco nem sempre vem da alimentação?
O zinco participa de mais de 300 reações no organismo e depende de um intestino saudável para ser adequadamente absorvido. Quando a mucosa intestinal está inflamada ou danificada, a absorção do mineral cai de forma significativa, mesmo quando a ingestão diária está dentro do recomendado.
Segundo a Sociedade Brasileira de Nutrologia, distúrbios gastrointestinais e o consumo crônico de álcool estão entre as causas mais frequentes de deficiência de sais minerais em adultos, incluindo o zinco, e nem sempre são identificados de imediato.
Como a doença celíaca reduz a absorção de zinco?
Na doença celíaca, o glúten desencadeia uma reação autoimune que inflama e achata as vilosidades do intestino delgado, região responsável pela absorção de grande parte dos micronutrientes, entre eles o zinco. Essa lesão intestinal compromete a captação do mineral, mesmo com uma dieta variada.
Mesmo após o início da dieta sem glúten, a recuperação total da mucosa pode levar meses, período em que a deficiência costuma persistir. Outras condições, como complicações da doença celíaca, doença de Crohn e cirurgia bariátrica, também prejudicam de forma semelhante a absorção intestinal.

Qual é o impacto do alcoolismo crônico nos níveis de zinco?
O consumo crônico de álcool interfere no metabolismo do zinco em várias frentes, reduzindo sua absorção intestinal e aumentando sua eliminação pela urina. Além disso, o álcool prejudica o funcionamento do fígado, órgão essencial no armazenamento e na distribuição do mineral.
Esse conjunto de fatores explica por que pessoas com alcoolismo apresentam com frequência sinais de deficiência, como alterações do paladar, cicatrização lenta e maior vulnerabilidade a infecções, mesmo quando mantêm uma alimentação aparentemente adequada.
O que a ciência mostra sobre as causas da deficiência de zinco?
As causas não alimentares da carência de zinco vêm sendo estudadas há décadas e possuem forte respaldo científico. Segundo a revisão Clinical manifestations of zinc deficiency publicada na revista Annual Review of Nutrition, as principais causas da deficiência incluem desnutrição, alcoolismo, síndromes de má absorção, doenças renais crônicas e uso de certos medicamentos, como diuréticos e agentes quelantes.
Os autores destacam que os sinais clínicos vão desde alterações leves, como perda de apetite e cicatrização lenta, até manifestações graves em casos avançados, reforçando as orientações da Federação Brasileira de Gastroenterologia sobre a importância de investigar causas intestinais em pacientes com deficiência persistente.
Quais são as principais causas de má absorção do zinco?
Diversas condições clínicas e hábitos podem comprometer a absorção intestinal ou aumentar as perdas do mineral, favorecendo a deficiência mesmo em quem se alimenta bem. Veja os principais fatores envolvidos:
- Doença celíaca não tratada, com lesão das vilosidades intestinais
- Doenças inflamatórias intestinais, como Crohn e retocolite ulcerativa
- Alcoolismo crônico, com aumento das perdas urinárias e menor absorção
- Cirurgia bariátrica e ressecções intestinais, que reduzem a área de captação
- Diarreia prolongada e infecções intestinais recorrentes
- Doença hepática crônica, que altera o metabolismo do mineral
- Uso prolongado de diuréticos e alguns quelantes de metais
- Dietas restritivas com excesso de fitatos, presentes em cereais integrais

Como identificar e tratar a deficiência de zinco?
O diagnóstico exige avaliação clínica cuidadosa, associada a exames laboratoriais e à investigação das causas de base. Confira as principais recomendações para identificar e corrigir o problema:
- Realizar dosagem sérica de zinco, sempre interpretada junto ao histórico clínico
- Investigar sintomas digestivos e histórico de doença celíaca ou intestinal
- Avaliar consumo de álcool e uso crônico de medicamentos de risco
- Aumentar o consumo de alimentos ricos em zinco, como carnes, ostras, sementes e leguminosas
- Utilizar suplementos apenas sob orientação médica ou nutricional
- Tratar a causa de base, como iniciar dieta sem glúten em celíacos
- Monitorar simultaneamente cobre e ferro, minerais que competem com o zinco
Diante de sintomas persistentes como queda de cabelo, cicatrização lenta, infecções recorrentes ou alterações no paladar, é fundamental procurar um gastroenterologista ou nutrólogo para avaliação completa e ajuste do tratamento das carências de minerais associadas.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado. Consulte sempre seu médico ou nutricionista antes de iniciar qualquer suplementação de zinco ou modificar sua alimentação.









