A deficiência de ácido fólico no organismo nem sempre está ligada apenas à alimentação pobre em vegetais e leguminosas, já que o uso contínuo de certos medicamentos e doenças intestinais podem comprometer a absorção e o metabolismo dessa vitamina, mesmo em quem se alimenta bem. Reconhecer essas causas menos conhecidas é essencial para evitar complicações como anemia megaloblástica, cansaço persistente e maior risco cardiovascular, especialmente em pacientes que fazem uso crônico de medicamentos.
Por que a falta de ácido fólico nem sempre vem da alimentação?
O ácido fólico, também chamado de vitamina B9, é absorvido principalmente no intestino delgado e depende de um sistema digestivo saudável para chegar aos tecidos. Quando esse processo é prejudicado por doenças ou medicamentos, os níveis caem mesmo com boa ingestão de folato pela alimentação.
Segundo a Sociedade Brasileira de Hematologia, causas não alimentares são responsáveis por parte significativa dos casos de deficiência de ácido fólico, especialmente em pacientes com doenças crônicas ou em uso prolongado de determinados remédios.
Como o metotrexato e os anticonvulsivantes afetam o ácido fólico?
O metotrexato é um dos medicamentos mais associados à deficiência de folato, pois inibe a enzima diidrofolato redutase, essencial para transformar o folato em sua forma ativa. Por isso, muitos pacientes que usam metotrexato para artrite reumatoide ou doenças autoimunes precisam de suplementação de ácido fólico como prevenção.
Já os anticonvulsivantes, como fenitoína e fenobarbital, reduzem os níveis séricos e teciduais de folato por mecanismos que envolvem alteração da absorção, do metabolismo hepático e das reservas do organismo, exigindo monitoramento periódico dos níveis sanguíneos.

Quais doenças intestinais podem reduzir a absorção do folato?
Diversas doenças que afetam a mucosa intestinal comprometem a absorção do ácido fólico, mesmo em pacientes com dieta adequada. Conheça as principais condições que exigem atenção:
- Doença celíaca, que danifica as vilosidades do intestino delgado e reduz a absorção
- Doença de Crohn, com inflamação crônica que afeta o intestino, especialmente o jejuno
- Retocolite ulcerativa, associada a perdas intestinais e má absorção
- Cirurgia bariátrica e ressecções intestinais, que reduzem a área de captação
- Doenças inflamatórias e infecciosas do intestino delgado
- Síndrome do intestino curto e enteropatias tropicais
- Alcoolismo crônico, que compromete a absorção e o metabolismo hepático do folato
O que a ciência diz sobre medicamentos e ácido fólico?
A relação entre medicamentos e deficiência de folato é reconhecida há décadas e conta com forte respaldo científico. Segundo a revisão Drugs and folate metabolism publicada na revista Drugs, medicamentos como metotrexato, pirimetamina, trimetoprima e triantereno atuam como antagonistas do folato, inibindo a enzima diidrofolato redutase e provocando deficiência da vitamina no organismo.
Os autores destacam que anticonvulsivantes, antituberculosos, álcool e contraceptivos orais também estão associados a níveis baixos de folato por mecanismos que envolvem redução da absorção, alteração do metabolismo hepático e maior excreção, reforçando as orientações do Manual MSD sobre a importância de monitorar os níveis em pacientes de risco.

Como identificar e tratar a deficiência de ácido fólico?
O diagnóstico exige avaliação clínica cuidadosa e exames laboratoriais específicos, com atenção às causas de base. Veja as principais recomendações para identificar e corrigir o problema:
- Realizar dosagem sérica de folato, sempre associada à vitamina B12 e ao hemograma
- Investigar sintomas digestivos e histórico de doença celíaca, Crohn ou cirurgias intestinais
- Avaliar uso crônico de metotrexato, anticonvulsivantes e outros medicamentos de risco
- Aumentar o consumo de alimentos ricos em folato, como espinafre, feijão, brócolis e fígado
- Utilizar suplementos orais de ácido fólico apenas sob orientação médica
- Tratar a causa de base, como iniciar dieta sem glúten em pacientes celíacos
- Diferenciar a deficiência de folato da de vitamina B12, que exige tratamento distinto
Diante de sintomas como cansaço persistente, palidez, aftas recorrentes ou dor na língua, é fundamental procurar um hematologista, gastroenterologista ou clínico geral para avaliação completa e ajuste do tratamento da carência de vitamina B9 e demais nutrientes associados.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado. Consulte sempre seu médico antes de iniciar qualquer suplementação de ácido fólico ou modificar o uso de medicamentos.









